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D. Rui Valério nomeado Patriarca de Lisboa
“Um bispo jovem, dinâmico e muito próximo do povo”
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Pela “simplicidade e profundeza teológica”, D. Rui Valério é um Patriarca à imagem do Papa Francisco. “Sobretudo, é um homem que não se fecha numa redoma, que quer ir ao encontro das paróquias e dos párocos”, garante o sacerdote que, nos últimos anos, residiu e contactou diariamente com o sucessor de D. Manuel Clemente. D. Rui Valério será, assim, o 18.º Patriarca de Lisboa.

 

“O que a Igreja de Lisboa pode esperar do novo Patriarca? Pode esperar um bispo jovem, dinâmico, muito próximo do povo. O D. Rui é um homem que gosta das periferias, assim como o Papa Francisco, é um homem da rua, com uma grande sensibilidade pastoral”. O padre Carlos Fernandes foi o sucessor, na paróquia da Póvoa de Santo Adrião, do então padre Rui Valério, quando este foi nomeado Bispo das Forças Armadas, em 2018, e residiu com o novo Patriarca até esta semana. Ao Jornal VOZ DA VERDADE, o sacerdote monfortino diz não ter dúvidas de que D. Rui Valério “compreenderá muito bem os problemas das paróquias, os problemas pastorais, mas também os problemas do próprio clero e dos próprios leigos”. E destaca a “boa formação teológica” do novo Patriarca de Lisboa. “É um homem que gosta de refletir, é um homem que lê muito e, sobretudo, procura aplicar a leitura, a teologia ao contexto da vida atual, à luz do Evangelho e dos documentos da Igreja. E também, por reflexão própria, procura de facto atualizar e transmitir aquilo que é a proposta da Igreja para o mundo concreto em que vivemos. Ele continuou a celebrar durante a semana, aqui, na igreja da Póvoa de Santo Adrião, e as suas homilias não eram muito repetitivas, tinham sempre inovação e sobretudo muita interpelação”, avalia.

 

Orgulho e alegria

Apesar de contactar diariamente, desde há vários anos, com D. Rui Valério, o padre Carlos refere que, pessoalmente, foi com “uma certa surpresa” que recebeu a notícia da nomeação do seu confrade para Patriarca de Lisboa. “Eu estava no norte do país e soube da notícia pela rádio. Sendo ele bispo, na sucessão do senhor D. Manuel Clemente estavam todos na calha. A comunicação social falava dele, não talvez como uma primeira proposta, mas ele nunca fez nenhuma observação ao diálogo que foi tendo nas últimas semanas. Por isso, a nomeação foi, para mim, uma surpresa, quando ouvi na rádio”, assegura, recordando a manhã do passado dia 10 de agosto.

Entre os padres Monfortinos, confidencia este sacerdote, “alguns rezavam para que o D. Rui não fosse nomeado Patriarca. Porquê? Porque a missão não é fácil, nós sabemos”. Mas o sentimento é de “orgulho” e “alegria”. “Sentimo-nos contentes. De facto, somos uma congregação muito pequena, sem muita expressão em Portugal, e que também, de certa maneira, se vê um pouco, entre aspas, ‘premiada’ pelo reconhecimento de um confrade, um sacerdote monfortino que tem, e sempre demonstrou, grande valor”, reconhece. “Esta nomeação do Papa dá-nos uma certa alegria porque o conhecemos bem, sabemos que é uma pessoa de fé, uma pessoa de muita oração, de muita espiritualidade e é um exemplo para todos nós e certamente será também um exemplo para todos os leigos e clero do Patriarcado de Lisboa pela sua profundidade espiritual e pelo bom relacionamento que ele sempre teve com as pessoas, sempre cordial, sempre diplomata, mas também sempre firme nas suas decisões e nas suas opções”, acrescenta, sublinhando que a ‘sua’ paróquia da Póvoa de Santo Adrião recebeu a notícia “com muito entusiasmo”.

