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Papa confirma “uma segunda Laudato si’”
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O Papa Francisco anunciou que pretende publicar, no dia 4 de outubro, uma nova exortação. Na semana em que vai visitar a Mongólia, o Papa falou com jovens russos, lembrou as vítimas dos incêndios na Grécia e pediu compromisso pelos que “vivem à margem da sociedade”.

 

1. No final da audiência-geral de quarta-feira, o Papa anunciou que quer publicar a segunda parte da Encíclica Laudato si’. Francisco voltou a insistir no pedido de um “compromisso na defesa da criação”, lembrando a necessidade de “estar ao lado das vítimas da injustiça ambiental e climática”. Na Sala Paulo VI, no Vaticano, na manhã de dia 30 de agosto, o Papa disse que é preciso acabar com esta “terrível guerra mundial; uma guerra sem sentido contra a nossa casa comum”.

Na sua última intervenção, no encontro público semanal, quando se dirigia aos peregrinos de língua italiana, Francisco reafirmou o que tinha anunciado, no dia 21 de agosto, num encontro com uma delegação de advogados dos países membros do Conselho da Europa: “Depois de amanhã, primeiro dia de setembro, celebra-se o Dia Mundial de Oração pelo cuidado da Criação, inaugurando o tempo da Criação que durará até 4 de outubro, festa de São Francisco de Assis. Nessa data tenho a intenção de publicar uma exortação, uma segunda Laudato si’”.

O Papa exortou à união de todos “no compromisso de preservar a Criação como um dom Sagrado do Criador”, e insistiu na defesa “das vítimas da injustiça ambiental e climática”. “Esforcemo-nos em acabar com a guerra sem sentido contra a nossa casa comum que é uma terrível guerra mundial. Exorto todos vocês a trabalhar e orar para que ela abunde novamente de vida”, reforçou.

 

2. O Papa ia iniciar na quinta-feira, 31 de agosto, uma visita à Mongólia e, na véspera da sua viagem, durante a audiência-geral de quarta-feira, pediu orações. Na saudação aos peregrinos de língua espanhola, Francisco lembrou a viagem “ao continente asiático” e pediu o acompanhamento de todos através da oração “nesta jornada” que se prolonga até ao dia 4 de setembro, segunda-feira.

Já no Domingo passado, durante o Angelus, o Papa tinha-se manifestado “feliz por viajar para estar”, entre eles, “como um irmão de todos”. “Na próxima quinta-feira, partirei para uma viagem de vários dias ao coração da Ásia, à Mongólia. É uma visita há muito esperada e será uma oportunidade para abraçar uma Igreja que é pequena em número, mas viva na fé e grande na caridade. Será também uma ocasião para encontrar de perto um povo nobre e sábio, de grande tradição religiosa, que terei a honra de conhecer, sobretudo no contexto de um acontecimento inter-religioso”, referiu Francisco, aos fiéis reunidos na Praça de São Pedro.

Dirigindo-se diretamente aos “irmãos e irmãs da Mongólia”, o Papa disse estar “feliz por viajar para estar” entre eles “como um irmão de todos”. “Agradeço às vossas autoridades pelo amável convite e a todos os que estão a preparar a minha vinda com grande empenho”, acrescentou o Papa, que pediu para todos o acompanharem nesta deslocação “com orações”.

Francisco torna-se, assim, no primeiro Papa a visitar aquele país asiático. A Mongólia é um país de cerca de 3,4 milhões de habitantes e o censo nacional de 2010 refere que entre os mongóis com mais de 15 anos, 53% são budistas e 39% disseram não ter qualquer fé religiosa. O mesmo censo revela a existência de pouco mais de mil católicos e existem apenas três igrejas na capital, Ulan Bator.

 

3. O Papa disse a jovens russos para não esquecerem que são “os herdeiros da grande mãe Rússia”, e Moscovo aproveitou para saudar as afirmações. A Ucrânia não gostou, e o Vaticano teve que esclarecer o contexto da frase, garantindo que Francisco não queria glorificar o imperialismo russo.

A 25 de agosto, numa videoconferência com um grupo de jovens crentes reunidos numa igreja de São Petersburgo, o Papa declarou que estes são “os filhos da grande Rússia, dos grandes santos, dos reis, de Pedro o Grande, de Catarina II, de um povo russo de grande cultura e de grande humanidade”. Francisco também pediu para os jovens não esquecerem “essa grande herança”, nem que são “os herdeiros da grande mãe Rússia”, pedindo para “seguir em frente com ela”, e exortou os jovens russos a serem “artífices da paz” e a “lançarem sementes de reconciliação”.

O porta-voz do Vaticano frisou que o Papa “pretendia encorajar os jovens a preservar e promover o que é positivo na grande herança cultural e espiritual da Rússia”. Matteo Bruni acrescentou que o objetivo de Francisco “certamente” não era “exaltar lógicas imperialistas e personalidades governamentais, citadas para indicar certos períodos históricos de referência”.

A Nunciatura Apostólico de Kiev já tinha rejeitado as interpretações favoráveis à Rússia, argumentando que o Papa é “um firme opositor e crítico de qualquer forma de imperialismo ou colonialismo”.

 

4. O Papa lembrou as vítimas dos incêndios na Grécia. “Recordo na oração as vítimas dos incêndios ocorridos nestes dias no nordeste da Grécia. Manifesto a minha proximidade com o povo grego. E também com o povo ucraniano que tanto sofre com a guerra. Não esqueçamos a Ucrânia”, pediu Francisco, na habitual oração do Angelus, no Vaticano, no passado Domingo, 27 de agosto.

 

5. Em ‘O Vídeo do Papa’ do mês de setembro, Francisco pede orações para que “as pessoas que vivem à margem da sociedade, em condições de vida desumanas, não sejam esquecidas pelas instituições e jamais sejam descartadas”. E interroga-se: “Como é que deixamos que a ‘cultura do descarte’, na qual milhões de homens e mulheres não valem nada em relação aos benefícios económicos”, “domine as nossas vidas?”. “Por favor”, implora o Papa, “paremos de tornar invisíveis aqueles que estão à margem da sociedade, seja por motivos de pobreza, dependência, doença mental ou deficiência”.


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