Lisboa |
Encontro Diocesano de Acólitos, em Peniche
“Acólitos têm que ser coerentes com a sua identidade”
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O Patriarca de Lisboa encontrou-se, pela primeira vez, com os acólitos da diocese, deixando um convite “à coerência”. D. Rui Valério esteve no Encontro Diocesano de Acólitos (EDA), em Peniche, que reuniu 150 acólitos, que tiveram uma manhã formativa e uma tarde cultural e celebrativa. Serviço diocesano quer chegar a mais paróquias.

 

No seu primeiro EDA enquanto Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério lembrou palavras do padre António Vieira – “para quem a coerência é a sabedoria de incluir o púlpito na vida de todos os dias”, segundo citou – para convidar “à coerência com aquilo que é a nossa fé”. “O que ele quer significar é que a coerência, a pessoa coerente, é aquela que, tendo escutado palavras maravilhosas de Deus, dia após dia, seja na família, seja na escola, seja no trabalho, seja com os amigos, onde quer que estejamos, tem que pôr em prática essa palavra. Mas os acólitos e os cristãos têm de ser coerentes com algo mais. Nós temos que viver em coerência com aquilo que é a nossa fé”, observou.

Na Igreja de São Pedro, em Peniche, na tarde de dia 4 de novembro, o Patriarca sublinhou que “a coerência” é mesmo “uma missão, uma exigência acrescida”. “O acólito tem que ser coerente com a sua identidade. O acólito tem de ser coerente quando está na Missa, vestido com a alva e o cíngulo, mas tem de o ser também sempre e em todo lado. Todos nós somos convidados a ser coerentes, para estarmos em sintonia com a Palavra de Deus”, alertou. Neste sentido, o “grande sujeito”, o “grande protagonista”, a “grande força” da coerência para os cristãos é “o Divino Espírito Santo”. “Quem me permite, a mim, ser coerente todos os dias com a promessa que fiz no dia da minha ordenação é o Divino Espírito Santo. Também para vós, acólitos, Aquele que vos proporciona essa grandeza de viver em fidelidade com o que escutais na Eucaristia, com o que meditais na Palavra de Deus, com o que participais de belo e misterioso no altar e com aquilo que é a vossa promessa, a vossa condição, a vossa identidade de acólito é, sem dúvida, o Divino Espírito Santo. Ele que é sopro, Ele que é fogo, mas sobretudo Ele é a força de Deus. É a união de comunhão entre nós, o Pai e Jesus Cristo”, terminou o Patriarca de Lisboa.

 

Descobrir a vocação

No final da Eucaristia, o diretor do Serviço Diocesano de Acólitos, que organizou o EDA 2023, deixou uma palavra de saudação ao Patriarca de Lisboa. “Sentimo-nos verdadeiramente felizes por ter o nosso novo Pastor connosco”, frisou o padre Pedro Tavares, sublinhando como, através do acolitado, são muitos os que descobrem a “sua vocação”. “É profundamente consolador reconhecer que existem tantos acólitos que através do exercício deste ministério continuam a descobrir a sua vocação: seja para a vida sacerdotal, para a vida religiosa e até para a vida matrimonial. Acólitos que, dispostos à escuta da Palavra e à comunhão do Corpo e Sangue de Cristo, se fazem igualmente sacrifício agradável ao Pai, porque tocaram a centralidade da celebração cristã”, salientou este responsável, dirigindo-se de forma particular a D. Rui Valério.

 

Mais acólitos

O EDA 2023 reuniu 150 acólitos, vindos de “cerca de 30 paróquias da diocese”, e, ao Jornal VOZ DA VERDADE, a organização faz “um balanço positivo” do encontro. “Quando o EDA se realiza no Oeste, os números decrescem um bocadinho. Ainda assim, ficámos contentes e fazemos uma avaliação positiva”, frisa o padre Pedro Tavares. Este responsável salienta que, “todos os anos”, procuram “fazer um encontro diferente”. “O ano passado foi mais lúdico, com jogos, este ano fizemos um encontro mais formativo e cultural. Essa será sempre uma grande dificuldade destes encontros, porque estamos a falar de acólitos dos 6 aos 70 anos e são públicos muito díspares entre si. Nem sempre é fácil darmos algo que agrade a todos, mas podermos ter um encontro onde se juntam 150 acólitos e, no momento do final, que é sempre a Eucaristia, vê-los, de alva vestida, a celebrar um único mistério e o mesmo mistério, é sempre comovedor”, considera.

No próximo ano pastoral, o EDA 2024 vai decorrer “na zona de Lisboa”, no “último sábado de outubro ou no primeiro sábado de novembro”, “não estando ainda escolhida a paróquia” que vai receber os acólitos da diocese. “O nosso trabalho, a nossa ação, tem que ser chegar às paróquias. Não nos queremos sobrepor à vida paroquial, mas ajudar o Bispo a chegar aos seus acólitos e estimular o acolitado nas paróquias. Queremos somente criar uma rede de acólitos, reunir os acólitos, independentemente das tradições e das sensibilidades, porque é isso que torna o acolitado mais rico”, deseja o diretor do Serviço Diocesano de Acólitos.

