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Roma
“Que ninguém desista da possibilidade de parar as armas e de cessar fogo”
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Numa veemente intervenção no final do Angelus, o Papa voltou a referir que “a guerra é sempre uma derrota”. Francisco rezou o terço pela paz, na semana em que foi noticiado que poderá receber familiares dos reféns do Hamas e que falou com o presidente turco ao telefone. Foi publicada a intenção de oração para novembro.

 

1. O Papa Francisco voltou a condenar a guerra na Faixa de Gaza e pediu “que se abram espaços para garantir ajuda humanitária [aos palestinianos] e que os reféns [do Hamas] sejam libertados imediatamente”. Numa veemente intervenção no final do Angelus, na Praça de São Pedro, no passado Domingo, 29 de outubro, o Santo Padre pediu também “que ninguém desista da possibilidade de parar as armas e de cessar fogo”. Citando o padre Ibrahim Faltas, vigário da Terra Santa que, numa entrevista recente, implorou “cessem o fogo, cessem o fogo”, Francisco associou-se ao apelo. “Também nós, com o padre Ibrahim, dizemos: cessem o fogo! Parem, irmãos e irmãs! A guerra é sempre uma derrota! Sempre, sempre!”.

O Papa aproveitou ainda para agradecer aos que, em todo o mundo, se uniram a ele, na passada sexta-feira, dia 27, aderindo à jornada de oração e penitência pela paz. “Não desistamos; continuemos a rezar pela Ucrânia e pela grave situação na Palestina e em Israel e por todas as regiões onde há guerra!”, pediu Francisco.

 

2. O Papa rezou o terço, na Basílica de São Pedro, e no final pediu ajuda à “Rainha da Paz” para que interceda “pelo nosso mundo em perigo e em tumulto”. “Nesta hora escura, colocamo-nos sob os vossos olhos luminosos e confiamo-nos ao vosso coração, sensível aos nossos problemas”, afirmou Francisco, durante a jornada de oração e penitência pela paz, na tarde de dia 27 de outubro, diante de uma Imagem da Virgem. “Vós, Rainha da Paz, sofreis connosco e por nós, ao ver muitos dos vossos filhos provados pelos conflitos, angustiados com as guerras que dilaceram o mundo”.

O Santo Padre recordou que, por diversas vezes, Maria vem pedir “oração e penitência”, mas lamenta que “nós, ocupados com as nossas necessidades e distraídos com tantos interesses mundanos, temos permanecido surdos aos vossos convites”. No entanto, certo do amor de Nossa Senhora, Francisco pediu que todos reconheçam a urgência de “rezar e adorar, interceder e reparar por todo o género humano”.

Neste momento de oração e penitência pelo fim da guerra, convocado pelo Papa e dirigido aos fiéis do mundo para interceder pelo fim da guerra, Francisco implorou misericórdia, à Mãe da misericórdia e paz, à Rainha da Paz: “Movei o íntimo de quem está preso no ódio, convertei quem alimenta e excita conflitos. Enxugai as lágrimas das crianças, assisti os idosos que estão sozinhos, amparai os feridos e os doentes, protegei quem teve de deixar a sua terra e os afetos mais queridos, consolai os desanimados, despertai a esperança”.

Francisco consagrou, uma vez mais, a humanidade ao Coração Imaculado de Maria, “especialmente os países e as regiões em guerra”, e acrescentou: “Vós, aurora da salvação, abri frestas de luz na noite dos conflitos. Vós, morada do Espírito Santo, inspirai caminhos de paz aos responsáveis das nações. Vós, Senhora de todos os povos, reconciliai os vossos filhos, seduzidos pelo mal, cegos pelo poder e pelo ódio”.

 

3. O Papa Francisco poderá encontrar algumas famílias de reféns detidos pelo Hamas. A informação foi avançada, dia 27 de outubro, pelo Secretário de Estado do Vaticano, à margem de um evento na Câmara Municipal de Roma. Interrogado pelos jornalistas sobre se o Santo Padre receberia os familiares de alguns reféns que, neste momento, se encontram em Roma, o cardeal Pietro Parolin respondeu: “Estamos a considerar isso, vimos que eles foram recebidos pelas autoridades italianas, mas ainda não tomámos uma decisão. Penso que o faremos até ao final do dia de hoje”.

Sobre o conflito na Terra Santa, o cardeal italiano deseja que não se verifique uma escalada. “Está tudo relacionado com a libertação dos reféns, mas se se conseguir resolver a questão da libertação, seria menos urgente uma ação terrestre”, considerou. Interrogado sobre se houve reações à oferta de mediação do conflito por parte da Santa Sé, o Secretário de Estado do Vaticano considerou que, “neste momento, não parecem existir grandes espaços, mas existe a presença ´in loco´ da Igreja, através do Patriarcado latino de Jerusalém, e creio que mais depressa poderá haver alguma troca de mensagens por esta via do que por via oficial”.

 

4. O Vaticano confirmou que houve uma conversa entre o Papa e o presidente da Turquia. A iniciativa da conversa partiu de Tyyip Erdogan e centrou-se “na dramática situação na Terra Santa”. De acordo com a nota da Santa Sé, no dia 26, “o Papa expressou a sua dor pelo que está a acontecer e recordou a posição da Santa Sé, desejando que se possa alcançar a solução de dois Estados e um estatuto especial para cidade de Jerusalém”.

 

5. O Papa convidou os católicos de todo o mundo a rezar por si, na intenção de oração para o mês de novembro, divulgada através de um vídeo nas redes sociais e plataformas digitais. “Peçam ao Senhor que me abençoe. A vossa oração dá-me força e ajuda-me a discernir e acompanhar a Igreja na escuta do Espírito Santo”, refere Francisco, em mais uma edição de ‘O Vídeo do Papa’.

Eleito há mais de uma década, Francisco sublinha que neste caminho se “aprende a ser mais caridoso, mais misericordioso e, sobretudo, mais paciente, como o nosso Deus Pai, que é tão paciente”. “Posso imaginar que todos os Papas, no início do seu pontificado, tiveram esse sentimento de medo, de vertigem, de quem sabe que vai ser julgado com dureza. Porque o Senhor, aos bispos, vai pedir contas seriamente”, considera. “Por favor, peço-lhes que julguem com benevolência. E que rezem para que o Papa, seja ele quem for, hoje é a minha vez, receba a ajuda do Espírito Santo, seja dócil a essa ajuda”, pediu.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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