 

À imagem do Papa Francisco

Nos dias que se seguiram à nomeação, e nestes que faltam até à tomada de posse e entrada solene, o padre Carlos Fernandes assegura que D. Rui Valério tem estado “sereno”. “Não tivemos muitas ocasiões para estar juntos, porque estive de férias. Mas ele tem pensado muito no Patriarcado e nos desafios que se colocam. Ele olha para este desafio como uma missão, mas uma missão da Igreja, não é uma missão pessoal”, frisa, lembrando que o novo Patriarca vai agora “conhecer a diocese por dentro”. “O D. Rui já conhecia alguma coisa e vai procurar dar um impulso, sobretudo na sequência da Jornada Mundial da Juventude. Uma coisa que ele já falava e que estava preocupado, até muito antes de ser sondado, era sobre como a Igreja em Portugal vai fazer no pós-Jornadas. Ou seja, o que temos de fazer, como Igreja, sobretudo para aproveitar esta onda e dar um incentivo pastoral juvenil muito forte ao Patriarcado de Lisboa, mas também a todas as dioceses”, revela.

O padre Carlos Fernandes é três anos mais velho do que o novo Patriarca, que conheceu no Seminário Monfortino, em Fátima. Frequentaram juntos o seminário menor e depois, mais tarde, encontraram-se em Roma, em Castro Verde, na Diocese de Beja, na Escola Naval e na paróquia da Póvoa de Santo Adrião. “O D. Rui é um Patriarca à imagem do Papa Francisco! Não tenho dúvidas. Pela simplicidade, pela sua profundeza teológica. Sobretudo, é um homem que não se fecha numa redoma, que quer ir ao encontro das paróquias e dos párocos. Por onde passou, não só na Póvoa, mas também no Alentejo, teve sempre uma atenção sobretudo àquelas franjas das periferias. Na Póvoa, recordo um bairro que ele acompanhou muito, mas também na zona sul, no Olival Basto, zonas com bairros sociais muito difíceis, muito degradados, que ele sempre procurou estar presente, até na visita pascal, e ir ao encontro daquelas pessoas. Nesse aspeto, é um bispo à imagem do Papa Francisco, um bispo para os tempos modernos, para os tempos atuais, para os tempos que correm”, termina o sacerdote monfortino, que nos últimos anos contactou diariamente com o novo Patriarca de Lisboa.

 

Perfil

D. Rui Manuel Sousa Valério nasceu a 24 de dezembro de 1964, em Urqueira, no concelho de Ourém. Ingressou no Noviciado na Congregação dos Padres Monfortinos, no ano de 1984, em Santaeramo-in-Colle, Itália, e, um ano depois, transferiu-se para Roma onde frequentou o curso de curso de Filosofia e, em 1987, o de Teologia. Realizou a profissão perpétua em outubro de 1990, tendo sido ordenado sacerdote em 23 de março de 1991. No ano de 1995, ingressou no curso de Espiritualidade, no Centre International Montfortain. De regresso a Portugal, inscreveu-se na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa.

Do ponto de vista pastoral, desenvolveu a sua a sua ação sobretudo a nível paroquial. Esteve, por duas, vezes em Castro Verde, na Diocese de Beja, e, por duas ocasiões, foi colaborador na paróquia da Póvoa de Santo Adrião. Entre 2008 e 2011, foi capelão militar na Marinha, na Escola Naval, e a 25 de setembro de 2011 tomou posse da paróquia da Póvoa de Santo Adrião, sendo, em 2016, no Ano da Misericórdia, um dos 1071 sacerdotes que o Papa enviou como ‘Missionários da Misericórdia’, durante o Jubileu extraordinário.

Em 27 de outubro de 2018, D. Rui Valério foi nomeado Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança de Portugal e recebeu a Ordenação Episcopal a 25 de novembro de 2018, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa. A 3 de dezembro de 2018, tomou posse como capelão-chefe da Igreja Católica, tendo acompanhado as missões internacionais das Forças Armadas e de Segurança Portuguesas destacada em países como São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, República Centro-Africana, Roménia e Lituânia.

A 3 de dezembro de 2021, D. Rui Valério foi condecorado pelo chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas com a Medalha Cruz de São Jorge, de 1.ª Classe. Já antes, a 26 de junho de 2020, o novo Patriarca de Lisboa tinha recebido a mais alta condecoração da Guarda Nacional Republicana (GNR), a Medalha de D. Nuno Álvares Pereira, de 1.ª Classe. D. Rui Valério é ainda delegado da Conferência Episcopal Portuguesa para as Relações Bispos/Vida Consagrada e membro da Comissão Episcopal Missão e Nova Evangelização.

