Por uma Igreja sinodal |
Missa de encerramento da assembleia geral do Sínodo dos Bispos
“Igreja deve acolher sem exigir atestados de ‘boa conduta’”
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Na Missa de encerramento da assembleia geral do Sínodo dos Bispos, o Papa Francisco deixou claro o que deseja deste caminho de reforma sinodal.

“Talvez tenhamos de verdade muitas e belas ideias para reformar a Igreja, mas lembremo-nos: adorar a Deus e amar os irmãos com o seu amor, esta é a grande e perene reforma”, disse o Papa, no passado Domingo, 29 de outubro, na homilia da Missa a que presidiu, na Basílica de São Pedro. Francisco concretizou que ser Igreja e servir a Igreja implica “lavar os pés à humanidade ferida, acompanhar o caminho dos frágeis, dos débeis e dos descartados e sair com ternura ao encontro dos mais pobres”. Dirigindo-se sobretudo aos cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos que participaram, durante o último mês, nos trabalhos do Sínodo dos Bispos, o Papa acrescentou: “Esta é a Igreja que somos chamados a sonhar: uma Igreja serva de todos, serva dos últimos. Uma Igreja que acolhe, serve, ama, sem nunca exigir antes um atestado de ‘boa conduta’. Uma Igreja com as portas abertas, que seja porto de misericórdia”.

Neste caminho em que a Igreja é chamada a ser mais missionária, o Santo Padre também pensou “nas vítimas das atrocidades da guerra, nas tribulações dos migrantes, no sofrimento escondido de quem se encontra sozinho e em condições de pobreza, em quem é esmagado pelos fardos da vida, em quem já não tem mais lágrimas, em quem não tem voz”. Também não deixou de denunciar “as vezes sem conta em que, por trás de lindas palavras e eloquentes promessas, se favorecem formas de exploração, ou então nada se faz para as evitar”, considerando um “pecado grave” explorar os mais frágeis, “pecado grave que corrói a fraternidade e destrói a sociedade”.

O Sínodo sobre a sinodalidade na Igreja decorreu em Roma, de 4 a 29 de outubro, e prosseguirá com uma nova assembleia sinodal em Roma, em outubro de 2024.

 

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Um “longo caminho” com alguns temas polémicos

Os trabalhos do Sínodo sobre a sinodalidade na Igreja terminaram na noite de sábado, 28 de outubro, com a publicação de um relatório que sintetiza um vasto leque de temas, questões e propostas. Este texto será agora proposto à Igreja para ser aprofundado e depois reavaliado com novos contributos, com vista à próxima assembleia sinodal de outubro de 2024. O relatório, ainda somente disponível em italiano, foi aprovado por maioria de dois terços. Alguns pontos, no entanto, receberam dezenas de votos contra, relacionados com temas mais polémicos, como o acesso das mulheres ao diaconado, as questões de género ou o fim do celibato sacerdotal.

Em conferência de imprensa, o secretário-geral do Sínodo, cardeal Mario Grech, sublinhou que esta é só a primeira etapa de um percurso, “ainda com um logo caminho pela frente” e aos que pedem já resultados imediatos, responde que “a sinodalidade é um exercício de escuta prolongado, respeitador e, sobretudo, humilde”. Por sua vez, o relator-geral do Sínodo, cardeal Jean-Claude Hollerich, classificou o relatório de “amplo, porque enfrenta um leque de questões extremamente rico e ágil, porque os temas estão organizados com clareza”.

O Relatório-Síntese, aprovado por maioria e entregue ao Santo Padre, será distribuído às Conferências Episcopais, que o deverão confiar às várias comunidades das suas Igrejas locais. Cada tema do relatório está estruturado em três núcleos: ‘Consentimentos’, ‘Questões a ser abordadas’ e ‘Propostas’ para agora serem aprofundadas até outubro de 2024.

A assembleia sinodal contou com 365 votantes, entre eles 54 mulheres que pela primeira vez tiveram direito a votar.

 

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“Uma Igreja em caminho”

O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa fez um balanço positivo da primeira sessão da XVI Assembleia do Sínodo dos Bispos, que decorreu no Vaticano, apelando a “novas atitudes” na Igreja. “Interessa criar atitudes novas, modos de novos ser dentro da Igreja. E isto já está a acontecer na medida em que começou nas bases”, salientou D. José Ornelas, em declarações à Agência Ecclesia, sublinhando que o processo sinodal prossegue nos próximos meses: “Não é simplesmente uma Igreja voltada para trás, para aquilo que já foi, mas é uma Igreja que cria constantemente mundos novos. É uma Igreja em caminho é uma Igreja que, se por um lado se reúne, por outro lado se movimenta e caminha”.

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