Lisboa |
Ordenações sacerdotais, no Mosteiro dos Jerónimos
“Confiai na graça que vos faz assim, vivei na felicidade que dareis aos outros”
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O Cardeal-Patriarca considera que a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023 vai ser “uma ótima estreia” para os três novos padres do Patriarcado, que foram ordenados no passado Domingo, dia 2 de julho. No Mosteiro dos Jerónimos, D. Manuel Clemente pediu a estes recentes presbíteros para confiarem “na graça”.


Ordenações Presbiterais 2023


“A graça da Ordenação elevará as vossas qualidades naturais, transformando-as em manifestações da ação pastoral de Cristo, em vós e através de vós. E tereis ocasião de uma ótima estreia, na Jornada Mundial da Juventude, em que seremos tantos, em que serão quase infinitos, aqueles que vos esperam. Confiai na graça que vos faz assim, vivei na felicidade que dareis aos outros”, aconselhou D. Manuel Clemente, na homilia da celebração das ordenações sacerdotais, dirigindo-se de forma particular aos novos padres Hélio Jorge da Silva Soares (paróquia de Monte Abraão, na Vigararia da Amadora), Miguel Maria Parreira Teixeira Duarte (paróquia de Oeiras, na Vigararia de Oeiras) e Nuno Alexandre Caetano Vicente (paróquia de São João das Lampas, na Vigararia de Sintra).

 

“Casa aberta a todos”

Na Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa, o Cardeal-Patriarca convidou a um “amor desinteressado”. “Caríssimos ordinandos: A Igreja reconhece em vós a coincidência com Cristo nisto mesmo que desejais. Reconhece o ideal evangélico que abraçais por inteiro. Reconhece a graça do celibato, que vos alarga a esponsalidade à Igreja toda e a paternidade a cada um que encontrardes. Assim aconteceu com Jesus, com Paulo e com tantos outros, então e agora, para que o Evangelho encontre, também deste modo, um eloquente sinal do que anuncia. É sobremodo eloquente hoje em dia, quando a coisificação de pessoas e relações mais reclama a demonstração dum amor desinteressado”, salientou. “Ficareis configurados com Cristo sacerdote e pastor, para que, também por vós, outros sublimem o clamor natural pela ajuda divina no louvor gratuito de Deus salvador; para que, pela caridade pastoral que preencherá os vossos dias, muitos reconheçam a bondade de Deus, que em vós os visita”, acrescentou, reforçando que a “casa da Igreja” é “uma casa aberta a todos”: “Ouvimo-lo há pouco a Jesus, concluindo o seu discurso apostólico: «Quem vos recebe, a Mim recebe; e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou». Não se trata de quimeras, mas de realidades mil vezes comprovadas. Já as anunciava o episódio de Eliseu, que também ouvimos: aquela mulher entrevia na visita do profeta a proximidade de Deus. Assim o recebeu e assim foi recompensada. Assim nas casas em que Jesus entrou, da casa de Pedro em Cafarnaum à casa de Jairo, à de Mateus, à de Zaqueu ou à de Betânia. Assim agora, naquelas onde o vosso ministério se desdobrar, começando pela “casa da Igreja”, que é uma casa aberta a todos”.

 

Sinais vivos de Cristo

O Cardeal-Patriarca tinha começado a sua homilia por consider a “feliz celebração eucarística e de ordenações sacerdotais” um “sublime fim”. “Porque de sublimidade se trata, quando coisas tão comuns como estarmos reunidos, ouvirmos palavras e observarmos gestos ganham elevação e sentido muito além do que teriam só por si. Aliás, nunca nos cansamos de os repetir, porque realmente não são nossos, mas de Deus. É Deus que nos convoca; e tudo o mais, palavras e gestos, é de Deus também”, garantiu, apontando depois que os “gestos comuns tornam-se gestos de Deus, sacramentais portanto”. “Ações do Espírito, que no batismo nos faz morrer com Cristo para ressuscitar com Ele, como há pouco nos dizia São Paulo. O Espírito que fará destes ordinandos, daqui a pouco e para sempre, sinais vivos de que Cristo sacerdote e pastor continua presente, muito especialmente assim, no meio de nós”, observou.        

Na presença de D. Américo Aguiar, Bispo Auxiliar de Lisboa, de sacerdotes, diáconos, religiosas e religiosos, além da assembleia que encheu os Jerónimos, D. Manuel Clemente convidou os três novos padres da diocese – todos alunos do 6.º ano do Seminário Maior de Cristo-Rei dos Olivais – a “alargar” os laços humanos à “familiaridade sem fronteiras” da comunidade cristã. “Num tempo em que a procura de felicidade não se esgota, mas tantas vezes se despista; num tempo em que a publicidade a confunde, à felicidade, com coisas e mais coisas, que afinal não saciam; num tempo em que o horizonte se fecha no que promete e não dá… Num tempo assim, as palavras que ouvimos no Evangelho podem parecer excessivas, mas são realmente libertadoras. Não se trata de esquecer os laços humanos, começando pelos familiares, como Jesus também não esqueceu os seus. Trata-se de os alargar à familiaridade sem fronteiras em que nos inclui como filhos de Deus e de sublimar os laços do sangue em vínculos da graça. Não se trata de suprimir o que a nossa natureza reclama, mas de o aproximar do que só Deus oferece”, explicou, não esquecendo a importância da doação: “E Deus só oferece o que é, como dom absoluto de si mesmo. Por isso se dá inteiramente em Cristo e por isso só O recebemos quando nos doamos também. É o modo essencial de Deus ser e o modo único de O recebermos nós”.

 

Vida realmente eterna

Na celebração das ordenações sacerdotais da diocese, o Cardeal-Patriarca de Lisboa sublinhou ainda que a “conversão dos corações só no Coração de Cristo se consegue”. “Mas, como infelizmente sabemos, também dentro e fora de nós as coisas ficam facilmente desfeitas. Por isso Ele as refaz com a graça que nos oferece, manifestação da misericórdia divina que não desiste de ninguém”, assegurou, recordando que “a autossuficiência, de sentimentos ou projetos, não dá lugar a Deus nem aos outros e acabará por não nos dar lugar também a nós”. Neste sentido, as frases escutadas no Evangelho “podem parecer duras e de exigência extrema”. “Amar prioritariamente a Cristo, largar tudo o mais e segui-lo num caminho de cruz, encontrar a vida onde ela se gasta pela sua causa, que é o bem de todos para todos… Concordemos, todavia, que só indo muito além do que em nós ficaria e connosco morreria, poderemos alcançar uma vida realmente eterna. Só «o amor jamais passará» (1 Cor 13, 8)”, garantiu D. Manuel Clemente.

 

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos por Duarte de Mourão Nunes
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