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Directora da Fundação AIS relata viagem a Damasco e Homs, na Síria
“Vim impressionada com a miséria”
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Catarina Martins de Bettencourt esteve recentemente na Síria, numa viagem de trabalho com outros directores da Fundação AIS. Uma viagem a Damasco e Homs para ver como estão a decorrer no terreno os projectos de apoio à comunidade cristã que vive em quase calamidade após mais de 12 anos de guerra. A Campanha de Natal da Fundação AIS, aqui em Portugal, procura dar resposta a essa urgência humanitária…

 

Foram três dias muito intensos de uma viagem que levou a delegação de directores da Fundação AIS até duas das principais cidades sírias, Damasco, a capital do país, e Homs. Em ambas as localidades, visitaram paróquias, congregações religiosas, estiveram em casa de famílias cristãs, escutaram o lamento das populações, viram que a fome é mesmo uma realidade e que a Síria se tem vindo a desfigurar, ano após ano, por causa da guerra que começou há mais de uma década, e também em consequência das sanções económicas impostas ao regime de Bashar al-Assad. Tudo isso está a sufocar o povo, a conduzi-lo para a miséria. Uma realidade que comoveu Catarina Bettencourt. “Fiquei impressionada com o que vi. A Síria é um país destruído. A população vive numa situação de desespero absoluto face à crise económica, à pobreza extrema. Os jovens, por exemplo, quase todos os jovens com quem eu me encontrei e com quem falei, dizem que querem sair do país. Já os adultos, principalmente os mais idosos, estão como que resignados e esperam que, de alguma forma, as coisas melhorem. Mas parece muito difícil.”

 

Famílias na miséria

Parece muito difícil sair-se desta espiral de pobreza num país que ficou em grande parte destruído pela guerra. Hoje, falta quase tudo em todo o lado. Por isso, a Fundação AIS lançou neste Natal uma grande Campanha de solidariedade para com os Cristãos da Síria. Não se trata apenas da sobrevivência de pessoas. É mesmo a permanência da comunidade cristã que está em causa nesta terra onde se deu a conversão de São Paulo, quando o apóstolo ia a caminho de Damasco. Foi precisamente em Damasco, a capital da Síria, que a equipa de directores da Fundação AIS – Catarina Martins de Bettencourt foi acompanhada nesta viagem pelos colegas do Reino Unido, Austrália, França e Chile – se encontrou com um casal de professores que representa, de alguma forma, a ruína deste país. “Conheci, por exemplo, um casal em Damasco, ambos professores, com quatro filhas. Ganham, cada um, o equivalente a 20 dólares por mês. Não têm já dinheiro que chegue para a comida. É a Igreja que os auxilia. As filhas têm de ir estudar para a paróquia, onde existe um gerador e por isso tem electricidade. A Igreja é o grande suporte das famílias. A Igreja está a ajudar as pessoas a sobreviverem no dia-a-dia.”

 

“Não se esqueçam da Síria…”

As filhas deste casal de professores vão para a igreja pois aí ainda têm electricidade para poderem estudar. Em casa, já não há. Falta a luz eléctrica em grande parte das horas dos dias, quase todos os dias da semana em praticamente todo o lado. Assim, os frigoríficos deixaram de ter uso. E estão vazios, como um símbolo da miséria na Síria. Falta a luz, falta muitas vezes a água corrente, falta o dinheiro para o combustível, falta quase tudo. Mas como se sobrevive nestas condições? A resposta vem da solidariedade da Igreja. “Foi a falar com estas pessoas, com todas as pessoas com quem me cruzei, que percebi que, de facto, a ajuda da Fundação AIS faz a diferença. As pessoas olham para nós e pedem-nos que não nos esqueçamos da Síria. Pedem-nos orações, pedem-nos que ajudemos a sensibilizar o mundo para a reversão das sanções económicas. Pedem-nos para continuarmos a ajudar…”

 

Uma ajuda preciosa

Continuar a ajudar é o que faz a Fundação AIS e foi para agilizar todas as iniciativas em andamento no país que este punhado de directores viajou até à Síria. Há muitos projectos. São as “refeições solidárias” em Damasco, para cerca de 2 mil famílias; é a clínica de apoio psicossocial, também na capital síria, onde são acompanhados cerca de 630 utentes; é um infantário para 250 crianças em Dwella; e é também, por exemplo, entre muitos outros projectos, a já emblemática campanha “uma gota de leite”, que faz toda a diferença em Alepo e Homs. “Esta tem sido uma campanha absolutamente fundamental”, sublinha a responsável. “É preciso dizer que 1 litro de leite custa sensivelmente o salário médio de um funcionário público”, explica ainda Catarina Bettencourt. Por ser fundamental, esta campanha vai ser alargada também a Damasco. A directora da AIS encontrou-se nesta viagem com a Irmã Annie Demerjian, bem conhecida já dos portugueses. Ela fez também um retrato sombrio da situação. “As pessoas estão a passar fome. É desumano o que estão a passar”, disse-me a nossa querida Irmã Annie. “Neste momento, muitos cristãos estão a vender os seus bens, os que ainda têm alguma coisa com algum valor, para tentarem sair do país. É preciso mesmo apoiar os que querem ficar na Síria, para que a comunidade cristã simplesmente não desapareça”, conclui Catarina Bettencourt. A Campanha de Natal da Ajuda à Igreja que Sofre pode fazer toda a diferença. Está nas nossas mãos fazer essa diferença…

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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