 

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“Quando perguntamos a Jesus o que deseja de cada um de nós, Ele só tem uma resposta: ‘Quero que tu sejas santo’. Para quem é acólita, para quem é acólito, a santidade é uma palavra que deve estar sempre presente. Seria muito mal se os acólitos só se lembrassem da palavra santidade, de ser santo, quando estão na Missa ou na catequese. Ser santo é ser amigo de Jesus, e um amigo é para todas as horas, para sempre.”

D. Rui Valério, no início da celebração

 

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“Três ateliês para faixas etárias diferenciadas”

Após a oração da manhã, na Igreja da Misericórdia de Peniche, os acólitos foram divididos “em três ateliês”, destinados a “faixas etárias diferenciadas”. “Para os mais novos, andámos à volta dos paramentos, das alfaias litúrgicas; para os adolescentes, falámos da nova edição do Missal, que eles puderam folhear; e para os mais velhos, ou seja, os jovens/adultos, foi algo mais ‘puxado’ e apresentámos a Carta Apostólica ‘Desiderio desideravi’, sobre a formação do povo de Deus, que o Papa Francisco escreveu no ano passado, e contámos com a ajuda do padre Ganhão”, resume o diretor do Serviço Diocesano de Acólitos, padre Pedro Tavares.

 

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‘O Nazareno’ | Após o almoço, os acólitos da diocese assistiram à peça de teatro ‘O Nazareno’. “Em cada EDA procuramos oferecer algo que a paróquia tem para dar. O grupo de teatro ‘O Nazareno’ há 25 anos que leva a palco o musical de Frei Hermano da Câmara – eu também já fiz parte desse grupo, tal como dois membros do serviço diocesano – e achámos que seria interessante e diferente, porque nunca tínhamos apresentado uma coisa destas. Foi uma peça teatral e musical que, de alguma forma, antecipou o que íamos celebrar a seguir, a Eucaristia”, explica o diretor do Serviço Diocesano de Acólitos, padre Pedro Tavares.

 

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“Estar juntos com os acólitos da nossa diocese”

Mariana Rodrigues, de 25 anos, é a responsável do grupo de acólitos da paróquia de Peniche há cinco, seis anos, e garante ter sido “muito significativo” receber o Encontro Diocesano de Acólitos. “É muito importante e muito bonito receber cá o encontro, porque estamos também quase celebrar a nossa festa de aniversário, no dia de Cristo Rei, e começarmos o mês de novembro, das comemorações, com o EDA, é muito bonito. Além disso, tivemos cá o nosso Patriarca, que já cá tinha estado no encontro dos Círios e agora voltou, e é muito bom para nós”, refere esta jovem, ao Jornal VOZ DA VERDADE. Acólita desde 2006, quando tinha 9 anos e fez a Primeira Comunhão, Mariana não esconde que o dia do EDA foi “atarefado”. “Nós, grupo de Peniche, tentámos que tudo corresse da melhor maneira, porque gostamos sempre de acolher bem quem recebemos. Independentemente de algumas agitações, foi um dia bom, a chuva ajudou-nos agora da parte da tarde, mas foi um dia bom para estarmos todos juntos com os acólitos da nossa diocese, porque não temos assim tantas oportunidades para isso”, salienta. “Foi um dia cheio”, acrescenta.

O grupo de acólitos de Peniche tem “sensivelmente 40 a 50 elementos”, de “todas as idades”, desde “os 6 anos até aos 70 e muitos”. Questionada sobre a caminhada cristã que procuram imprimir no grupo, esta responsável explica como querem estar “presentes”. “Procuramos que não seja só o ir à Missa, ao nosso serviço do altar, mas estarmos presentes. Por norma, todos os fins-de-semana temos reuniões, aos sábados, em que trabalhamos coisas com os mais pequenos. Organizamos também algumas atividades, como a Via-Sacra a Fátima, o tempo ‘Aventura’, que é um retiro para os mais pequenos, e agora, antes da festa do nosso aniversário, vamos ter um retiro para os mais velhos. No fundo, tentamos que, ao longo do ano, haja algumas atividades para também refletirmos o que é isto de ser acólito e darmos acompanhamento espiritual”, responde Mariana Rodrigues.

Passados três meses da JMJ Lisboa 2023, esta jovem recorda a “semana muito cheia, muito cheia da alegria de ser cristão”, e destaca o trabalho do ‘seu’ grupo. “Os nossos acólitos estiveram envolvidos de outras formas que não a nível do acolitado. Lá está, ao serviço, porque o serviço do altar depois também se expressa no serviço do dia a dia. Na semana da Jornada, nós, acólitos, também mostrámos isso, que estamos ao serviço onde for preciso”, assinala a responsável do grupo de acólitos de Peniche, que não esquece “o silêncio” da vigília de oração, no Campo da Graça: “Quando penso na Jornada, aquilo que me vem mais rápido ao coração, e que me marcou muito, foi a vigília de oração, aquele silêncio. Um silêncio de milhares de pessoas, de um milhão e meio de pessoas, que incomodou, no bom sentido. Foi muito marcante e é uma coisa que trago muito, esse silêncio marcante”.

 

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Fotografias do Encontro Diocesano de Acólitos 2023, em Peniche

Encontro Diocesano de Acólitos 2023

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos pelo Serviço Diocesano de Acólitos e DPB
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