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“Alterações climáticas lembram-nos, com insistência, as nossas responsabilidades”
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O Papa Francisco assinalou, no Vaticano, o Dia Mundial do Ambiente. Na semana em que o enviado do Papa esteve em Kiev, Francisco estreou-se num estúdio televisivo, rezou pelas vítimas do acidente ferroviário na Índia e viu confirmada a viagem à Mongólia, após a JMJ Lisboa 2023.

 

1. O Papa apelou a uma mudança nos modelos de consumo e de produção para travar a crise climática. “Este é um desafio grande e exigente, porque implica uma mudança de rumo, uma mudança decidida no atual modelo de consumo e produção, muitas vezes imerso na cultura da indiferença e do descarte, descarte do ambiente e descarte das pessoas”, referiu Francisco aos promotores do ‘Festival Verde e Azul’, durante uma audiência no dia 5 de junho, Dia Mundial do Ambiente. O Papa destacou que a mudança é “urgente” e “não pode ser adiada”, convidando a “passar da cultura do descarte a estilos de vida baseados na cultura do respeito e do cuidado, do cuidado da criação e do cuidado do próximo”. “É necessário acelerar esta mudança de rumo, em favor de uma cultura do cuidado, como se cuidam das crianças, que coloque no centro a dignidade humana e o bem comum, e que se alimente daquela aliança entre o ser humano e o ambiente que deve ser um espelho do amor criador de Deus, de quem viemos e para o qual caminhamos”, apontou.

Neste encontro, o Papa desejou ainda que a humanidade dos inícios do século XXI possa ser lembrada por ter “assumido com generosidade as suas graves responsabilidades”, destacando que as decisões tomadas nestes anos “terão impacto durante milhares de anos”. “O fenómeno das alterações climáticas lembra-nos, com insistência, as nossas responsabilidades: afeta particularmente os mais pobres e frágeis, aqueles que menos contribuíram para a sua evolução. É, em primeiro lugar, uma questão de justiça e depois de solidariedade”, sublinhou, comparando o impacto da pandemia e da crise climática ao de “um conflito global”, identificando como “verdadeiro inimigo” o “comportamento irresponsável da humanidade”.

 

2. O Papa Francisco enviou um cardeal a Kiev para tentar alcançar a paz na guerra da Ucrânia. Numa breve nota, o Vaticano informa que, de “5 a 6 de junho de 2023, o Cardeal Matteo Maria Zuppi, arcebispo de Bolonha e presidente da Conferência Episcopal Italiana, fará uma visita a Kiev como enviado do Santo Padre Francisco”. A Santa Sé refere que esta iniciativa “tem como principal objetivo ouvir em profundidade as autoridades ucranianas sobre os caminhos possíveis para alcançar uma paz justa e apoiar gestos humanitários que contribuam para aliviar as tensões”.

A propósito da visita do cardeal Zuppi a Kiev, a agência russa Tass cita fontes vaticanas para adiantar que também “está em preparação” uma possível visita do cardeal italiano a Moscovo.

 

3. O Papa participou na mais recente emissão do promova ‘A Sua Immagine’, da televisão pública italiana (RAI), lançando apelos à paz e à educação das novas gerações. “Com a paz, ganha-se, sempre, talvez pouco, mas ganha-se. Com a guerra, perde-se tudo. Tudo”, garantiu, na emissão deste Domingo, 4 de junho. O programa contou com a presença de um capelão prisional, o padre Marco Pozza, de Pádua, que já gravou várias entrevistas com Francisco, e da irmã Agnese Rondi, religiosa que se dedica a ajudar os mais pobres, e recuperou o momento que marcou a saída do Papa do Hospital Gemelli, a 1 de abril, com o abraço a um casal que tinha perdido a sua filha, poucas horas antes. Serena e Matteo estiveram no estúdio, para agradecer a Francisco, o qual relatou que tinha visto a menina, Angélica, durante o internamento, com a consciência de que o seu estado era terminal. “O que me move é a ternura, poder acompanhar a dor. Diante da dor, apenas gestos, as palavras não ajudam. Não há palavras para a dor, apenas gestos e o silêncio”, insistiu.

O Papa convidou ainda os pais a “educar com afeto, um abraço”, sublinhando ainda a importância de impor “limites”, porque as crianças têm “necessidade do ‘sim’ do amor e também do ‘não’”. “O amor é mais forte do que a agressão. Não há outro caminho: escolher o caminho do amor, da ternura”, frisou.

A primeira passagem de Francisco por um estúdio televisivo concluiu-se com um apelo para o próximo jubileu, o Ano Santo de 2025: “Aprender a perdoar, como Deus”.

 

4. O Papa lamentou o acidente ferroviário que vitimou pelo menos 288 pessoas na Índia. Durante a oração do Angelus, na manhã do passado Domingo, 4 de junho, Francisco diz que reza pelas vítimas e pelos mais de 900 feridos deste acidente de comboio, e que acompanha o sofrimento das famílias. “Caros irmãos e irmãs, asseguro a minha oração pelas numerosas vítimas do acidente ferroviário de ontem na Índia. Foi um destino infeliz. Rezo pelas famílias. Pai, acolhe no teu Reino estas almas dos defuntos”, pediu.

 

5. Numa breve declaração, o Vaticano anunciou, a 3 de junho, que, “acolhendo o convite do Presidente da Mongólia e das autoridades eclesiais do país”, o Papa Francisco vai realizar uma viagem apostólica de cinco dias a este país da Ásia Oriental e Central. A visita realiza-se de 31 de agosto a 4 de setembro, três semanas após a presença de Francisco em Portugal, para a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023. O Vaticano não adianta mais detalhes, prometendo para as próximas semanas a divulgação do programa da visita.

Entretanto, poucas horas após a confirmação desta viagem pastoral, o arcebispo Paul Richard Gallagher, responsável do Vaticano para as relações com os Estados, esteve na Mongólia para um conjunto de encontros com responsáveis institucionais e membros da Igreja local. O chefe da diplomacia vaticana celebrou, no Domingo, Missa na Catedral de São Pedro e São Paulo, em Ulaanbator, e encontrou-se depois com a comunidade missionária local.

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