Lisboa |
Encontro Diocesano de Catequistas, em Penafirme e Santa Cruz
Catequistas convidados a estarem “abertos à imaginação do Espírito Santo e à imprevisibilidade de Deus”
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O novo Patriarca de Lisboa encontrou-se, pela primeira vez, com os catequistas da diocese, destacando que “a Igreja não é uma fábrica que produz, em série, cristãos”, e que “cada um tem a sua história de amor com Cristo”. No Encontro Diocesano de Catequistas, em Penafirme e Santa Cruz, D. Rui Valério considerou que “o grande desafio” é transformar a catequese “em momentos de enamoramento de Jesus”.

 

No primeiro encontro que teve com os catequistas de toda a diocese, o Patriarca de Lisboa sublinhou que “o projeto da Igreja está fundado na presença de Alguém, que está vivo, que é Jesus Cristo”. Na Igreja de Santa Cruz, situada na paróquia da Silveira, na tarde do passado dia 5 de outubro, D. Rui Valério lembrou a estes agentes da pastoral que “Jesus Cristo está presente na sua Igreja, na Palavra, nos sacramentos, no corpo eclesial, na Eucaristia”, e que a adesão a Cristo passa “pelo amor”. “Abraças este projeto não em vista de uma ideia, de uma doutrina, mas por aquela Pessoa. Vejam o que acontece na relação humana entre duas pessoas. Aquela coisa do amor à primeira vista é algo que acontece de vez em quando, mas a própria parábola do amor começa por ser uma pequenina semente, que se vai desenvolvendo e que, por vezes, demora muito tempo. Desde o início, desde o tempo em que Jesus chama os primeiros apóstolos, até hoje, nós vivemos confrontados que a Igreja não é uma fábrica que produz, em série, cristãos. Cada um tem a sua história de amor com Cristo. Cada um! A pergunta é: ‘E nós, estamos preparados para acolher e aceitar que até uma criança de sete ou oito anos só adere a Jesus se verdadeiramente houver ali amor entre ele e Cristo?’ No ser humano, tudo passa pela interioridade, pelo que ele sente. A ‘cola’ está cá, está no coração”, salientou o Patriarca de Lisboa, durante o Encontro Diocesano de Catequistas.

 

Não desistir

Após a manhã formativa no Seminário e Externato de Penafirme, cerca de 600 catequistas reuniram-se na Igreja de Santa Cruz e escutaram palavras de incentivo por parte D. Rui Valério. “Não desistam! Não façam cara de derrotados. Isto é como as sementes que se vão desenvolvendo e crescendo. Pensai nas vossas parábolas de vida com os vossos maridos e as vossas esposas. É a nossa história, é a nossa parábola de amor com Jesus que me dá luz e abertura para eu compreender e interpretar aquilo que acontece na minha igreja, em cada espaço e em cada momento”, destacou, voltando a sublinhar a palavra amor: “O mistério do nosso seguir Cristo, o mistério de nós aderirmos a Ele, é do coração. E isto é para qualquer pessoa, independentemente da sua idade. Porque o que nos toca o coração, nós nunca mais desistimos disso. Há uma coisa que permanece: o amor. Portanto, o nosso grande desafio é transformar a nossa evangelização, a nossa pastoral, a nossa catequese, a nossa pedagogia da pregação, transformarmos isso em momentos de paixão, de enamoramento de Jesus. Para todas as idades”.

 

Buscar força na esperança

Neste encontro organizado pelo Setor da Catequese de Lisboa, o Patriarca apontou “a aliança da evangelização dos jovens, das crianças e dos adolescentes – e porque não das famílias e dos adultos – com os novos meios tecnológicos”, dando o exemplo de um sacerdote da Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança, o padre Guilherme, “que não tinha jeito nenhum para a música e começou a aprender autodidaticamente e hoje é um grande DJ”. “Ele tem atraído muitos jovens a Cristo. Sente-se que há ali uma plenitude interior. A verdade é que ele faz aquilo não maquinalmente, mas como alguém que tem um tesouro, alguém que encontrou um Tesouro e que precisa agora de O difundir”, exemplificou.

