Catequese |
A espiritualidade do catequista
O encontro com Jesus Cristo
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Depois de termos refletido sobre a identidade vocacional do catequista, mergulhamos agora na centralidade do encontro com Cristo.

Chamamento e encontro traduzem dois movimentos inerentes à dinâmica de descoberta da pessoa de Jesus Cristo. No evangelho de João esta relação aparece expressa na busca dos discípulos e no sucedâneo convite à descoberta feito por Jesus. À pergunta dos discípulos «Mestre, onde moras?», segue-se a resposta: «Vinde e vede» (cf. Jo 1, 38). Duas convicções de base permeiam a nossa reflexão. A primeira baseia-se na certeza de que o Senhor se deixa encontrar e quer encontrar-se connosco. O conhecido teólogo TomᨠHalík fundamenta esta convicção apontando para o modo desconcertante e discreto com que Deus se deu a conhecer no advento do seu Filho: «Se o mistério da Encarnação prossegue na história do Cristianismo, então devemos estar preparados para que Cristo continue a entrar criativamente no corpo da nossa História, em diferentes culturas – e a entrar muitas vezes com a mesma descrição e anonimato com que entrara outrora num estábulo em Belém» (A tarde do cristianismo, p. 298). A segunda convicção baseia-se na irrenunciável centralidade e importância do encontro com Jesus Cristo para a autenticidade da vida cristã. Como atesta o Papa Francisco, «não é a mesma coisa ter conhecido Jesus ou não O conhecer; não é a mesma coisa poder escutá-l’O ou ignorar a sua Palavra; não é a mesma coisa poder contemplá-l’O, adorá-l’O, descansar n’Ele ou não o poder fazer» (Evangelli gaudium, n. 266). O encontro com Jesus Cristo constitui o elemento aglutinador de toda a vida, o centro a partir do qual tudo de compreende, o segredo da credibilidade da existência, a força dinamizadora do apostolado. Também o Papa Bento XVI afirmou esta convicção ao escrever que: «Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo.» (Deus caritas est, n. 1)

Tomando como ponto de ancoragem estas duas convicções, compreende-se que a catequese tenha como principal missão proporcionar o encontro com Jesus Cristo, e n’Ele com o Pai e o Espírito Santo e com os irmãos. Nas palavras de São João Paulo II «a finalidade definitiva da catequese é a de fazer com que alguém se ponha, não apenas em contacto, mas em comunhão, em intimidade com Jesus Cristo» (Catechesi Tradendae, n. 5).

Os catequistas são, por excelência, os primeiros destinatários desta mensagem. A vida e missão de um catequista depende, em grande medida, da qualidade do seu encontro pessoal com Cristo. Existe, de facto, uma correlação entre a dimensão missionária da vivência do serviço da catequese e o encontro com Cristo. A alegria da missão e o zelo apostólico nascem e nutrem-se do encontro com a pessoa de Jesus Cristo. Por outro lado, o cansaço que gera azedume e desmotivação, normalmente brota de uma vida não alicerçada na relação com Deus. O entusiasmo pela evangelização, escreve o Papa Francisco, funda-se na certeza que em Jesus «temos à disposição um tesouro de vida e de amor que não pode enganar» (Evangelli gaudium, n. 265). Esta certeza baseia-se e sustenta-se na «experiência pessoal, constantemente renovada, de saborear a amizade [de Cristo] e a sua mensagem» (Evangelli gaudium, n. 266). O encontro com Cristo torna-se, assim, o critério decisivo para o discernimento de uma autêntica vocação apostólica: «O verdadeiro missionário, que não deixa jamais de ser discípulo, sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa missionária. Se uma pessoa não O descobre presente no coração mesmo da entrega missionária, depressa perde o entusiasmo e deixa de estar segura do que transmite, faltam-lhe força e paixão. E uma pessoa que não está convencida, entusiasmada, segura, enamorada, não convence ninguém.» (Evangelli gaudium, n. 266).

 

Depois destas considerações, subjaz a questão relativa aos meios e formas de o catequista poder saborear a amizade com Cristo. Os nossos bispos, na Carta Catequese, a alegria do encontro com Jesus Cristo, referem-se a quatro lugares de encontro: a Igreja, a palavra da Escritura, a Eucaristia e a vivência da caridade (cf. nn. 13-23). Inspirados neste elenco sugerimos algumas pistas para que os catequistas possam viver estes lugares de encontro:

a) A Igreja. Se bem que o encontro com Cristo seja único e pessoal, ele não se faz à margem da Igreja, mas sempre dentro dela e para ela e, por isso, para o mundo. Para descobrir a Igreja como lugar de encontro com Cristo é essencial:

Amar a Igreja e a sua missão, conhecendo os fundamentos teológicos e pastorais da eclesiologia católica;

Professar a fé na Igreja, una, santa, católica e apostólica;

Estar integrado na vida de uma comunidade, contribuindo para o seu crescimento;

Viver em comunhão com os irmãos, promovendo a fraternidade cristã;

 

b) A palavra da Escritura. A palavra de Deus é lugar de encontro com Cristo, pois nela Deus fala a cada pessoa como um amigo conversa com outro amigo (cf. DV 2). Para descobrir a palavra da Escritura como lugar de encontro é fundamental:

Estudar as sagradas Escrituras, compreendendo o seu sentido literal e o modo de as interpretar;

Formar-se na prática de análise textual;

Praticar individual e comunitariamente a Lectio divina;

Experimentar formas credíveis de anúncio da palavra de Deus;

 

c) A Eucaristia e os sacramentos, assim como toda a liturgia, são os lugares de excelência do encontro com Cristo. Para que isto possa acontecer na vida do catequista, este é chamado:

A conhecer, a amar e a celebrar a liturgia da Igreja na senda da reforma do Concílio Vaticano II;

A adquirir uma formação litúrgica sólida, descobrindo o sentido dos ritos e da espiritualidade litúrgica;

A celebrar os sacramentos regularmente e a rezar a Liturgia das Horas aurindo daí a força para a missão;

A saber preparar uma celebração litúrgica ou para-litúrgica no contexto da catequese; 

 

d) A caridade é sempre expressão da mesma paixão de Cristo por cada ser humano. O catequista encontra-se com Cristo quando:

- Descobre que o amor pelos outros favorece o encontro com Cristo;

Se dedica à prática da caridade e do serviço e é capaz de iniciar outros;

Faz tudo o que está ao seu alcance para dignificar a pessoa humana;

Contribui com o seu trabalho e testemunho para a edificação de uma sociedade mais justa e fraterna;

texto pelo Pe. Tiago Neto, diretor do Setor da Catequese de Lisboa; foto Educris
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