Cáritas de Lisboa |
Cáritas Paroquial da Falagueira - ‘Os Samaritanos’
Ser voluntário é simplesmente ser humano
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Em 2012, um grupo de paroquianos orienta a sua vontade de fazer alguma coisa para a ação social, privilegiando os mais vulneráveis da comunidade. Assim nasce o projeto de ação social da Paróquia de Nossa Senhora da Lapa da Falagueira, na Vigararia da Amadora. Em 2015, decidimos e concretizamos o sonho de sermos reconhecidos como Cáritas Paroquial. Foi um momento de grande alegria, nomeadamente para o Padre Fernando de Cima, nosso pároco na altura. A nossa sede fica no Centro Paroquial da nossa igreja. As instalações são pequenas e modestas, até porque também nós somos um grupo pequeno, mas que vai fazendo acontecer o apoio àqueles que nos chegam.

 

Como primeiro voluntário do grupo está o Padre Vicente, que nos dedica um apoio incondicional. Muitas vezes, num primeiro contacto, é o Padre Vicente que acolhe as pessoas e as encaminha para o nosso grupo. Sentimos que este envolvimento do senhor padre se torna um conforto para quem vem pedir ajuda, tal como é de orientação e apoio a relação que mantemos com o nosso pároco José Miguel Ramos.

Entregamos alimentos e medicamentos e ouvimos quem precisa de um conselho. Se a resposta ultrapassa as nossas capacidades, encaminhamos as pessoas para entidades com outras competências, tal como a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia e Instituições de cariz social que estão perto da nossa área de atuação. A Caritas de Lisboa tem sido sempre um dos nossos braços de apoio.

Como não temos orçamento, nem apoios de entidades estatais, trabalhamos com base na nossa criatividade e no reconhecimento e apoio da nossa comunidade. Temos uma caixa solidária em permanente angariação de fundos e fazemos campanhas solidárias para recolha de alimentos, com o apoio dos jovens e famílias da catequese. Tentamos ser um grupo atento ao meio envolvente, saindo ao encontro das periferias, até porque a nossa comunidade é vizinha de vários bairros onde sabemos que as carências existem, não só de alimentos e de outros bens, mas também de afetos.

Ao longo dos anos fomos percebendo que estar ao serviço, como voluntário Cáritas, exige grande capacidade de dar e de saber receber, uma boa gestão de emoções, saber estar, ser e fazer, muito rigor e resiliência. É preciso saber identificar e ouvir para apoiar as necessidades prementes; é preciso ajudar quem chega e saber identificar o seu problema, procurando soluções no curto prazo; é preciso proporcionar as ajudas possíveis, a cada um, visando uma resposta global e estruturada que promova a autonomia; é preciso minorar as carências, sensibilizar a comunidade próxima e alargada para as necessidades reais que existem; é preciso divulgar a atividade com o propósito de nos darmos a conhecer e de criarmos laços de confiança com a comunidade; é necessário criar iniciativas que ajudem a motivar outros para este serviço; é necessário garantir a boa integração de cada elemento do grupo.

Foi esta metodologia e forma de intervir que nos ajudou nos tempos de confinamento. Um voluntário em confinamento precisa de se sentir igualmente ao serviço. A nossa metodologia de trabalho fez com que mesmo nesses anos de pandemia não perdêssemos o foco, quando fomos obrigados a fazer voluntariado através das nossas “janelinhas virtuais”. Aqui socorremo-nos de outra ferramenta bem mais forte. Pautamos a nossa atividade com reuniões mensais de grupo, onde nunca falta a oração, que nestes anos de 2020, 2021, se revelou uma verdadeira fortaleza. A nossa voluntária Maria Luisa é a habitual orientadora deste momento de oração, partindo sempre da Palavra de Deus. Terminamos habitualmente este momento de oração, lembrando sempre os problemas que vamos sentido na sociedade em que vivemos, dando graças a Deus pelo apoio e proteção com que nos abençoa.

Os voluntários mais jovens fazem sempre a diferença pela sua juventude, capacidade de comunicação e empatia. Nos tempos mais difíceis foram fonte de inspiração e de fortaleza no exercício da caridade.

O desafio de servirmos com poucos recursos e o desenvolvimento da criatividade resultaram do esforço e do envolvimento de todos, mesmo quando tivemos de respeitar as regras que a vida nos impôs durante a pandemia. A Alegria e o afeto continuaram a ser a nossa motivação. Em todos os momentos, os jovens colaboram connosco. O grupo paroquial de Jovens Sorriso desenvolve, por sua iniciativa e a miude, uma recolha de alimentos junto de toda a comunidade, fazendo reverter o seu resultado a favor das famílias que são acompanhadas por este grupo de ação social. Os Samaritanos promovem a criação de laços com outros grupos próximos de si, sempre com um propósito maior: apoiar todos aqueles que precisem.

A Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023, e as iniciativas que têm sido desenvolvidos, fizeram os jovens ainda mais sensíveis para as causas socias. Com base nos encontros “Rise Up”, os jovens da Falagueira vestiram, mais uma vez, a camisola dos Samaritanos e o resultado foi mais uma recolha de alimentos. Em troca deste apoio, o grupo decidiu ceder o seu espaço para receber peregrinos durante a primeira semana de agosto. O voluntariado ao serviço da Caritas é muito mais do que disponibilizar do nosso tempo a favor do outro. Este voluntariado é a tradução integral do primeiro mandamento da Lei de Deus. É um gesto enorme de amor e dedicação, fazendo outros acreditar que amor gera amor e que caridade e misericórdia devem ser praticados com gestos nobres de entrega, sem nada esperar.

Que Deus nos oriente sempre nesta missão de ser voluntário. Que esta vontade de ajudar e servir ajude a completar a grande missão que é a vida.

texto e fotografias: ‘Os Samaritanos’ - Cáritas Paroquial da Falagueira
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