No passado dia 10 de agosto, o Papa Francisco nomeou D. Rui Valério, de 58 anos, como novo Patriarca de Lisboa, sucedendo a D. Manuel Clemente. A tomada de posse do 18.º Patriarca de Lisboa está marcada para este sábado, dia 2 de setembro, às 11 horas, na Sé Patriarcal, diante do Cabido. A entrada solene tem lugar no dia seguinte, Domingo, 3 de setembro, às 16 horas, na Igreja de Santa Maria de Belém (Jerónimos).

 

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Mensagem à amada Igreja de Lisboa

“Obrigado, Lisboa, capital da juventude e cidade da esperança, por teres iluminado de alegria o céu do mundo e fortalecido de amor o coração de todos os que acreditam na Vida. Para sempre os teus dias serão Jornadas de encontro e a tua história de horizontes onde todos têm lugar”. Foi com estas palavras que o Patriarca eleito, D. Rui Valério, iniciou a sua ‘Mensagem à amada Igreja de Lisboa’.

No texto publicado na manhã do dia da sua nomeação, 10 de agosto, D. Rui Valério sublinhou que “apenas três sentimentos” tomavam conta do seu “coração” na “circunstância do chamamento deste pobre e humilde servo do Senhor para Patriarca de Lisboa”. “O primeiro está contido nas palavras temor e tremor: A minha alma glorifica o Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador, porque olhou para este humilde servo e, embora conhecendo a dimensão e natureza dos seus limites, o chamou à grandiosa missão de servir a Igreja de Lisboa. Uma Barca imensa repleta de vida, de serviço, de santidade e de história missionária… uma grandiosidade a contrastar com a pequenez dos meus remos” escreveu, apontando que “o segundo sentimento decorre” da sua “intenção de escutar”. “Estamos convocados a escutar-nos reciprocamente, permanecendo e caminhando juntos, ao bom jeito de sinodalidade, para escutar a voz de Deus na Palavra que Ele dirigiu a cada um de nós. Assim, a escuta é ponto estruturante do nosso programa”, anunciou, focando depois a “alegria no serviço” como “terceiro sentimento”, e acreditando que “a Igreja de Lisboa estará à altura da confiança que Cristo Jesus uma vez mais lhe confiou”. Na mensagem que pode ser lida na íntegra no site do Patriarcado (www.patriarcado-lisboa.pt), D. Rui Valério deixa, no final, diversas saudações.

No dia da sua nomeação, da parte da tarde, o novo Patriarca de Lisboa, numa mensagem vídeo, assegurou “disponibilidade total” para a nova missão. “Da minha parte, uma disponibilidade total a estar presente, a participar e a partilhar de todos os momentos de vida, de todas as esperanças, de todos os grandes projetos que possamos ter. Um bem-haja e obrigado pelas vossas felicitações e pelo vosso acolhimento”, referiu D. Rui Valério.

Mensagem vídeo em: www.youtube.com/patriarcadolx

 

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Saudação ao novo Patriarca de Lisboa

D. Manuel Clemente agradeceu ao Papa Francisco a nomeação de D. Rui Valério como seu sucessor. “Agradeço a nomeação, pelo conhecimento que tenho das necessidades da Diocese e das qualidades humanas e pastorais de D. Rui Valério. Sacerdote monfortino (Missionários da Companhia de Maria), trabalhou vários anos connosco, sendo pároco, vigário, membro do Conselho Presbiteral e do Sínodo Diocesano de 2016, em cuja aplicação continuamos. Em tudo se revelou como homem de Deus, ao serviço do Seu povo, com a espiritualidade mariana tão própria do fundador do seu Instituto, São Luís Maria Grignion de Montfort. D. Rui é um pastor cordial e próximo, pronto a corresponder ao que mais urja para o bem de cada um e das comunidades que serve. Coincide com o que o Evangelho requer e o Papa Francisco pede aos pastores da Igreja, como certamente foi tido em boa conta para a presente nomeação”, escreveu o agora Administrador Apostólico de Lisboa, agradecendo “muito reconhecidamente ao Povo de Deus do Patriarcado de Lisboa”, que sempre o “acompanhou na oração e na colaboração pastoral”.

