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Roma
“A comunhão não é só afetiva ou etérea, implica participação real”
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O Papa Francisco respondeu a cinco cardeais. Na semana em que desejou que “o Sínodo purifique a Igreja de tagarelices, ideologias e polarizações”, o Papa convocou um inédito encontro mundial de crianças, comparou o Colégio Cardinalício a uma orquestra, recebeu o primeiro-ministro português e divulgou o tema para o Dia Mundial das Comunicações Sociais.

 

1. O Papa divulgou na segunda-feira, 2 de outubro, antevéspera do início da próxima assembleia sinodal, as suas respostas a questões (‘dubia’) de cinco cardeais sobre temas como a sinodalidade, ordenação sacerdotal de mulheres ou uniões homossexuais. “Não podemos transformar-nos em juízes que apenas nega, recusam, excluem”, refere Francisco, num texto em espanhol, publicado pelo site do Dicastério para a Doutrina da Fé. O Papa justifica a publicação das respostas com a “proximidade do Sínodo”, dado que a primeira sessão da sua XVI Assembleia Geral Ordinária se iria iniciar na quarta-feira, 4 de outubro.

O conjunto de questões foi levantado pelos cardeais Walter Brandmüller e Raymond Leo Burke, com o apoio dos cardeais Juan Sandoval Íñiguez, Robert Sarah e Joseph Zen Ze-kiun, com Francisco a realçar que a apresentação destas perguntas mostra “a necessidade de participar, de dar opinião, livremente, e de colaborar”, pelo que os cardeais signatários estariam a “reclamar alguma forma de sinodalidade” no exercício do ministério pontifício. “A comunhão não é só afetiva ou etérea, mas implica, necessariamente, participação real: que não apenas a hierarquia, mas todo o Povo de Deus, de várias formas e em diversos níveis, possa fazer ouvir a sua voz e sentir-se parte do caminho da Igreja”, precisa.

 

2. O Papa Francisco pediu que o Sínodo seja “um lugar onde o Espírito Santo purifique a Igreja de tagarelices, ideologias e polarizações”. “Ser sinodal significa acolher-nos assim, na consciência de que todos temos algo para testemunhar e aprender, colocando-nos juntos para ouvir o ‘Espirito da Verdade’, para saber o que Ele ‘diz às Igrejas’”, referiu o Papa, na vigília ecuménica ‘Together, Encontro do Povo de Deus’, um momento de oração pelo Sínodo, que decorreu ao fim da tarde de sábado, 30 de setembro, no Vaticano, e que contou com a presença de fiéis de diferentes confissões cristãs. Numa alocução centrada no papel do silêncio, “importante” e “poderoso” na “vida do crente, na vida da Igreja e no caminho da unidade dos cristãos”, Francisco afirmou que “Deus não gosta de proclamações e de gritos, de tagarelice e de barulho: prefere, como fez Elias, falar no ‘sussurro de uma leve brisa’”.

 

3. O Papa anunciou a convocação de um encontro mundial de crianças, no Vaticano, para “aprender” com elas. “Desejo anunciar que, na tarde do dia 6 de novembro, no Auditório Paulo VI, vou encontrar-me com crianças de todo o mundo”, revelou, no passado Domingo, 1 de outubro, após a recitação do Angelus. “Trata-se de um encontro para manifestar o sonho de todos de voltar a ter sentimentos puros como as crianças, porque quem é como uma criança pertence ao Reino de Deus. As crianças ensinam-nos a limpidez das relações, o acolhimento espontâneo de quem é estrangeiro, o respeito por toda a criação. Queridas crianças, espero por todos, para aprender com vocês, também eu”, convidou Francisco.

 

4. O Colégio Cardinalício deve assemelhar-se a uma orquestra sinfónica, numa diversidade tal que represente também o carácter sinodal da Igreja. Esta foi a mensagem do Papa, na homilia do Consistório que celebrou na Praça de São Pedro, a 30 de setembro. “Não só por estarmos nas vésperas da primeira Assembleia do Sínodo que tem precisamente este tema, mas porque me parece que a metáfora da orquestra pode muito bem iluminar o caráter sinodal da Igreja”, salientou.

Sempre a partir da metáfora da orquestra, Francisco apontou: “Se alguém ouvisse apenas a si mesmo, por mais sublime que possa ser o seu som, não seria de proveito à sinfonia; e o mesmo aconteceria se uma parte da orquestra não ouvisse as outras, mas tocasse como se estivesse sozinha, como se fosse o todo. E o diretor da orquestra está ao serviço desta espécie de milagre que é sempre a execução duma sinfonia. Ele deve ouvir mais do que todos os outros e, ao mesmo tempo, a sua tarefa é ajudar cada um e a orquestra inteira a desenvolver ao máximo a fidelidade criativa, a fidelidade à obra que se está a executar, mas criativa, capaz de dar uma alma àquela partitura, de fazê-la ressoar duma forma única aqui e agora”.

Após a homilia, cada um dos 20 cardeais (um deles, emérito de Buenos Aires, não veio a Roma por motivos de saúde e idade avançada) aproximou-se do Papa para receber o barrete, o anel e a bula. D. Américo Aguiar foi o décimo sétimo a ser chamado.

 

5. O primeiro-ministro antevê um reforço da relação entre Portugal e a Santa Sé. No fim do encontro com o Papa no Vaticano, a 28 de setembro, António Costa lembrou que Portugal vai passar a ter seis cardeais, quatro eleitores, o que considerou ser um “motivo de muito orgulho”. Aos jornalistas, lembrou ainda que os dois Estados mantêm “uma relação secular que tem sido sempre muito positiva e rica”.

A Santa Sé revelou que, durante o encontro, “foi louvada a eficiente colaboração na organização da Jornada Mundial da Juventude e da visita que Sua Santidade realizou a Portugal”. O Vaticano destaca ainda que foi referida “a positiva contribuição da Igreja na sociedade portuguesa no atual contexto sociopolítico e outras questões de interesse comum”.

 

6. ‘Inteligência Artificial e sabedoria do coração: por uma comunicação plenamente humana’ é o tema escolhido pelo Papa para o próximo Dia Mundial das Comunicações Sociais, a 31 de maio de 2024. “A evolução dos sistemas de Inteligência Artificial torna cada vez mais natural a comunicação através e com as máquinas, de tal modo que se tornou cada vez mais difícil distinguir o cálculo do pensamento, a linguagem produzida por uma máquina daquela gerada pelos seres humanos”, refere um comunicado da Santa Sé.

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