Lisboa |
Tomada de posse do Patriarca de Lisboa D. Rui Valério
“Queremos ser Igreja Missionária”
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O novo Patriarca de Lisboa destacou o “compromisso de evangelização” e o “caminho de sinodalidade” da diocese nos últimos anos. D. Rui Valério tomou posse, na Sé, tornando-se no 18.º Patriarca de Lisboa.


 

“Evoco, nesta hora solene, a obra de Deus na Igreja de Lisboa, ao longo da história. Verdadeiro sinal dos tempos e do estímulo a caminhar no amor, na esperança e na fé incondicional em Deus, Pai, Filho e Espírito Santo; mas, com particular incidência, as bênçãos que o mesmo Senhor a quem pertence o ontem, o hoje e a eternidade, derramou no passado recente: o caminho sinodal, a realização da Jornada Mundial da Juventude e as muitas vidas de santidade de sacerdotes, de consagrados e de leigos. Tudo tem contribuído para um compromisso de evangelização e para um caminho de sinodalidade”, assinalou D. Rui Valério, que na manhã do passado dia 2 de setembro, memória litúrgica de Santa Maria, na Sé Patriarcal, tomou posse da diocese, diante do Cabido.

Na sua saudação, o 18.º Patriarca de Lisboa considerou que “as vicissitudes eclesiais, sociais e culturais das últimas décadas” têm sido, para o Patriarcado de Lisboa, “despertadores para a missão evangelizadora”. “Tal como sempre, também hoje, à Igreja, incumbe a grave responsabilidade de indicar o verdadeiro alimento, a verdadeira água, e oferecê-lo. É essa a sua missão urgente”, sublinhou D. Rui Valério, terminando a saudação com uma garantia: “Queremos ser Igreja Missionária que, ao estilo de Maria, se levanta apressadamente para a montanha do mundo e da humanidade”.

 

“As melhores felicidades pastorais”

Eram 10h45 da manhã quando D. Manuel Clemente e D. Rui Valério chegaram à Sé Patriarcal de Lisboa. O Cabido [colégio de consultores do Bispo], conduzido pelo Deão, cónego Francisco Tito, dirigiu-se à porta da Catedral para acolher o novo Patriarca. O Administrador Apostólico, D. Manuel Clemente, apresenta então ao Deão o Patriarca Eleito. De seguida, o Deão dá a beijar o crucifixo a D. Rui e oferece-lhe o hissope com o qual o Patriarca Eleito se aspergiu a si mesmo e àqueles que o rodeavam. Foi desta forma que iniciou o ritual de tomada de posse de D. Rui Valério como Patriarca de Lisboa, que decorreu integrado num tempo de oração da Liturgia das Horas, a Hora Intermédia.

Após entrarem na Sé Patriarcal, D. Manuel Clemente e D. Rui Valério dirigiram-se para a Capela do Santíssimo Sacramento, onde se detiveram em oração. Depois, foram para a sacristia. Após o cortejo litúrgico, na chegada ao presbitério, o Patriarca Eleito tomou o lugar que lhe foi preparado e o Administrador Apostólico a Cátedra. No início da celebração, D. Manuel Clemente saudou o novo Patriarca no “momento inaugural do ministério Patriarcal”. O agora Patriarca Emérito lembrou que Lisboa é uma “diocese com tanta história”, que deixa como legado a D. Rui Valério as conclusões do Sínodo Diocesano, realizado em 2016, e a “experiência de mudança” que aconteceu com “a Jornada Mundial da Juventude”. O antigo Cardeal-Patriarca desejou ainda ao sucessor, “de coração, as melhores felicidades pastorais”.

O Núncio Apostólico, D. Ivo Scapolo, lê, depois, o Mandato Apostólico e o Chanceler, cónego Jorge Dias, lavra a Ata que é assinada pelo Patriarca, pelo Patriarca Emérito, pelo Núncio Apostólico, pelo Deão e pelo Chanceler. O Administrador Apostólico convida então o Patriarca de Lisboa a sentar-se na Cátedra e entrega-lhe o báculo pastoral. Após este momento, o Deão do Cabido profere uma saudação a D. Rui Valério (ver caixa) e alguns dos presentes aproximam-se do novo Patriarca para lhe manifestarem obediência e respeito. Terminadas as saudações, prosseguia a Hora Intermédia.

 

Saudações

Na sua saudação na celebração de tomada de posse, D. Rui Valério tinha começado por dizer que sentia “júbilo por experimentar tão intimamente a força do amor de Deus”. “Ilumina-me de esperança o processo da salvação integral que, em Cristo, quer oferecer, e que nunca cessa de repropor ao mundo e à humanidade”, apontou, lembrando depois o antecessor, D. Manuel Clemente: “Agradeço a dádiva da Sua amizade e o marco evangelizador que imprimiu na diocese e que, como Pastor e líder, soube contagiar a todo o povo de Deus, nomeadamente na construção de pontes entre o evangelho e a integralidade da vida”.