 

Agradecimento e alegria

Os membros do secretariado permanente do Conselho Pastoral Diocesano de Lisboa exprimiram “alegria” pela nomeação do novo Patriarca, assegurando “as nossas orações, a nossa comunhão e a nossa colaboração na missão que o espera, dando continuidade ao caminho sinodal e à sementeira lançada pela Jornada Mundial da Juventude”. A D. Manuel Clemente, a mensagem agradece “os dez anos de inestimável e incondicional serviço à diocese, com as muitas agruras a que nunca fugiu; o caminho de sinodalidade que vimos percorrendo e que queremos continuar; e a arrojada iniciativa da Jornada Mundial da Juventude”.

Também a Federação Solicitude – Federação dos Centros Sociais e Paroquiais e Outras Entidades Canónicas de Acção Sócio-Caritativa, de Formação, Ensino e Saúde garantiu ao novo Patriarca de Lisboa a “inteira disponibilidade para sermos as suas mãos, os seus braços, os seus pés e, sobretudo, o seu coração de pastor junto daqueles que mais necessitam”. Sobre D. Manuel Clemente, a carta lembra que “o serviço da caridade foi dando frutos graças à inspiração divina e graças à constante dedicação e entrega do nosso Bispo”.

 

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Armas de Fé de D. Rui Valério


Descrição Heráldica

Escudo azul-celeste dividido em três campos por cruz em prata. No campo superior, a pomba em prata; no campo à direita, uma vieira sobre três linhas onduladas, tudo em ouro; no campo à esquerda, estrela de sete raios de ouro.

O escudo assente sobre cruz arquiepiscopal (patriarcal) de ouro com pedraria de vermelho, encimada por chapéu de 15+15 borlas, como é uso dos Patriarcas da Igreja Latina, tudo de púrpura como é próprio do Patriarca de Lisboa.

Sotoposto ao escudo, listel dourado que ostenta o lema a vermelho, em maiúsculas, “IN MANIBUS TUIS”.

 

Interpretação

O azul-celeste inunda o espaço do escudo. É a cor dos Céus que a tradição cristã identifica com o Sagrado, com Deus, a origem absoluta de tudo quanto existe. É para o Céu que o crente é convidado a dirigir a sua atenção. É nele que habita a sua Pátria definitiva. Peregrinamos no tempo à procura da eternidade. Não foi para a escassez dos instantes que fomos criados, mas para essa morada definitiva e intemporal que a cada momento nos interpela a deixarmos tudo por seu amor.

A cruz da sabedoria. Y: O brasão está centrado na primeira letra de YIÓS, Filho. Evoca Cristo, o Filho amado do Pai que, na cruz, de braços abertos e estendidos, se oferece pela salvação do mundo.  Afirmação cristocêntrica, pois tudo se realiza a partir d’Ele e converge para Ele que, no Sacrifício de amor, nos revela a Verdadeira Sabedoria. A cruz da sabedoria que divide o campo do escudo, é memória de Cristo crucificado, “escândalo para os judeus e loucura para os gentios. Mas, para os que são chamados, é poder e sabedoria de Deus. Porque, o que é tido como loucura de Deus é mais sábio que os homens e o que é tido como fraqueza de Deus é mais forte que os homens” (1 Cor. 1,23-25).

Rasga-se o Céu e o Espírito desce sobre Jesus, em forma de pomba (Lc. 3, 21-22). É o dom inaudito que o Pai comunica ao Filho para que este o reserve sobre todos os que abraçarem a boa notícia segundo a qual Deus nos ama sem reservas nem limites. É no Espírito que a vida íntima de Deus se derrama sobre a humanidade. Através do Espírito, Deus consagra o seu eleito para a missão de “anunciar a Boa-Nova aos pobres”, “proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista”, “libertar os oprimidos” e “proclamara um ano favorável da parte do Senhor” (Lc. 4, 18-19).

