Domingo |
À procura da Palavra
O amor é um caminho
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DOMINGO XXX DO TEMPO COMUM Ano A
“Nestes dois mandamentos se resumem
toda a Lei e os Profetas.”
Mt 22, 40


São inúmeras as pessoas a quem, muitas vezes, não sei anunciar a alegria da fé em Cristo. Pessoas espantosamente boas, com uma vivência profunda do sentido dos outros e do amor como Jesus desafia a viver, com uma busca intelectual séria e a quem sinto só faltar o anúncio do “Deus desconhecido”, como São Paulo fez em Atenas. Sinto então a tristeza de a imagem que a Igreja dá de si mesma ter mais o peso da norma, do rito, dos preceitos, do que a frescura do encontro, da celebração, do diálogo e da procura deste Deus jovial e feliz que Cristo nos revela. O único mandamento do amor, a Deus e aos irmãos, faz mais pontes do que fronteiras.

O amor pode ser uma palavra gasta, adulterada, fingida, desfigurada, mas é a que melhor revela a grande sede que temos: amar e ser amados. Ela define o ser humano como um ser-para-o-amor. Multiplica as capacidades, explora potencialidades desconhecidas. É árvore e é fruto, insiste a “não adiar o coração” como diz o poeta António Ramos Rosa. “EI amor es un camino/que se recorre basta el fin”, canta uma canção sul-americana, e não será a fidelidade a verdadeira revelação do amor através do tempo? Sim, a originalidade cristã germina deste amor que não tem a fonte em nós, mas em Deus e nos lança na aventura de o realizarmos com a nossa vida.

A abertura a Deus como sentido primeiro e culminante da vida, as dúvidas como atitude honesta de procura, a insatisfação diante das concretizações históricas deste projecto são passos para o encontro com Cristo. Sinto esta sede em mim e em muitos que encontro todos os dias. Não bastam respostas fáceis e conformistas; cortam as asas à alma! Só um caminho percorrido em comum pode trazer mais luz. Só os gestos de um amor sereno e límpido, provado tantas vezes na noite da dor, nos revelam o autêntico rosto de Deus. E o segredo chama-se comunhão. Não caminhar sozinho. Porque o amor pede saída de nós mesmos, arriscar o encontro e a proximidade, tocar a mão e o coração, desmontar as defesas que atrofiam a beleza de cada um.

É por isso que amo a Igreja e quero amá-la mais. A Igreja concreta em que sou irmão a aprender com todos. De santidade e pecado, de grandeza e mediocridade, de júbilo e tristeza. A Igreja que já somos “um bocadinho” o que Jesus gostaria, mas é sempre urgente a coragem do sonho, a frescura da partilha, a alegria da escuta do Espírito, a fidelidade a Cristo, o compromisso pelos mais pobres. Não é isto que esperamos do Sínodo que em Roma e no mundo estamos a fazer?

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