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Roma
“Presépio é escola da sobriedade para as sociedades consumistas e exaustas”
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O Papa Francisco alertou que o frenesim das compras desvia a beleza do Natal. Na semana em que aprovou bênçãos para uniões do mesmo sexo e casais em situação irregular, o Papa celebrou 87 anos, lembrou que os habitantes da Terra Santa vão ter um “Natal de dor, de luto” e publicou a Mensagem para o Dia Mundial da Paz.

 

1. O Papa dedicou a catequese da audiência-geral de quarta-feira, 20 de dezembro, à importância do presépio como “escola de sobriedade”. Há 800 anos, São Francisco de Assis criou um presépio vivo em Greccio, “com a intenção de reproduzir o ambiente onde nasceu Jesus e destacar a humildade do lugar. Daí o presépio ser hoje uma escola da sobriedade para as nossas sociedades consumistas e exaustas”, afirmou. O Santo Padre alertou para o risco de se perder o que importa na vida, sobretudo nestes dias perto do Natal: “Imersos num consumismo que corrói o seu sentido, dominados por uma maré de distrações e de publicidade, corremos o risco de negligenciar o essencial. Ou seja, o frenesim das compras desvia a beleza do Natal”.

O presépio foi criado para nos recordar que “Deus vem morar entre nós e que há relações essenciais, como a família, presente em Jesus, José e Maria, e os entes queridos, representados pelos pastores”, disse o Papa. “Portanto, é bom ficar diante do presépio para reorganizar a vida e voltar ao essencial. É como entrar num oásis para escapar da agitação diária, para encontrar a paz na oração e no silêncio, numa ternura impoluta”, acrescentou.

Francisco alertou para “o risco de indigestão” que tantas crianças e jovens correm ao consumirem imagens virtuais e violentas, quando no presépio podem “encontrar genuinidade e criatividade”. É bom “tocar com as próprias mãos a proximidade de Jesus, a ternura de Deus, que não nos deixa sós e nos consola”. O Santo Padre comparou o presépio a “um pequeno poço do qual se pode tirar a proximidade de Deus, fonte de esperança e de alegria. É como um Evangelho vivo, um Evangelho doméstico”.

Por fim, o Papa sublinhou que “Deus deitado numa manjedoura é a mais forte mensagem de Paz para a vida de cada um de nós e para o mundo de hoje”. Neste contexto, pediu orações ao Príncipe de paz pelos países em guerra, sobretudo na Ucrânia e na Terra Santa.

 

2. ‘Fiducia supplicans’ é uma declaração publicada esta segunda-feira, 18 de dezembro, pelo Dicastério para Doutrina da Fé e aprovada pelo Papa, que permite abençoar uniões de pessoas do mesmo sexo e casais em situação irregular. Esclarece, no entanto, que “a doutrina sobre o matrimónio não se altera e a bênção não significa aprovação da união”. O documento surge na sequência de insistentes pedidos de esclarecimento, enviados ao Vaticano, “baseados na visão pastoral do Papa Francisco” e recorda que é preciso distinguir “as bênçãos rituais e litúrgicas das bênçãos espontâneas e gestos de devoção popular”. Ou seja, não se admite qualquer tipo de rito ou bênção semelhantes aos litúrgicos, “que possam criar confusão”, lê-se na declaração.

O principal objetivo deste documento é fornecer indicações pastorais e abrir a possibilidade de se abençoar casais em situação irregular, incluindo do mesmo sexo, “sem no entanto validar oficialmente o seu ‘status’ , nem alterar, de forma nenhuma, o perene ensinamento da Igreja sobre o matrimónio”.

 

3. O Papa Francisco celebrou 87 anos no passado Domingo, 17 de dezembro, mas quis que o foco estivesse no Natal e no nascimento de Jesus. Francisco passou algum tempo com famílias e crianças do Dispensário Santa Marta e recebeu um bolo de aniversário. Depois de lhe cantarem os parabéns, o Santo Padre apelou a que todos os cristãos “se preparem para a grande festa do Natal, para a próxima semana”. “É quando recordamos que Jesus veio até nós. Ele veio para estar connosco”, disse. O Papa pediu às crianças para imaginar o presente de Natal que queriam de Jesus e desejou uma boa quadra festiva a todos. “Mantenham esses sorrisos e que o Senhor vos dê tudo o que desejem”.

Neste dia, o Papa reiterou, de manhã, a sua preocupação pelo aumento das vítimas da guerra e das migrações ilegais, pedindo um redobrado esforço de todos para se pôr fim a estas crescentes tragédias. “Que a proximidade do Natal reforce o empenho para abrir estradas de paz”, pediu Francisco, durante o Angelus.

 

4. O Papa Francisco recebeu cerca de 2500 figurantes do Presépio Vivo da Basílica de Santa Maria Maior, uma das quatro maiores em Roma, apelando para que se lembrem dos habitantes da Terra Santa “que tanto sofrem”. “Sabemos qual é a situação, por causa da guerra, consequência de um conflito que dura há décadas. Por isso, o vosso desempenho deve ser vivido em solidariedade com estes irmãos e irmãs que tanto sofrem. Para eles, este promete ser um Natal de dor, de luto, sem peregrinos, sem celebrações. Não queremos deixá-los sozinhos”, afirmou Francisco, durante a audiência que decorreu no sábado, 16 de dezembro, na Sala Paulo VI, no Vaticano. “Neste Natal, pensemos na Terra Santa”, desejou.

 

5. Na Mensagem para o Dia Mundial da Paz, que dedicou à Inteligência Artificial, o Papa alertou para que as rápidas transformações em curso não prejudiquem a salvaguarda dos direitos humanos fundamentais. Francisco pede que respeitem as instituições e as leis que promovem o progresso humano integral e sirvam a causa da fraternidade humana e da paz. O Santo Padre diz estar consciente dos desafios que se colocam, não apenas de ordem técnica, mas também antropológica, educacional, social e política. “No início do novo ano, a minha oração é que o rápido desenvolvimento de formas de inteligência artificial (IA) não aumente as já demasiadas desigualdades e injustiças presentes no mundo, mas contribua para pôr fim às guerras e conflitos e para aliviar muitas formas de sofrimento que afligem a família humana”, escreveu o Papa.

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