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2023. Relatório sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, da Fundação AIS
Uma tragédia anunciada
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O mundo tem vindo a transformar-se num lugar cada vez mais perigoso para os crentes. O mais recente Relatório da Liberdade Religiosa no Mundo, editado pela Fundação AIS e divulgado esta semana em Lisboa, é taxativo: cerca de 62% da população mundial vive em países com violações graves ou muito graves da liberdade religiosa. E os Cristãos são uma das comunidades mais atingidas. O que se passa em África é disso um terrível exemplo.

 

“Explosão de violência.” É assim que no mais recente Relatório da Liberdade Religiosa no Mundo, publicado pela Fundação AIS esta semana, se refere ao que ocorreu em África ao longo dos últimos dois anos. Devido à expansão da actividade jihadista, o continente africano tem vindo a transformar-se num dos lugares mais perigosos para os Cristãos. Os exemplos abundam. Durante o período em análise – 2021 e 2022 – em 21 dos 54 países de África, registaram-se níveis perigosos ou mesmo extremos de perseguição e discriminação. Mali, Nigéria, Líbia, Moçambique, República Democrática do Congo, Eritreia, Burquina Fasso e Sudão são alguns dos países que lideram esta lista negra. Mas, infelizmente, a violência contra as comunidades religiosas é comum a muitas outras regiões e a muitos outros países do planeta. A China e a Índia, ambos na Ásia e os dois países mais populosos do mundo, são também uma fonte de preocupação, tal como a Nicarágua, no continente americano, onde a Igreja Católica tem vindo a ser perseguida de forma violenta pelas autoridades do país. Os exemplos, infelizmente, abundam. E os números não permitem segundas leituras.

 

Autocratas e fundamentalistas

O Relatório da Liberdade Religiosa no Mundo, que a Fundação AIS edita de dois em dois anos, mostra que as minorias são cada vez mais reprimidas e são cada vez mais as situações, os pretextos para isso acontecer. Desde ataques terroristas, com uma frequência alarmante em África, à implementação de leis anti-conversão na Ásia, à vigilância em massa na China, com recurso, por exemplo, a câmaras de recolha de imagem com tecnologia de ponta – calcula-se que haverá só neste país cerca de 540 milhões destes aparelhos –, são muitos os instrumentos usados para a repressão das comunidades religiosas. A violência com a marca da religião mede-se também no número de países, 40, em que há registo, desde 2021, de pessoas que são assassinadas ou raptadas por causa da sua fé. E mede-se também na constatação de que, na esmagadora maioria destes casos, “os agressores raramente ou nunca são processados pelo sistema judicial”. O sentimento de impunidade que isto produz alimenta a própria agressividade contra as minorias religiosas. Em 34 países registaram-se também ataques a locais de culto ou propriedades religiosas. Mas quem são os agressores? Quem está por trás da esmagadora maioria dos ataques, da violência que atinge tantas pessoas, tantas comunidades religiosas no mundo? O extremismo islâmico e os governos autoritários lideram esta lista, representando, no conjunto, 70 países.

 

Violência com impunidade

Há uma frase que sobressai nas conclusões: “a impunidade aumentou”. Isto significa que os casos de raptos, de violência sexual, incluindo a escravatura sexual e a conversão religiosa forçada, continuaram a verificar-se e permanecem em grande parte fora da jurisdição dos tribunais. Mas há também a ascensão dos “califados oportunistas”, em que grupos radicais islâmicos ligados a redes internacionais da ‘jihad’ procuram submeter cada vez mais populações aos seus reinos de terror, alimentando a pilhagem também de recursos naturais e forçando os povos locais a uma vida de medo e de pobreza generalizada. O sentimento de impunidade que toda esta violência tem gerado é também um sinal de preocupação. Marcela Szymanski, a editora-chefe do Relatório, afirma-o de forma clara. “Existem 61 países onde a discriminação e a perseguição são claramente evidentes, onde o direito fundamental à liberdade de pensamento, de consciência e de religião está a ser pressionado ou restringido através de novas leis. Como consequência, os cidadãos são perseguidos pelo seu próprio governo ou são assassinados, muitas vezes com pouca ou nenhuma reacção da comunidade internacional.” Este silêncio cúmplice diz também muito da forma como o mundo tem lidado com estas questões, como se a perseguição religiosa não fosse um atropelo aos direitos humanos mais básicos.

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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