Lisboa |
Entrada solene do Patriarca de Lisboa D. Rui Valério
Serviço, escuta e Paz
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O novo Patriarca de Lisboa quer fazer “do serviço um estilo”, lembrou que “só na disponibilidade de escutar a palavra de Deus é possível escutar o grito do mundo” e convidou a implementar “um autêntico ambiente de paz”. Na celebração de entrada solene na diocese, D. Rui Valério garantiu ainda que “na Igreja todos têm lugar e devem ser acolhidos, ouvidos e respeitados”.

 

 

“Iniciamos uma nova etapa do caminho pastoral e histórico da Igreja de Lisboa, enriquecidos com o incomensurável dom da esperança, da renovada força da vida nova, comunicada nos últimos tempos, seja pelo caminho sinodal diocesano, seja pelo marco indelével da Jornada Mundial da Juventude, seja pelo testemunho profético e de santidade de tantos sacerdotes, de muitos leigos, de mulheres e homens de boa vontade, ou ainda pela capacidade de efetiva cooperação com as entidades do Estado, civis, militares e também pelo espírito ecuménico de diálogo com outras religiões”. Foi com estas palavras que o novo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, iniciou a sua homilia, na celebração de entrada solene na diocese.

Na Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos, na tarde do passado Domingo, 3 de setembro, o Patriarca destacou como o antecessor, D. Manuel Clemente, “imprimiu no ADN do Patriarcado não só uma palavra, mas um movimento, uma ação de sair, de ir ao encontro”. “À grandeza da sua espiritualidade, devemos a eleição de Lisboa a posicionar-se, uma vez mais, como marco de um novo recomeço de vida cristã. A JMJ não representou só o encontro de jovens do mundo inteiro: foi essencialmente o desconfinamento espiritual da humanidade”, assinalou.

 

Rumo à humanidade

Partindo do Evangelho escutado na celebração, D. Rui Valério garantiu que “só há verdadeiramente missão” se “a Igreja empreender o caminho rumo à humanidade e com a humanidade”. Neste sentido, “Igreja de Lisboa, a cidade, as vilas, as aldeias, as famílias, as pessoas, cada pessoa será onde os nossos planos se farão acontecimento de vida e de salvação”, reforçou, lembrando, depois, que “a cruz e o sofrimento são como que um certificado de autenticação de que uma obra é de Deus”.

Sublinhando que, “no cristianismo, tudo começa com a morte e não há novidade de vida, nem recomeço algum que não inicie com o morrer”, D. Rui Valério considerou que “a grande esperança da Jornada Mundial da Juventude não residiu só, nem principalmente, na quantidade de jovens aqui reunidos, nem apenas no entusiasmo”, mas no “muito que morreu”. “Morreu a vergonha de se ser Igreja, de viver enclausurado no medo de aparecer, e de testemunhar a esperança que nos move”; “morreu a mentalidade individualista que consagrava o indivíduo como critério absoluto da história, para emergir um profético sentido de pessoa, que afirma que o ser humano é um ser em relação e que é na relação que se constrói a sua identidade de filho de Deus, de irmão de cada um e a sua parábola existencial”; “morreu ainda uma forma de ser Igreja, que o Papa Francisco apelida de clericalismo, e renovou-se a consciência da comunidade cristã ser a totalidade do povo de Deus”, apontou, lembrando palavras do Papa Francisco em Lisboa: “Na Igreja todos têm lugar e devem ser acolhidos, ouvidos e respeitados. E a Igreja está aberta a essa participação”.

 

Três palavras

Na homilia da celebração, que teve transmissão em direto na RTP1, o novo Patriarca de Lisboa destacou três palavras – serviço, escuta e Paz –, que poderão ser entendidas como linhas do seu pontificado. Sobre a primeira, serviço, assegurou: “Faremos do serviço um estilo, mas também uma identidade, reafirmando-nos e apresentando-nos como Comunidade, «eis a Serva do Senhor»! Sem a disponibilidade da entrega incondicional, para servir a Deus e aos outros, não há salvação possível”. Em relação à escuta: “Só na disponibilidade de escutar a palavra de Deus é possível escutar o grito do mundo, dos sem voz, dos que, na sua fragilidade clamam por ser ouvidos e atendidos. Seremos esse ouvido. Só na luz da palavra de Deus é possível dizer uma palavra eficaz e criadora, que restitua esperança e suscite caminhos de vida. Seremos essa voz”. E finalmente, sobre a Paz: “A Igreja de Lisboa tem tido, ao longo da sua história, um compromisso sério com a paz, onde se encontram não só enunciados de princípio, mas também gestos e profecia. Assim, em harmoniosa cooperação e estreita colaboração com as autoridades do Estado, as autarquias, instituições civis, com as forças armadas e forças de segurança, e num verdadeiro espirito ecuménico, vamos implementar no coração dos irmãos, na cidade, na relação das pessoas, no convívio das instituições, um autêntico ambiente de paz e de serenidade, pela promoção da justiça, pelo amor à verdade, e pelo empenho na solidariedade”.

