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“Rezemos para que exista paz em Israel e na Palestina”
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O Papa Francisco está a seguir “com dor e apreensão” a guerra no Médio Oriente. Na semana em que telefonou duas vezes ao pároco da Faixa de Gaza, o Papa voltou a referir que “toda a guerra é uma derrota”. Exortação apostólica ‘Laudate Deum’ pede compromissos eficazes e corajosos para a crise climática.

 

1. O Papa pediu a libertação imediata de reféns e diz que continua a seguir “com dor e apreensão o que está a acontecer em Israel e na Palestina, com tantas pessoas mortas e feridas”. “Rezo por aquelas famílias que viram transformado um dia de festa num dia de luto. E peço que os reféns sejam de imediato libertados", apelou, na audiência-geral de quarta-feira, 11 de outubro.

Na Praça de São Pedro, numa referência ao ataque do Hamas do último sábado, Francisco considerou que “quem é atacado tem direito a defender-se”, mas mostrou-se também “preocupado com o cerco total em que vivem os palestinianos em Gaza onde também há muitas vítimas inocentes”. O Papa lembrou que os “extremismos e o terrorismo não ajudam a encontrar uma solução para o conflito entre israelitas e palestinianos”, “alimentam o ódio e a violência e a vingança” e “apenas fazem sofrer a ambos”. Francisco disse ainda que “o Médio Oriente não precisa de guerra, mas de paz construída sobre a justiça, o diálogo e a coragem da fraternidade”.

 

2. O pároco da Faixa de Gaza, padre Gabriel Romanelli, já recebeu dois telefonemas do Papa desde que os bombardeamentos começaram na Faixa de Gaza, numa resposta de Israel à ofensiva lançada pelo Hamas na madrugada de sábado contra o Estado hebraico. Preocupado com o que se passa naquela paróquia, Francisco acompanha constantemente a situação. Apesar dos bombardeamentos israelitas que se seguiram aos ataques terroristas do Hamas, até agora, aquela paróquia não regista mortos nem feridos, mas acolhe 150 famílias deslocadas. “O Papa ligou-me há poucos minutos, para manifestar a sua proximidade e orações e nós agradecemos o seu apelo a favor do cessar-fogo e contra todo o tipo de violência, terrorismo e guerra”, revelou, ao Vatican News, o padre Romanelli que, neste momento, se encontra na cidade palestiniana de Belém. “O Santo Padre quis expressar a sua presença e disse que entraria diretamente em contacto com a comunidade paroquial através do meu vigário, para poder falar com as pessoas que estão refugiadas na paróquia e enviou a sua bênção para que todos experimentem a proximidade da Igreja”, acrescentou o pároco de Gaza.

 

3. No final do Angelus no passado Domingo, 8 de outubro, o Papa sublinhou estar a seguir “com apreensão e dor o que está a acontecer em Israel, onde a violência explodiu rapidamente, causando centenas de mortos e feridos”. “Que parem os ataques e se calem as armas, por favor. E que se compreenda que o terrorismo e a guerra não conduzem a qualquer solução, apenas à morte e ao sofrimento de muitos inocentes. A guerra é uma derrota, toda a guerra é uma derrota”, reforçou Francisco, à janela do apartamento pontifício, na Praça de São Pedro. O Santo Padre expressou a sua proximidade às famílias das vítimas e disse rezar por todos os que estão a viver horas de terror e angústia. “Rezemos para que exista paz em Israel e na Palestina”, pediu.

 

4. Oito anos depois da encíclica Laudato si’, Francisco publica um novo documento onde lamenta o agravamento da crise climática global e reconhece que “não estamos a reagir de modo satisfatório, pois este mundo que nos acolhe, está a desmoronar e talvez a aproximar-se de um ponto de rutura”. A Exortação Apostólica ‘Laudate Deum’ (‘Louvai a Deus’), publicada a 4 de outubro, dia de São Francisco de Assis, atualiza, com caracter de urgência, as preocupações que Papa já tinha manifestado em anteriores documentos.

Francisco não duvida de que o impacto da mudança climática vai prejudicar a vida de muitas pessoas e famílias e que “sentiremos os seus efeitos em termos de saúde, emprego, acesso aos recursos, habitação, migrações forçadas e noutros âmbitos”. O Papa cita mesmo os bispos africanos, para quem as alterações climáticas “evidenciam um exemplo chocante de pecado estrutural”. Dados oficiais das Nações Unidas revelam que uma reduzida percentagem mais rica do planeta polui mais do que 50% de toda a população mundial mais pobre. E o continente africano, que alberga mais de metade das pessoas mais pobres do mundo, é responsável apenas por uma mínima parte das emissões no passado. Neste contexto, Francisco refere que a crise climática “não é uma questão que interesse às grandes potências económicas, preocupadas em obter o maior lucro ao menor custo e no mais curto espaço de tempo possíveis”. E assim, “vejo-me obrigado a fazer estas especificações, que podem parecer óbvias, por causa de certas opiniões ridicularizadoras e pouco racionais que encontro mesmo no seio da Igreja Católica”, lamenta.

Neste novo documento, o Papa sublinha que “não podemos renunciar ao sonho de que a COP28 leve a uma decidida aceleração da transição energética, com compromissos eficazes que possam ser monitorizados de forma permanente”. Para o Papa, esta Conferência pode ser um ponto de viragem, “caso contrário, será uma grande desilusão e colocará em risco quanto se pôde alcançar de bom até aqui”.

Francisco incentiva ainda as famílias a poluir menos, a reduzir os esbanjamentos e a consumir de forma sensata, esforços que “estão a criar uma nova cultura”, afirma. E deixa o alerta: “Se considerarmos que as emissões per capita nos Estados Unidos são cerca do dobro das dum habitante da China e cerca de sete vezes superiores à média dos países mais pobres, podemos afirmar que uma mudança generalizada do estilo de vida irresponsável ligado ao modelo ocidental teria um impacto significativo a longo prazo”. É por isso que ‘Laudate Deum’ é o título desta carta: “Porque um ser humano que pretenda tomar o lugar de Deus torna-se o pior perigo para si mesmo”, conclui o Papa.

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