No batismo – que a vieira e as linhas onduladas das águas simbolizam – o crente é ungido no Espírito e enxertado em Cristo. Uma nova vida se configura no coração do homem novo. As águas primordiais são o princípio da vida, a renovação do ser e a recuperação de tudo o que parecia perdido. Mas este dom deve ser recursivamente trazido à consciência e nela assumido. Assim, ao longo da vida, entre tribulações e caminhos inesperados, torna-se necessário renovar essa promessa originária que um tempo fora efetuada no baptismo, como Luís Maria Grignion de Monfort propôs, no carisma que doou à Igreja. Ainda, segundo uma interpretação fundada em Santo Agostinho, a vieira evoca a profundidade do mistério de Deus no qual o baptismo, pelo dom do Espírito Santo, nos faz mergulhar.

As águas onde a vida baloiça recordam também o tempo que servi na Armada e nela entendi quão valiosa é a camaradagem e o bem comum.

Mas a história pessoal tem as suas particularidades. Nascido na Diocese de Leiria-Fátima, foi à luz e Maria, a Mãe de Jesus e a Senhora de Fátima, a Senhora mais brilhante que o sol, que amadureci para a vida cristã. E por um acaso providencial, encontrei a congregação dos padres monfortinos, onde cresci humana e espiritualmente, nessa devoção a Maria que é caminho para Deus. Foi à sombra do olhar atento e materno de Nossa Senhora de Fátima que vi medrar em mim a vocação sacerdotal e o desejo de entrega aos humildes e aos pobres (Lc. 1, 52-53), bem como às crianças a quem Maria se fez presente nesse desconhecido fim do mundo que era, então, a Cova da Iria. Foi aí também que incessantemente a Senhora de Fátima se não cansou de repropor o apelo à oração e à conversão, no espírito originário da Boa Nova: “Completou-se o tempo e o Reino de Deus está próximo: arrependei-nos e acreditai no Evangelho” (Mc. 1, 15).

“O meu destino está nas tuas mãos” (Sl. 31, 16), canta o salmista no meio das provações da vida. Não há maior felicidade do que abandonar-se inteiramente nas mãos de Deus, nas mãos d’Aquele que nunca nos falta, ainda que se desmoronem todas as certezas e vacile a confiança entre os homens. Só Deus basta.

Segundo a interpretação de Santo Ireneu, as mãos de Deus são o Seu Filho, Jesus Cristo, e o Espírito Santo, nos quais nos é dado viver.

E conquanto Cristo haja sentido o mais atroz de todos os sofrimentos (Mc. 15, 34), foi nas mãos do Pai que ele entregou confiadamente o seu espírito (Lc. 23, 46). Vivo, por isso, no desejo ardente de permanecer, sossegado e tranquilo, nas mãos de Deus, como criança saciada ao colo de sua mãe (Sl. 131, 2).

 

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“O Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, por ocasião da cessação de funções como Bispo das Forças Armadas e das Forças de Segurança e Vigário Castrense, agradece ao Senhor D. Rui Valério a dedicação constante e qualificada com que exerceu as suas funções nos últimos cinco anos. Formula os melhores votos para a nova missão, para que acaba de ser designado, substituindo o Senhor D. Manuel Clemente.”

Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, numa nota

 

“Quero desejar as maiores felicidades ao novo Patriarca de Lisboa, D. Rui Valério. A D. Manuel Clemente, quero também deixar uma saudação especial pelo trabalho desenvolvido, nos últimos anos, com a comunidade e toda a colaboração que culminou com a Jornada Mundial da Juventude.”

Primeiro-Ministro, António Costa, no X (@antoniocostapm)

 

“Foi sempre um excelente capelão das Forças Armadas. Viajei diversas vezes com ele a São Tomé e tudo fez para estar muito próximo das pessoas. Vi sempre um trabalho extraordinário de D. Rui Valério e, portanto, fico muito contente. Estou mesmo muito satisfeito por esta nomeação. A grande marca é uma humildade extraordinária, uma grande fé no ser humano, na redenção do ser humano e uma grande bondade. E essas coisas, todas unidas, fazem dele uma pessoa muito especial.”

