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Papa cria “Comissão dos Novos Mártires” para o Jubileu 2025
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O Papa Francisco constituiu uma nova comissão, que foi alargada a todas as confissões cristãs. Na semana em que enviou uma mensagem aos participantes da 43.ª conferência da FAO, o Papa destacou o poder da oração, viu o seu enviado à Rússia terminar a missão e celebrou a Solenidade dos Santos Pedro e Paulo.

 

1. O Papa anunciou a criação da “Comissão dos Novos Mártires - Testemunhas da Fé’, no Dicastério para as Causas dos Santos, no contexto da celebração do próximo Jubileu, no Ano Santo de 2025. O novo organismo, indica Francisco, vai “elaborar um catálogo de todos os que derramaram o seu sangue para confessar Cristo e testemunhar o seu Evangelho”. “Temos uma grande dívida para com todos eles e não podemos esquecê-los”, sustenta na carta divulgada na quarta-feira, 5 de julho, a propósito da iniciativa que vai prosseguir a dinâmica iniciada no Ano Santo de 2000, no pontificado de São João Paulo II. “A investigação vai dizer respeito não só à Igreja Católica, mas vai estender-se a todas as confissões cristãs. Também no nosso tempo, no qual se assiste a uma mudança de época, os cristãos continuam a mostrar, em contextos de grande risco, a vitalidade do Batismo comum”, precisa o Papa, que tem repetido a convicção de que os mártires “são mais numerosos” na atualidade do que nos primeiros séculos do Cristianismo e falando num “ecumenismo de sangue”. “São bispos, sacerdotes, consagrados e consagradas, leigos e famílias, que nos vários países do mundo, com o dom das suas vidas, ofereceram a suprema prova de caridade”, indica.

A 7 de maio de 2000, durante o Grande Jubileu, estas pessoas foram lembradas numa celebração ecuménica, que reuniu no Coliseu de Roma representantes das Igrejas e comunidades eclesiais de todo o mundo. “Também no próximo Jubileu nos encontraremos unidos, para uma celebração semelhante”, adianta Francisco. “Num mundo onde, por vezes, o mal parece prevalecer, estou certo de que a elaboração deste catálogo, também no contexto do já iminente Jubileu, ajudará os crentes a ler os nossos tempos também à luz da Páscoa”, salienta o Papa.

 

2. Numa mensagem aos participantes da 43.ª conferência da FAO [Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura], o Papa lembrou que existem “milhões de pessoas que continuam a padecer de miséria e desnutrição no mundo, devido aos conflitos armados, bem com às alterações climáticas e aos desastres naturais”. Francisco aludiu aos “deslocamentos em massa, somados aos demais efeitos da conjuntura política, económica e militares à escala planetária, que enfraquecem os esforços que são feitos para garantir uma melhoria das condições de vida das pessoas em razão de sua dignidade intrínseca”.

Na sua mensagem à conferência que decorreu em Roma, até dia 7 de julho, o Papa defende que “vale a pena repetir sem cessar que a pobreza, as desigualdades, a falta de acesso a recursos básicos como a alimentação, a água potável, a saúde, a educação, a casa, são uma grave afronta à dignidade humana”.

 

3. Na manhã do passado Domingo, 2 de julho, o Papa pediu orações pela Ucrânia e por todos os lugares do mundo onde há derramamento de sangue. “Mesmo neste período do verão, não nos esqueçamos de rezar pela paz, de modo especial, pelo povo ucraniano tão provado. E não negligenciemos as outras guerras, infelizmente tão esquecidas, e os numerosos conflitos e confrontos que enchem de sangue tantos lugares da Terra - e há tantas guerras hoje…”, afirmou o Santo Padre, após a oração do Angelus, dirigindo-se aos peregrinos que se juntaram na Praça de São Pedro, no Vaticano. “Interessemo-nos pelo que acontece, ajudemos quem sofre e rezemos, porque a oração é a força mansa que protege e sustenta o mundo”, acrescentou.

Nas reflexões sobre o Evangelho, Francisco sublinhou a importância de escutar Deus e ouvir os irmãos, dialogando com todos, “mesmo com o mais pequenino”, porque todos “têm algo importante a dizer e um dom profético para compartilhar”.

 

4. A missão do enviado do Papa Francisco à Rússia, para tentar mediar um acordo de paz para a Ucrânia, “correu bem”, mas sem avanços concretos a assinalar. “A missão do cardeal Matteo Zuppi correu bem, sem triunfalismo, mas positiva, devido à abertura e disponibilidade demonstradas”, disse o arcebispo católico de Moscovo, Paolo Pezzi, no dia 30 de junho. “Os passos importantes foram sobretudo a abertura manifestada tanto a nível político como religioso e a vontade de continuar no caminho. Diria que este é o resultado concreto mais importante”, apontou.

Sobre a reunião do cardeal Zuppi com o Patriarca ortodoxo Kirill, o Patriarcado de Moscovo publicou um comunicado onde se lê que Kirill ficou contente com o encontro, sublinhando “ser importante que todas as forças do mundo se unam para evitar um grande conflito armado”. Num comunicado, o Vaticano indica que, durante a visita de três dias, “o aspeto humanitário da iniciativa foi fortemente enfatizado, bem como a necessidade de se alcançar a tão desejada paz”.

 

5. Na Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, o Papa referiu que, “também hoje, a Igreja tem necessidade de colocar o anúncio no centro”. Na Basílica de São Pedro, em Roma, Francisco falou de “uma Igreja que precisa de anunciar, como necessita de oxigénio para respirar, que não pode viver sem transmitir o abraço do amor de Deus”, e defendeu “uma Igreja humilde que nunca dá por terminada a busca do Senhor, tornando-se simultaneamente uma Igreja aberta que encontra a sua alegria, não nas coisas do mundo, mas no anúncio do Evangelho ao mundo”.

O Papa pediu atenção para quem “está mais longe e muitas vezes olha com desconfiança ou indiferença” para a Igreja. Francisco diz que é preciso “levar o Senhor Jesus a todo o lado: à sociedade civil, à política, ao mundo inteiro, especialmente onde se verifica pobreza degradação e marginalização”.

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