Domingo |
À procura da Palavra
O que semeamos?
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DOMINGO XV DO TEMPO COMUM Ano A

“Outras caíram em boa terra e deram fruto:
umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um.
Quem tem ouvidos, oiça.”
Mt 13, 8-9

Em torno da semente, do terreno em que se semeia e dos frutos que desejamos colher podemos reflectir muito do viver humano. Assim a parábola do semeador que Jesus nos oferece, questiona os nossos sonhos e as nossas escolhas, o que desejamos para o mundo e o que fazemos por ele, e também o que Deus nos convida a ser. Diz o povo que “quem semeia ventos, colhe tempestades”, e isso costuma concretizar-se nas guerras e conflitos. Não parecem as bombas e drones explosivos da guerra na Ucrânia sementes de morte e destruição? Deixámos de acreditar nas sementes de paz, de diálogo, de pontes que importa reerguer? 

Como em tantos outros conflitos do nosso tempo, a lógica do poder e do domínio não leva a uma verdadeira paz. Porque assenta sobre a destruição de outros e legitima-se pela força, apenas dura até vir uma força maior. O valor humano é irredutível a qualquer espécie de força. E estamos tão possuídos por esta “doença do poder”, por esta ânsia em dominar! É tão curta a vida para tão desmesurada ambição!

Diante da lógica publicitária, que mede os frutos em termos de audiência e consumo imediato, a parábola do semeador pouco valor tem. Não sabemos as sementes que vão germinar, há um tempo de espera que custa muito, é preciso cuidar das pequenas plantas. Uma coisa podemos fazer: preparar o terreno. Mesmo que acredite na força das sementes, nenhum agricultor sério descuida essa importância de preparar o campo. Retirar-lhe as pedras, arrancar e queimar os espinhos, passar o arado ou a enxada. Mas esta parábola vai ainda mais longe. Este surpreendente semeador lança a semente em todo lado. É mais urgente esse acto do que ter todos os campos preparados. Porque as sementes têm uma força insuspeitada!

Alguns grãos de trigo com três mil anos encontrados nas pirâmides egípcias, uma vez semeados, produziram trigo como se fossem sementes jovens! É sempre possível a esperança se não optarmos pela morte! Se não deixarmos de acreditar no imenso dom que é a vida de cada pessoa, se não quisermos impor só o nosso ponto de vista, se não transformarmos em absoluto o que é relativo. Assim se rompe o casulo da morte em que estávamos. Viver é também a arte de lançar sementes. As da Palavra de Deus que dão fruto a seu tempo. Umas que já conhecemos, e as outras que ainda estão adormecidas dentro de cada um. Algumas só descobrimos quando “abrimos o saco”. São surpresas de vida que Deus dá em abundância!

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