 

Proteção

Aos padres, o novo Patriarca lembrou que o presbitério “se desenvolve fundamentalmente segundo o modo da comunhão”, que “confere ao presbítero um caráter eminentemente relacional”. “Também em relação a nós, se realmente ambicionamos paróquias e comunidades cristãs que não sejam apenas estabelecimentos de serviço, tipo loja do cidadão com oferta do religioso, mas sim que sejam fontes de vida e esperança, de afetos e proximidade, então muito de tudo isso depende do modo como o sacerdote interpreta e realiza a sua existência, a sua pregação e a sua ação”, assinalou.

Aos “jovens, seminaristas e irmãos leigos” pediu que “testemunhem, aliás, que gritem a todos nós que fogo e sopro foi esse que vós recebestes, que mensagem o Espírito Santo vos comunicou” durante a JMJ Lisboa 2023. “Reuni-vos novamente, promovei encontros entre vós e partilhai, como os apóstolos no Cenáculo, quando sobre cada um deles poisou o Santo Espírito de Cristo Ressuscitado, e dizei-nos a mensagem, partilhai a inspiração que foi derramada”, convidou.

Na presença de autoridades do Estado, civis, militares e académicas, D. Rui Valério dirigiu-se às “inocentes vítimas” de abusos na Igreja, que, “quantas vezes”, o reino que “conheceram não foi o dos céus, mas do abismo, do sufoco, do trauma”, prometendo, “com garantia, proximidade e empenho na esperança da cura total”. Por último, “aos pobres, aos sem voz, aos excluídos”, não ofereceu “apenas solidariedade”, mas “a certeza” de que são “sempre, para a Igreja, um sinal, como ela, da presença de Cristo no meio de nós”.

O novo Patriarca de Lisboa terminou a homilia invocando Nossa Senhora e o padroeiro principal da diocese: “Maria, sede da sabedoria e senhora da evangelização, sob a vossa proteção colocamos a nossa vida e missão. Guiai, com São Vicente, o nosso amado Patriarcado, a amada Igreja de Lisboa, e sede nossa proteção e amparo”.

 

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Saudação de D. Joaquim Mendes

“Com o calor da fé, do afeto e da amizade queremos dizer-lhe com as palavras, mas sobretudo com o coração: Seja bem-vindo, como Pastor desta Diocese de Lisboa! Bendito o que vem em nome do Senhor! (…) Não tenha receio, Senhor Patriarca! Estamos aqui para remar consigo, na mesma barca, com a força da fé e da comunhão em Cristo nosso Bom Pastor, que nos acompanha. (…) Bispos, Cabido, Presbitério, Diáconos, Consagradas e Consagrados, Movimentos e Fiéis Leigos, aqui estamos para caminhar juntos, na senda da sinodalidade, na complementaridade dos carismas e ministérios que o Espírito distribui, para edificar o Corpo eclesial de Cristo e levar por diante a missão que o Senhor nos confia, com o impulso da recente Jornada Mundial da Juventude.”

D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa

 

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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, recebeu em audiência, a 4 de setembro, no Palácio de Belém, “o novo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, a seu pedido, para apresentação de cumprimentos”, segundo uma nota publicada no site da Presidência.

 

O Primeiro-Ministro encontrou-se, a 5 de setembro, com o novo Patriarca. “Na primeira reunião com o novo Patriarca de Lisboa, agradeci a D. Rui Valério o trabalho desenvolvido como Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança, desejando-lhe felicidades para a missão que agora inicia”, escreveu António Costa, no X (@antoniocostapm)

 

Ainda no dia 5 de setembro, D. Rui Valério foi também apresentar cumprimentos ao presidente da Assembleia da República. “Desejo as maiores felicidades ao novo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério, que hoje recebi na @AssembleiaRepub.”, desejou Augusto Santos Silva, igualmente na rede social X (@ASantosSilvaPAR)


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texto por Diogo Paiva Brandão; fotos por Arlindo Homem
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