Domingo |
À procura da Palavra
Os frutos são para todos
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DOMINGO XXVII DO TEMPO COMUM Ano A
“Quando vier o dono da vinha
que fará àqueles vinhateiros?”
Mt 21, 40

 

Todo o esforço que não produz o seu fruto é motivo para algum desalento. Acontece na natureza quando, pelo trabalho, se procura semear ou moldar a matéria, em resposta à vocação inicial de continuar a criação, e acontece nas pessoas, sempre que investimos um pouco mais de humanidade. E quando se está convicto do melhor caminho e do objectivo a alcançar, custa tudo ser tão lento. Aí é fundamental instaurar a virtude da persistência e a ousadia da criatividade.

A sede de poder ofusca demasiadas vezes quem o alcança. E não só o poder dos governantes, mas de quem ganha a capacidade de dominar situações e pessoas esquecendo-se que tantas vezes o seu posto é, acima de tudo, um serviço. Acontece por todo o lado e as comunidades cristãs não estão isentas deste “vírus” que mina a própria missão evangelizadora. Talvez tenham chegado por desejo de servir, mas a instalação, a inércia, a perda de fé e o orgulho pessoal podem abafar o espírito inicial. E por mais que se fale da importância do acolhimento, do rosto afável e amável da comunidade, da compreensão e serenidade que é preciso ter, tantas vezes se sente em lugares-chave da Igreja um ar de “vinhateiros homicidas”! Porque é fácil matar a frescura do Evangelho com a aridez do coração.

O vinho, no contexto bíblico, é sinal de festa. É o inesperado a romper a rotina, o surpreendente a fazer das suas, a alegria a transbordar os limites. É o não-necessário a dar sabor à vida. E, talvez por isso mesmo, tantas referências ao vinho e à vinha nas palavras dos profetas e nas parábolas de Jesus. A revelação parece acentuar mais a festa, a alegria e as surpresas de Deus e menos a lógica, a “estrutura” o “certinho”, talvez eficiente, mas sem graça! A vinha pode ser a nossa vida e o que fazemos dela. Talvez o mundo e o nosso lugar nele. É certamente a Igreja como comunidade a crescer e a abraçar cada vez mais a humanidade. E se a parábola deste Domingo é para os príncipes dos sacerdotes e os anciãos do povo “enfiarem a carapuça”, que dizer de tantas vezes em que nós “matamos” ou ofuscamos a graça e a alegria que o Filho nos traz? Que este Sínodo dos Bispos, em caminho sinodal até outubro de 2024, seja vinha aberta com os frutos que Deus dá para serem dados generosamente a todos!

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