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“Há necessidade de um pacto educativo capaz de unir as famílias”
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O Papa Francisco destacou que a “educação católica é uma forma de evangelização”. Na semana em que recebeu uma Comissão Internacional de Diálogo, o Papa aconselhou a não gastar “a vida com coisas triviais por medo das críticas” e encontrou-se com 200 artistas de todo o mundo, incluindo sete portugueses. Vaticano lança consulta pública sobre diretrizes de prevenção de abusos.

 

1. Falando sobre Santa Maria MacKillop (1842-1909), uma “religiosa extraordinária” que se dedicou à fundação de escolas nas regiões pobres da Austrália, o Papa considerou que a educação católica é “uma forma de evangelização”. “Sentimos a necessidade de um pacto educativo capaz de unir as famílias, as escolas e toda a sociedade”, apontou Francisco, durante a audiência-geral de quarta-feira, 28 de junho, elogiando as “respostas criativas” da fundadora das Irmãs de São José do Sagrado Coração, “que dedicou sua vida à formação intelectual e religiosa dos pobres na Austrália rural”.

A reflexão sobre a figura de MacKillop indicou que o objetivo da educação é “o desenvolvimento integral da pessoa, seja como indivíduo seja como membro da comunidade”, o que exige “sabedoria, paciência e caridade por parte de cada professor”. “A educação não consiste em encher a cabeça de ideias, não, só isso não, mas em acompanhar e incentivar os estudantes no caminho do crescimento humano e espiritual, mostrando-lhes como a amizade com Jesus Ressuscitado dilata o coração e torna a vida mais humana”, explicou, destacando que a irmã Maria MacKillop promoveu várias outras obras de caridade e que “os pobres são a presença do Senhor”.

 

2. O Papa recebeu a Comissão Internacional de Diálogo entre a Igreja Católica e os ‘Discípulos de Cristo’ – Igreja protestante nos EUA e Canadá – incentivando a “trilhar os caminhos da comunhão e da missão”. “Não tenhamos medo de trilhar os caminhos da concórdia que o Espírito indica. Não os do mundanismo espiritual, que nos quer adequar às necessidades e às modas do tempo, mas os caminhos da comunhão e da missão”, referiu Francisco, na audiência realizada dia 28 de junho, numa sala adjacente ao Auditório Paulo VI, no Vaticano. No encontro, o Papa explicou que os cristãos precisam “sempre de começar e recomeçar a partir do Espírito”, memória e guia que “abre caminhos novos e impensados”, onde pensavam que “as estradas estavam impedidas ou bloqueadas”.

 

3. Nas reflexões sobre o Evangelho de Domingo, Francisco alertou para o risco de se gastar a própria vida com coisas triviais e desperdiçar o tempo com opções “que não enchem a vida de significado”, com medo das críticas do mundo. “Ainda hoje, de facto, alguém pode ser ridicularizado ou discriminado se não seguir certos modelos da moda que, no entanto, muitas vezes colocam realidades de segunda categoria no centro: as coisas em vez das pessoas, o desempenho em vez das relações”, reconheceu o Papa. “Permanecer fiel ao que conta custa; custa ir contra a maré, libertar-se do condicionamento do pensamento comum, ser deixado de lado por aqueles que ‘seguem a onda’. Mas não importa; o que importa é não deitar fora o bem maior: a vida. Só isso deveria nos assustar”, alertou Francisco.

No final da oração do Angelus, a 25 de junho, o Santo Padre lamentou o motim numa prisão feminina nas Honduras que, há dias, provocou a morte de 41 reclusas, e referiu-se ao desaparecimento de Emanuela Orlandi, uma jovem de 15 anos cujo pai trabalhava no Vaticano, cujo desaparecimento há 40 anos está, até hoje, por explicar: “Desejo aproveitar esta circunstância para exprimir, uma vez mais, a minha proximidade aos familiares, sobretudo à sua mãe, e assegurar a minha oração. Rezo também por todas as pessoas desaparecidas”.

 

4. Francisco recebeu, na Capela Sistina, cerca de 200 artistas de todo o mundo, para assinalar os 50 anos da inauguração da coleção de arte moderna e contemporânea dos Museus do Vaticano. O encontro aconteceu no dia 23 de junho, com o Santo Padre a destacar que a “relação da Igreja com os com artistas pode ser definida como natural e especial ao mesmo tempo”. Entre escultores, arquitetos, escritores, poetas, músicos e atores, estiveram presentes sete portugueses: Pedro Abrunhosa, Joana Vasconcelos, Vhils, Rui Chafes, Gonçalo M. Tavares, José Luís Peixoto e Marta Braga Rodrigues. “O artista leva a sério a profundidade inesgotável da existência, da vida e do mundo, mesmo nas suas contradições e tragédias”, disse o Papa, numa intervenção em que agradeceu o contributo de todos os participantes.

Francisco comparou os artistas a crianças, uma comparação “que não deve soar como uma ofensa”, defende, porque “significa que os artistas se movem sobretudo no espaço da invenção, da novidade, da criação, de trazer algo ao mundo”. Também a fé foi motivo de comparação. “Uma das coisas que aproxima a arte da fé é o facto de incomodar. A arte e a fé não podem deixar as coisas como estão: mudam, transformam, convertem, movem”, admite, pedindo, ainda, aos artistas presentes para não se esquecerem dos pobres, “os favoritos de Cristo”, porque “até os pobres precisam de arte e beleza”.

A iniciativa foi organizada pelo Dicastério para a Cultura e a Educação, presidido pelo cardeal D. José Tolentino Mendonça, em colaboração com o Governo do Estado da Cidade do Vaticano, os Museus do Vaticano e o Dicastério para a Comunicação.

 

5. O Vaticano anunciou o lançamento de uma consulta pública sobre uma proposta para atualizar as diretrizes universais para a prevenção de abusos sexuais na Igreja. Segundo a Santa Sé, a iniciativa pretende “promover a proteção contra o abuso na Igreja de acordo com as boas práticas existentes de proteção, com foco na assistência às pessoas afetadas pelo abuso e na importância de lidar adequadamente com os casos de abuso”.

Em comunicado, a Comissão Pontifícia para a Proteção dos Menores refere que abriu um período de comentários públicos, convidando as pessoas a participar numa pesquisa online, através do site www.tutelaminorum.org/pt-br/survey. A ideia é ter um novo manual no próximo ano, respondendo assim à vontade do Papa Francisco.

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