Na saudação ao Núncio Apostólico expressou “total fidelidade, disponibilidade e comunhão a Sua Santidade, o Papa Francisco”, e aos Bispos Auxiliares de Lisboa, D. Joaquim Mendes e D. Américo Aguiar, agradeceu “o testemunho de dedicação, entrega e competência com que servem a Igreja”. Ao “Ilustríssimo Cabido” e a “todo o Presbitério de Lisboa”, o novo Patriarca destacou a “seriedade” que colocam “no desempenho” do “múnus presbiteral”, e lembrou que “o presbitério é a fonte que estrutura o presbítero e a sua essência é a comunhão”.

Aos “digníssimos Diáconos Permanentes”, o “sentido reconhecimento pelo serviço que, tão devotadamente, ofereceis à Igreja e ao Povo de Deus” e às consagradas e aos consagrados um “obrigado pela vossa devotada vida de oração e pela vida de serviço apostólico com que cimentais as estruturas da edificação do Reino de Deus”.

O Patriarca saudou também “o santo Povo de Deus, os seminaristas, os leigos, os jovens, todas as mulheres e homens de boa vontade”. “Obrigado pelo vosso testemunho de santidade e de amor a Cristo e à Igreja. Vós fostes constituídos os principais depositários da palavra que o Espírito Santo dirigiu à Igreja de Lisboa, no decorrer das JMJ. Estais convocados para a expressar. E nós, prontos para a receber”, garantiu D. Rui Valério, que não esqueceu “todas as vítimas de todos os tipos de abuso”. “Não repito palavras já esmorecidas pelo uso, mas dou-vos, e darei sempre, a minha solidariedade, a minha presença e constante proximidade. Convosco carregarei o fardo do vosso sofrimento, acreditando na cura e redenção”, garantiu o novo Patriarca de Lisboa.

 

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Saudação do Deão do Cabido

“Saúdo-o com as palavras do Sl 117, 26, que, estou certo, exprimem o sentir de todos os diocesanos de Lisboa: Bendito o que vem em nome do Senhor! Saudamo-lo cheios de alegria, confiança e entusiasmo e só desejamos que ao longo do pontificado que agora se inaugura esta alegria, confiança e entusiasmo vão sempre crescendo. Vossa Eminência não é um desconhecido nesta diocese. Há muito que nela reside e a ela vem dedicando o seu labor pastoral com notáveis frutos. Mas hoje começa uma coisa nova, que não é simplesmente o abraçar de uma nova função, mas o estabelecimento de um vínculo de pertença mútua. (…) Senhor Patriarca, pode contar connosco todos, Cabido e demais presbíteros, diáconos e fiéis leigos nos diversos estados de vida, e nas variadas tarefas no mundo e na Igreja, para acolher e procurar todos, mas mesmo todos, todos quantos quiserem ser discípulos de Jesus, para O seguir.”

Cónego Francisco Tito, Deão do Cabido da Sé Patriarcal de Lisboa

 

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Novo Patriarca assegura “presença e proximidade”

No final da celebração de tomada de posse, o novo Patriarca de Lisboa referiu, aos jornalistas, que quer ser um bispo próximo das pessoas. “Vou dar à Igreja de Lisboa o que tenho dado sempre ao longo da minha vida sacerdotal e depois como bispo: a minha presença, a minha proximidade. Vou ser um bispo da estrada, um bispo da rua, um bispo junto das pessoas. E é nessa ótica que vou concretizar e alinhar a minha ação”, assegurou D. Rui Valério.

Sobre as vítimas de abuso na Igreja, o Patriarca deixou “uma palavra de esperança”.  “Se estamos a falar das vítimas, é uma palavra de esperança que lhes quero deixar. Depois da solidariedade, depois da minha presença, depois da sua centralidade, a palavra a dar-lhes é esperança”, referiu, indicando a “solidariedade e compreensão” como o primeiro passo a dar no acompanhamento das vítimas. “Depois, nós todos, a começar por mim, mas envolvendo toda a sociedade, temos que proceder a uma conversão para com as vítimas. Elas verdadeiramente devem ocupar o centro. Só a partir da centralidade das vítimas é que temos o discernimento para compreender os passos a fazer”, apontou. “Eu acredito na cura e na cura total e integral, envolvendo todas as dimensões, todos os aspetos possíveis. A cura não pode ter barreiras. Não há linhas vermelhas para realizarmos a cura de alguém que sofreu uma experiência tão atroz e tão horrorosa”, acrescentou.

D. Rui Valério terminou garantindo que toma posse “na fase em que a esperança está mais viva na Igreja em Portugal”.


Tomada de posse do Patriarca de Lisboa D. Rui Valério

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos por Arlindo Homem
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