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Roma
“Pensemos e rezemos pelos povos que sofrem a guerra”
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De semblante triste, o Papa Francisco pediu para não se esquecer a “martirizada Ucrânia” e os “povos palestiniano e israelita”. Na semana em que se encontrou com mais de sete mil crianças de 84 países, o Papa deixou um novo apelo ao cessar-fogo, celebrou Missas de sufrágio e defendeu “dois povos, dois estados” para o Médio Oriente.

 

1. “Sofre-se muito”, lamentou o Papa, no final da audiência-geral de quarta-feira, 8 de novembro. “Pensemos e rezemos pelos povos que sofrem a guerra. Não esquecemos a martirizada Ucrânia e pensamos nos povos palestiniano e israelita”, afirmou, com semblante triste. “Que o Senhor nos conduza a uma paz justa”, invocou Francisco. “Sofre-se muito. Sofrem as crianças, sofrem os doentes, os idosos e morrem tantos jovens”, acrescentou. O Papa baixou depois a cabeça, por uns instantes, e voltou a insistir: “A guerra é sempre uma derrota, não o esqueçamos, é sempre uma derrota”.

 

2. O Papa foi recebido em festa na Sala Paulo VI, no Vaticano, onde o aguardavam mais de sete mil crianças, em representação de 84 países do mundo, convocadas para ali partilharem as suas “esperanças e preocupações com o futuro”. Recuperado da indisposição matinal, a 6 de novembro, Francisco chegou visivelmente animado, e embora tenha encurtado o discurso em relação ao que estava previsto, não deixou de sublinhar o que considera essencial: dizer aos jovens que “a vida é um dom maravilhoso”, “bela na sua simplicidade”, e que “é bom estarmos juntos”, sem esquecer os que não puderam participar e estão a sofrer por causa da guerra, dos desastres climáticos e da pobreza.

No encontro, várias crianças, representando países de diferentes continentes, puderam colocar questões ao Papa. Uma delas, da Ucrânia, perguntou: ‘Como se faz a paz?’. “Não é fácil”, respondeu Francisco, considerando que é menos difícil dizer como se faz a guerra, porque essa faz-se “com ódio e vingança”. E lançou um desafio: “Querem fazer a paz? Façamos um gesto todos juntos: com a mão da amizade estendida – assim se faz a paz, saudando os amigos e recebendo todos em casa. A paz faz-se com o coração e com a mão estendida”, repetiu. “Temos de trabalhar pela paz”, no Médio Oriente e em todas as outras guerras que há no mundo, respondeu noutro momento, depois de uma menina da Palestina ter perguntado se “a paz já não volta?”. Outra criança, da Síria, quis saber “porque é que matam crianças durante a guerra, e ninguém as defende”, e Francisco não escondeu a consternação. “Ouvi nas notícias quantas crianças têm sido mortas… são inocentes! Porque atingem as crianças na guerra? É uma crueldade. A guerra é sempre cruel”, lamentou, pedindo de seguida a todos que fizessem “um pouco de silêncio” e pensassem nessas outras “crianças atingidas”, porque “é uma injustiça”.

O evento ‘Crianças encontram-se com o Papa’ foi organizado em conjunto pela Comunidade de Santo Egídio e por instituições ligadas à família Franciscana, com o patrocínio do Dicastério para a Cultura e Educação, presidido por D. José Tolentino Mendonça. Na abertura, o cardeal português agradeceu a presença de tantas crianças, muitas de regiões atingidas por conflitos. “A vossa alegria, os vossos sonhos, a vossa presença aqui são potentes antídotos contra estes males”, sublinhou.

 

3. “Continuo a acompanhar a grave situação na Palestina e em Israel, onde tantas pessoas perderam a vida. Peço-vos, por favor, que parem em nome de Deus. Cessem o fogo!”, implorou o Papa, na manhã de Domingo, 5 de novembro, no final do Angelus. “Espero que se percorram todas as vias para que se evite, absolutamente, uma escalada do conflito, que os feridos possam ser socorridos, que a ajuda chegue à população de Gaza onde a situação humanitária é gravíssima”, afirmou.

O Santo Padre pediu ainda que se libertem imediatamente os reféns e lembrou que, entre eles, há muitas crianças. “Que elas possam regressar às suas famílias. Sim, pensemos nas crianças, em todas as crianças envolvidas nesta guerra, tal como na Ucrânia e noutros conflitos”, disse, com preocupação. “É assim que se está a matar o futuro delas. Rezemos para que haja força para dizer basta!”, pediu, na Praça de São Pedro.

Ainda neste dia, o Papa telefonou ao presidente do Irão, Ebrahim Raisi, noticia o Vatican News. O telefonema aconteceu numa altura em que os ataques de Israel a Gaza se intensificam e os mortos do lado palestiniano já são quase 10 mil.

 

4. Na Missa de sufrágio por Bento XVI e por todos os cardeais e bispos falecidos no último ano, o Papa sublinhou o valor da humildade, elogiando a primeira Encíclica do seu antecessor. Ao refletir sobre o Evangelho, Francisco recordou que os preferidos de Deus são os humildes, “aqueles que, colocando toda a esperança no Senhor e não em si mesmos, transferiram o centro da sua vida para Deus: contam, não sobre as suas próprias forças, mas sobre o Senhor que cuida deles”, salienbtou, na homilia da celebração , na Basílica de São Pedro, a 3 de novembro.

Na véspera, Francisco celebrou Missa de defuntos, num cemitério militar, em Roma. “Tantas lágrimas por estas vidas interrompidas”, disse o Papa. “Não posso deixar de pensar nas guerras de hoje onde acontece o mesmo. Tantas pessoas jovens e não jovens perdem a vida nas guerras do mundo, também nas que estão perto de nós, na Europa. Quantos mortos. Destrói-se a vida, sem se ter consciência disto”, lamentou.

 

5. O Papa Francisco defendeu, numa entrevista à televisão pública italiana (RAI), que só uma solução de dois estados pode levar à paz entre Israel e a Palestina. “Toda a guerra é uma derrota, eu senti que foi uma derrota. São dois povos que devem viver juntos, com essa solução sábia: dois povos, dois estados. É o acordo de Oslo: dois estados muito limitados e Jerusalém com um estatuto especial”, referiu.

Nesta entrevista, o Papa anunciou ainda que vai à COP28 no Dubai, no início de dezembro.

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