“O futuro, tal como o presente, caminhará um pouco por estes caminhos, por estes carreiros, por estas estradas e por estas autoestradas. Que estejamos sempre abertos à imaginação do Espírito Santo, à imprevisibilidade de Deus. Coragem! Força! É na esperança que vamos buscar toda a força para a nossa alegria. Caras e caros catequistas, vamos colocar todo nosso labor, e sobretudo todo nosso agradecimento, por termos sido chamados a participar desta missão maravilhosa que é a de contribuir não apenas para o aprofundamento da fé, a Palavra feita, mas sobretudo para a construção do homem novo, e sobretudo para a formação de mulheres e homens de uma sociedade que nós sabemos que está a ser plasmada – nós não sabemos como – conforme a vontade de Deus”, terminou o Patriarca de Lisboa, naquele que foi o primeiro encontro com os catequistas da diocese.

 

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“É Jesus que envia. Ninguém vai por iniciativa própria. Todo este movimento evangelizador, catequético, parte de Cristo. É assim que deve funcionar a catequese. Tudo parte do Senhor! Mesmo quando tu sais de tua casa, para te dirigires à sala da catequese, ou quando inicias uma sessão de catequese familiar, tu estás a cumprir na senda daquilo que é um chamamento, que é um envio. Sejamos nós servidores desta Palavra na catequese, na nossa pregação.”

D. Rui Valério, Patriarca de Lisboa, na homilia da Missa conclusiva do Encontro Diocesano de Catequistas

 

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Dia festivo para toda a Catequese de Lisboa

‘Catequese na senda do Concílio Vaticano II. Rumo ao Jubileu 2025’ foi o tema do Encontro Diocesano de Catequistas. Uma iniciativa que pretendeu “juntar os catequistas, para dar a tónica do encontro e da partilha, e dar o mote para este ano que estamos a viver”, segundo explicou, ao Jornal VOZ DA VERDADE, o diretor do Setor da Catequese de Lisboa. “A participação de quase 600 pessoas foi bastante simpática para aquilo que é o universo de catequistas da nossa diocese. Foi um dia festivo, de encontro, marcado pela alegria, pela disponibilidade das pessoas. Isso foi notável”, referiu o padre Tiago Neto, destacando igualmente a presença de D. Rui Valério. “Foi um encontro que decorreu de forma muito serena, muito tranquilo, os catequistas apreciaram muito a presença do senhor Patriarca, a sua proximidade, a forma direta como lhes falou. Isso foi notório em muitos catequistas, sobretudo aquilo que é a sua forma de estar e de se relacionar com eles”, resume este responsável.

A manhã do Encontro Diocesano de Catequistas, no Seminário e Externato de Penafirme, foi dedicada ao ‘Concilium Talks: Atualidade das Constituições do Concílio’, tendo sido abordadas as constituições ‘Dei Verbum’, pelo padre jesuíta José Frazão, ‘Lumen Gentium’, por Eduardo Borges de Pinho, e ‘Sacrosanctum Concilium’, pelo padre Pedro Lourenço. “Na caminhada para o Jubileu de 2025, o ano 2023 está focado na leitura e estudo dos textos do Concílio Vaticano II, tendo em conta a necessidade, sempre, de receção desses documentos. Foi muito positivo para nos dar um horizonte de compreensão do tempo atual. Mais do que falar sobre as constituições, a manhã foi importante para nos dar uma leitura do tempo atual, com base no que foi história e origem do Concílio, e também se abriram pistas para aquilo que é a reflexão do Sínodo atual, no caminho que a Igreja está a fazer para o Jubileu”, explicou. Foram ainda organizados 21 ateliês, em que cada catequista participou em dois, que “procuraram relacionar as constituições do Concílio com as tarefas da catequese”.

 

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Três testemunhos

O encontro com o Patriarca de Lisboa teve ainda três testemunhos, que partilharam a sua experiência enquanto catequistas. Glória Marques, da paróquia de Santa Maria e São Miguel de Sintra, falou sobre “a catequese e a comunidade cristã”, destacando “as dificuldades de chegar aos pais” e “como ‘prender’ estes pais” à Igreja. Já Rita e Januário, da paróquia da Benedita, abordaram “a catequese e a família”, sublinhando como “a catequese familiar procurar lançar a semente” e traz “momentos muito especiais”, que “potenciam o encontro com Deus”. Finalmente, Alexandra Antunes, da paróquia de São Pedro de Dois Portos, destacou a “formação de catequistas” e como “ser catequista é cada vez mais um desafio”. “Não é apenas o catequista que fala, o Espírito Santo ajuda e fala por cada um”, garantiu esta jovem, sublinhando que “a beleza da catequese é a possibilidade de mostrar o caminho da fé a todos”.

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos por Catequese de Lisboa e DPB
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