Chefe do Estado Maior da Armada, almirante Gouveia e Melo, à Renascença

 

“D. Rui Valério tem um percurso notável, destacando-se sempre pela sua dedicação e sentido de serviço ao próximo. Dirige os melhores votos para a missão do novo patriarca e agradece a D. Manuel Clemente pela sua dedicação nos últimos 10 anos de mandato, período que atravessou a pandemia e culminou com a realização da JMJ Lisboa 2023.”

Presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, numa nota

 

“O Município de Ourém saúda a nomeação de D. Rui Valério como novo Patriarca de Lisboa, na mesma medida em que se congratula por ver mais oureense em funções de prestígio imensurável e relevância extrema. Natural de Urqueira, Rui Manuel Sousa Valério foi sempre um digníssimo representante do nosso Concelho, ao longo de uma vida inteira dedicada à Igreja, ao serviço do próximo e em prol das mais nobres causas sociais.”

Presidente da Câmara Municipal de Ourém, Luís Miguel Albuquerque, numa nota

 

“A Conferência Episcopal Portuguesa congratula-se com esta nomeação e saúda D. Rui Valério como Patriarca de Lisboa. (…) Que D. Rui Valério seja abençoado pela força do Espírito no serviço pastoral a que é chamado como pastor no Patriarcado de Lisboa e que os dinamismos pastorais e espirituais celebrados na JMJ continuem presentes na renovação da Igreja em Lisboa, para que seja cada vez mais sinodal, missionária, evangelizadora e acolhedora de todos.”

Nota da Conferência Episcopal Portuguesa

 

“Queremos expressar o nosso agradecimento pelo serviço prestado por D. Rui Valério na Diocese Castrense, onde a sua dedicação e compromisso foram verdadeiramente inspiradores. Que a sua nova missão como Patriarca de Lisboa seja iluminada pelo Espírito Santo, guiando-o na sua missão de liderança e pastoreio. Desejamos a D. Rui Valério muito sucesso e bênçãos na sua nova missão, confiantes de que continuará a ser um exemplo de fé, esperança e caridade para todos nós. Agradecidos e reconhecidos pelo fecundo trabalho pastoral querem os Padres que servem esta Diocese garantir a sua comunhão espiritual e a força da sua oração para que de forma tão profícua cumpra a missão agora confiada.”

Nota da Diocese das Forças Armadas e das Forças de Segurança

 

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“Está em boas mãos o Patriarcado”

O superior da Delegação dos Padres Monfortinos em Portugal destacou a “densidade teológica e preparação intelectual” do novo Patriarca de Lisboa, reconhecendo que essas capacidades “nunca o afastaram do povo”. Para o padre Amílcar Tavares, em declarações à Agência Ecclesia, D. Rui Valério “é um homem arejado, denso do ponto de vista teológico e espiritual, e está muito atualizado, está por dentro da caminhada atual”. “A sua grande capacidade de trabalho, zeloso, ajudam a radicar a confiança que depositamos nele. Está em boas mãos o Patriarcado, dá-me esperança”, considerou o sacerdote, garantindo que para os Padres Monfortinos “não foi surpresa” a nomeação “tendo em conta o trabalho missionário que o nosso confrade realizou na congregação e desde há quatro anos na Diocese das Forças Armadas e de Segurança”. “O seu dinamismo e criatividade leva-me a dizer que vai fazer um bom trabalho, seja com leigos como com a sua proximidade ao clero”, sublinhou o padre Amílcar Tavares.

 

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Presença em Mafra

Cinco dias depois da nomeação, o Patriarca eleito esteve na paróquia de Mafra, na conclusão das obras de beneficiação da Igreja de Nossa Senhora da Lapa, na Barreiralva. A intervenção resultou da colaboração entre o Município de Mafra, a Junta de Freguesia de Mafra, a paróquia, a Caixa de Crédito Agrícola Mútuo de Mafra e a comunidade local, que se mobilizou para angariar fundos. A cerimónia, a 15 de agosto, Solenidade da Assunção, contou com a presença de D. Rui Valério, naquele que foi o seu primeiro ato público após a nomeação pelo Papa Francisco.

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