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Isilda Pegado
As “questões levantadas pela ideologia de género” e o medo

1. O País parece ter sido invadido, nos últimos tempos, por uma nova pandemia – as questões do género.

As pessoas têm sexo feminino e masculino. E há pessoas, que fruto da circunstância psico-somáticas, têm a chamada disforia sexual. Isto e, há uma inadequação entre o sexo genital e os seus comportamentos em vários domínios. São casos muito raros nas nossas sociedades. E por isso não deveriam ser chamados a esta questão.

 

2. Coisa diversa é esta Ideologia de Género (I.G.) que não aceita o sexo como um dos elementos identificativos da pessoa e manda que cada um se defina no género masculino, feminino, transsexual, bissexual, etc., etc. (dizem-nos que há mais de 100 Géneros).  Isto é, cada um é aquilo que declara ser, independentemente das características morfológicas e físicas que tem.

Tudo isto parece um pensamento desconforme a qualquer lógica ou realidade. Para a Sociedade e para o Estado deveria ser irrelevante saber quais os gostos que cada um tem em matéria de intimidades.

 

3. Além de que, constitui uma verdadeira discriminação qualificar pessoas a partir dos seus gostos íntimos. Pensávamos que ninguém gostaria de ser catalogado. Mas… com esta Ideologia tal discriminação/catalogação é imposta.

 

4. Alguns grupos de militância da I. G. têm tomado posições publicas nestas matérias com reivindicações manifestadas de muitas formas, o que parecia ficar na categoria dos “direitos das minorias”. Contudo não ficamos por aqui… O Estado chamou a si esta Ideologia. Não seria muito preocupante se esta matéria não se tivesse tornado num forte pilar da actividade Política e Legislativa.

 

5. O Estado através do Governo e da Assembleia da República tem publicado inúmeros diplomas e orientações escolares (vg. Lei 38/2018, RCM 61/2018, Desp. 7247/2018, etc.) que pretendem impor comportamentos, tendentes a valorizar, apoiar e até promover esta Ideologia.

Tem escolhido a Escola como alvo fácil para o fazer. Na verdade, as crianças de tenra idade, ou até os adolescentes, são facilmente manipuláveis e influenciáveis. Todas as confusões são possíveis numa criança de 6 anos ou num adolescente de 14 anos.

 

6. A existência de manuais escolares com estas indicações – “tu escolhes se queres se rapaz ou rapariga”, “tu vais à casa de banho que escolheres”, ao ponto de se intrometer no “vestuário das crianças”, é de facto, a face de um Estado Ditador, Ideologicamente determinado e impositivo.

 

7. Além da Escola é na Família que este Estado está a impor a “sua Ideologia” obrigando os pais a terem comportamentos contrários às suas convicções e valores. O Estado impõe sanções aos pais que não pensem como o Estado lhes manda pensar. Isto é, está a ser criado um clima de medo, de perseguição e de “caça ao homem” em matérias de natureza íntima e por isso, difíceis de identificar e facilmente manipuladas.

 

8. Neste momento está no Parlamento mais um “pacote de projetos Lei” que vão no sentido atrás exposto. E de conteúdos muito preocupantes. Os quais vão no sentido de afastar os pais destas matérias íntimas e de entregar as crianças aos “desconhecidos” professores e técnicos. Alguns também com medos das sanções que possam ter.

 

9. Há 10 anos atrás, falavam-nos das questões de género que careciam da nossa tolerância. Hoje impõem-nos, com ameaças e medos, uma ideologia que nega a realidade, que confunde crianças e jovens e cujas consequências ainda são imprevisíveis, mas que já estão a gerar graves questões familiares, estados depressivos juvenis, vulnerabilidades sociais, etc., etc.

Não podemos pactuar ou sequer ignorar este Estado ditador, manipulador das infâncias e juventudes e violador da intimidade pessoal e familiar.

 

Isilda Pegado,
Presidente da Federação Portuguesa pela Vida