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Roma
“Proveniência dos novos cardeais exprime a universalidade da Igreja”
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O Papa Francisco anunciou a criação de 21 cardeais, entre os quais D. Américo Aguiar. Na semana em que lamentou a violência entre israelitas e palestinos, o Papa alertou para a tirania “comercial” no desporto, recordou a viagem a Lampedusa e o Vaticano divulgou os participantes no Sínodo de outubro, com número recorde de mulheres.

 

1. O Papa Francisco vai presidir, a 30 de setembro, a um consistório para a criação de 21 novos cardeais, incluindo D. Américo Aguiar, Bispo Auxiliar de Lisboa, além de responsáveis da Cúria Romana e de dioceses dos vários continentes. A lista anunciada no passado Domingo, 9 de julho, inclui 18 futuros cardeais com menos de 80 anos de idade, eleitores num futuro Conclave. “A sua proveniência exprime a universalidade da Igreja, que continua a anunciar o amor misericordioso de Deus a todos os homens da terra”, indicou Francisco, que falava desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação do Angelus. Esta nomeação, acrescentou, manifesta a “ligação inquebrável entre a sede de Pedro”, ou seja, a Diocese de Roma, e as “Igrejas particulares espalhadas pelo mundo”. “Rezemos pelos novos cardeais, para que, confirmando a sua adesão a Cristo, misericordioso e fiel Sumo Sacerdote, me ajudem no meu ministério de Bispo de Roma para o bem de todo o fiel Povo Santo de Deus”, concluiu.

O Colégio Cardinalício tinha, até agora, 222 membros (121 eleitores, 101 com mais de 80 anos), incluindo cinco portugueses: D. Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. António Marto, Bispo emérito de Leiria-Fátima, D. Tolentino de Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e a Educação, todos criados pelo Papa Francisco e eleitores num eventual conclave; e D. Manuel Monteiro de Castro, penitenciário-mor emérito; e D. José Saraiva Martins, prefeito emérito da Congregação para as Causas dos Santos, ambos com mais de 80 anos.

Este será o nono consistório do atual pontificado, sendo que 81 dos atuais eleitores foram escolhidos pelo Papa Francisco e 13 cardeais cumprem 80 anos de idade nos próximos 12 meses, deixando de poder votar num eventual Conclave.

 

2. O Papa apelou, no Vaticano, ao fim da violência entre israelitas e palestinos, que provocou várias mortes nos últimos dias. “Soube, com dor, que mais uma vez foi derramado sangue na Terra Santa. Desejo que as autoridades israelitas e palestinas possam retomar um diálogo direto, a fim de pôr fim à espiral de violência e abrir caminhos de reconciliação e de paz”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação da oração do Angelus, no passado Domingo, 9 de julho.

Francisco deixou ainda uma saudação a um grupo de ucranianos, presentes na Praça de São Pedro, abençoando um povo “tão provado”. “Rezemos por este povo, que sofre tanto”, convidou o Papa, que, na sua reflexão inicial, lembrou que a “grandeza” do amor de Deus “não é compreendida por quem tem a presunção de ser grande e constrói um deus à própria imagem: poderoso, inflexível, vingativo”. “Por outras palavras, não consegue acolher Deus como Pai quem está cheio de si, orgulhoso, preocupado somente com os próprios interesses, estes são os presunçosos, convencidos de que não precisa de ninguém”, alertou.

Francisco assinalou também o Domingo do Mar, que a Igreja assinalava naquele dia, lamentando a poluição provocada pelo plástico. “Agradeço aos marinheiros, que guardam o mar de várias formas de poluição”, salientou, estendendo o agradecimento aos “capelães e voluntários do Apostolado do Mar”.

 

3. Ao receber dirigentes e futebolistas do Celta de Vigo, por ocasião do centenário de fundação do clube espanhol, o Papa alertou para a transformação do desporto numa atividade “comercial”, perdendo o seu sentido mais genuíno. “Quando o desporto, neste caso o vosso, perde a dimensão amadora, perde o sentido, torna-se comercial ou simplesmente asséptico, sem paixão”, frisou, numa audiência no dia 10 de julho, no Vaticano, destacando a importância do “trabalho de equipa” no desporto, que implica “entregar-se com generosidade, sem poupar esforços, e saber sacrificar-se pelos outros quando necessário”. “Da mesma forma, significa aceitar que o confronto com outras equipas serve para melhorar, aprender, colocar-nos à prova e aperfeiçoar o nosso jogo. O desporto é motivo e ocasião para redescobrir e fomentar muitos valores da nossa sociedade”, indicou o Papa, que brincou com a proximidade das cores oficiais do Celta e da seleção da Argentina, em tons de azul.

 

4. Nos 10 anos da visita que realizou a Lampedusa, no sul de Itália, o Papa lamentou a repetição de graves tragédias no Mediterrâneo, considerando-as verdadeiros “massacres silenciosos diante dos quais ainda permanecemos impotentes e atónitos”. Numa carta enviada ao Bispo de Lampedusa, Francisco refere que “a morte de inocentes, principalmente crianças, em busca de uma existência mais pacífica, longe das guerras e da violência, é um grito doloroso e ensurdecedor que não nos pode deixar indiferentes”. “É a vergonha de uma sociedade que não já não sabe chorar nem ter pena do outro”, escreveu.

 

5. O Vaticano divulgou, a 7 de julho, os cerca de 450 participantes na XVI Assembleia Geral do Sínodo dos Bispos, com o tema ‘Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação, missão’, que vai decorrer em outubro, com um número recorde de mulheres. Uma das novidades deste encontro é a presença de 70 membros não-bispos, pela primeira vez com direito a voto num Sínodo, nomeados pelo Papa a partir de uma lista inicial de 140 pessoas identificadas pelos sete organismos internacionais das Conferências Episcopais. Este grupo de “testemunhas do processo sinodal”, assim designadas pela Santa Sé, inclui 42 mulheres (60% do total) – 28 leigas e 14 religiosas –, 13 leigos e 15 sacerdotes, diáconos e consagrados.

Em 2021, o Papa tinha nomeado a religiosa francesa Nathalie Becquart como subsecretária do Sínodo dos Bispos, que se tornou a primeira mulher com direito de voto na assembleia sinodal; em outubro, esse número chegará a 54 mulheres, entre leigas e religiosas.

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