Por uma Igreja sinodal |
Sínodo
A participação na construção de uma Igreja Sinodal
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Caminhar juntos como Povo reunido na unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo (LG 4) constitui a identidade da Igreja como Povo de baptizados que partilham uma igual dignidade e promovem a única missão da Igreja: fazer presente no mundo o Evangelho que é o próprio Jesus Cristo. A identidade eclesial e a consequente missão que lhe está confiada reclamam um dinamismo pastoral marcadamente sinodal que dê resposta aos desafios hodiernos.

A sinodalidade mais do que um conjunto de eventos ou estruturas traduz-se num verdadeiro estilo eclesial que reenvia para a identidade da Igreja, de tal modo, que S. João Crisóstomo afirmou: «Igreja e Sínodo são sinónimos». Por isso, mais do que uma realidade unívoca e unidireccional, traduz-se num estilo eclesial aberto que permite incarnar, em cada tempo e em cada cultura, a mensagem evangélica. O magistério do Papa Francisco evidencia uma verdadeira sinfonia da sinodalidade, apontando dimensões fundamentais que harmonicamente conjugadas apresentam a sinodalidade como o caminho que Deus espera da Igreja do terceiro milénio e como lugar privilegiado e fundamental do agir eclesial: um Povo que caminha em conjunto, numa Igreja que se coloca à escuta de Deus para ouvir com Ele o grito do povo e que escuta esse mesmo povo para entrever nele a vontade de Deus, reconhecendo que a sinodalidade como dimensão constitutiva da Igreja reforça e reafirma as suas notas fundamentais como lugar de comunhão, unidade e catolicidade e manifesta a acção do Espírito Santo que a anima e conduz. 

Fazer sínodo, mais do que uma auto-análise eclesial traduz-se na redescoberta da identidade da Igreja como povo que caminha em conjunto, animada e vivificada pelo Espírito Santo, conduzindo cada homem e cada mulher à redescoberta da fé na sua vivência comunitária. Portanto, a sinodalidade implica uma redescoberta da antropologia da acção eclesial, valorizando todo o Povo de Deus como sujeito dessa mesma acção. Sublinhando que todo o Povo de Deus, na variedade dos seus dons, carismas e ministérios, é o sujeito da acção eclesial, a sinodalidade não desvaloriza nem relativiza o ministério ordenado e a constituição hierárquica da Igreja. Se, por um lado, os elementos fundacionais da sinodalidade apontam e sublinham a igual dignidade de todos os baptizados e a sua consequente corresponsabilidade, por outro lado, é no interior de uma comunidade hierarquicamente estruturada, que se realiza o verdadeiro estilo sinodal: não se verificando nenhuma separação entre a comunidade e os seus pastores, mas distinção de tarefas, na reciprocidade da comunhão e na unidade da missão. 

Uma das notas fundamentais do sínodo que estamos a viver é a participação, que aparece unida a outras duas notas fundamentais: a comunhão e a missão. Construir a Igreja Sinodal implica viver a comunhão e unidade que caracterizam a identidade eclesial e viver a missão evangelizadora tal como Jesus a delineou. A missão não é uma consequência da identidade eclesial, uma vez que a Igreja é por natureza missionária (AG 2). A missão realiza-se na comunhão que reclama a participação de todos, na diversidade de dons, carismas, serviços e ministérios.

A comunhão e a missão correm o risco do abstraccionismo se não se cultiva uma práxis eclesial que envolve a participação de todos. Em primeiro lugar, a participação reclama uma revalorização da igual dignidade de todos os baptizados. Tal como aponta a estrutura da Lumen Gentium, antes de qualquer distinção no interior do Povo de Deus, urge tomar consciência de que a Igreja é mistério de comunhão e unidade e, por isso, Povo de Deus chamado a percorrer os caminhos da história como testemunha da beleza de caminhar juntos, decidir juntos e construir juntos. A igual dignidade de todos os baptizados reafirma a necessidade de pensar a acção da Igreja num dinamismo sinodal, onde cada baptizado se compreende como sujeito activo da acção evangelizadora da Igreja, como verdadeiro «discípulo missionário» (EG 120).

A participação de todos os baptizados, na construção eclesial, torna-se operativa, quando cada um de acordo com a sua vocação e função no interior da Igreja contribui para a edificação e missão eclesial. Esta participação deve tornar-se efectiva na promoção das diversas estruturas de corresponsabilidade e participação, conscientes que mais do que criar estruturas, a sinodalidade impele a gerar processos renovados e renovadores que colocam a Igreja numa permanente conversão pastoral, que a permite habitar o horizonte antropológico contemporâneo, incarnando o Evangelho no aqui e agora do tempo e da história.  

A participação na acção eclesial reclama uma contínua formação para uma nova cultura eclesial e implica os diversos níveis de acção e as diversas faixas etárias. As diversas acções e percursos formativos, desde a catequese aos percursos de formação dos candidatos ao ministério ordenado ou a formação permanente do clero e dos leigos, devem ser marcadamente sinodais, não apenas nos conteúdos a transmitir, mas na forma de concretizar, na construção eclesial conjunta.

Finalmente, importa registar que o défice de sinodalidade que assistimos na Igreja corresponde ao défice de fraternidade. A construção de uma Igreja Sinodal, onde todos se sentem corresponsáveis e implicados na missão da Igreja, reclama uma cultura de fraternidade que testemunhe ao mundo a beleza de caminhar juntos, numa Igreja que é artífice de comunhão e unidade, tal como nos desafiou o Mestre: «nisto reconhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros» (Jo 13,35).

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