Lisboa |
Missa das Famílias 2023
“É possível viver a proposta matrimonial cristã”
<<
1/
>>
Imagem

Os casais jubilares são “a realização bonita da proposta matrimonial cristã”, salientou o Cardeal-Patriarca de Lisboa, na Missa das Famílias, que, em ano de Jornada Mundial da Juventude, substituiu a tradicional Festa da Família. Cerca de 300 casais jubilares que já fizeram, ou vão fazer, 10, 25, 50, 60 ou mais anos de casados em 2023, receberam o Diploma com a Bênção Jubilar.

 

O Cardeal-Patriarca de Lisboa deu “os parabéns” aos casais jubilares que participaram na Missa das Famílias, sublinhando que cada um deles “é uma realização bonita da proposta matrimonial cristã de Jesus Cristo”. “Cada casal cristão, na simplicidade dos dias, mesmo nas dificuldades, vai avançando e vai manifestando a realidade desta proposta matrimonial cristã”, salientou D. Manuel Clemente, numa breve conversa que antecedeu a Missa das Famílias, na tarde do passado Domingo, dia 4 de junho, Solenidade da Santíssima Trindade, na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa.

Promovida pela Pastoral da Família do Patriarcado, a celebração reuniu cerca de dois terços dos casais jubilares deste ano. “É bom nós repetirmos estas coisas, dizermos o que elas são e o que elas devem ser a partir de Cristo e de toda a tradição bíblica cristã, mas se isto depois não tiver o sacramento – que sois vós, pelo sacramento do Matrimónio –, é apenas uma coisa dita, mas não feita, à espera que alguém ‘pegue’ nela”, observou o Cardeal-Patriarca. “Mas felizmente, cada um de vós, cada um dos casais cristãos, demonstra que é possível, que é uma realidade, que não é apenas uma utopia. Cada um de vós, como casal cristão, não é uma utopia, é uma realidade e é uma realidade sacramental. Porque os sacramentos são a ação da graça de Deus que neste, naquele, naquela, vão configurando a própria presença do grande sacramento de Deus, que é Jesus Cristo, agora ressuscitado, que toma figura e forma em cada um daqueles que, pelo Espírito, lhe adere realmente”, acrescentou.

 

Transmissão viva da vida cristã

D. Manuel Clemente, nesta breve conversa, considerou mesmo que os casais cristãos são “demonstração de Cristo” e destacou a importância da transmissão da fé na família. “Isto é tão importante e podeis crer que me sai do coração, porque se hoje nós necessitamos de demonstrações de Cristo, na Igreja, na sociedade, isso começa em cada matrimónio cristão, onde também nascem os filhos de Deus, que hão de ser, pelo batismo, os vossos filhos e as vossas filhas e depois, pelo prolongamento das gerações, os vossos netos, bisnetos e, agora, com a longa da vida, até trinetos, em muitos casos. Daí a importância que não só os pais, mas também os avós e até os bisavós, têm na transmissão viva da vida cristã, da fé cristã”, reforçou.

A (grande) Igreja de Nossa Senhora de Fátima, situada na Avenida de Berna, em Lisboa, esteve repleta para a Missa das Famílias. “Estou a olhar para cada um de vós e vejo a importância do que representais da demonstração disto mesmo: o sacramento do amor de Deus neste mundo, como ele se realiza e transmite na vida conjugal cristã e, depois, na vida familiar cristã. Convosco, as palavras voltam a ganhar o sentido original que têm. Portanto, este matrimónio constituído por homem e mulher, aberto à geração de filhos e, depois, transmitindo a fé que os levou ao sacramento e que eles reproduzem na sua tradição viva de Cristo no mundo, a começar por cada família. Por isso, a minha palavra é uma palavra de agradecimento e de reconhecimento do vosso lugar e do vosso papel, dando graças a Deus pelo matrimónio cristão, como em cada um de vós se configura”, terminou o Cardeal-Patriarca, dirigindo-se de forma particular a cada casal cristão e a cada família.

 

Festa da Família regressa em 2024

No encerramento da Missa das Famílias 2023, o casal diretor da Pastoral Familiar de Lisboa começou por explicar o sentido da celebração. “Em ano de JMJ aqui em Lisboa, não quisemos dispersar energias numa Festa da Família, porque todas as cabeças, todos os braços e todos os minutos têm de ser dedicados à preparação da JMJ! Mas também não podíamos deixar de celebrar a Família, numa Igreja que é uma família de famílias”, explicou Regiani Líbano Monteiro.

O marido, Tiago, convidou as famílias ao serviço durante a Jornada Mundial da Juventude. “Olhamos agora para a JMJ Lisboa 2023 para onde caminhamos apressadamente, mas serenamente, como Maria na visita à sua prima Isabel! Que nos saibamos todos colocar, como Maria, ao serviço do outro! Aproveitamos para agradecer aqui a presença dos casais caring da JMJ, que irão dar uma dimensão familiar ao acolhimento de voluntários instalados em pavilhões e escolas, bem como a todas as famílias de acolhimento que aceitaram receber peregrinos em suas casas! Lembramos que ainda estamos longe de atingir o número necessário de famílias para acolher todos os peregrinos, por isso desafiamos todos os casais que ainda não se ofereceram para serem famílias de acolhimento que o façam o quanto antes nas vossas paróquias!”, desafiou este responsável.

No próximo ano, vai regressar a Festa da Família, em local a anunciar. “A todas as famílias aqui presentes, o nosso muito obrigado pelo que isso representa de promoção da Família! Em 2024, se Deus quiser, voltaremos a estar todos juntos na grande Festa da Família”, garantiu o casal diretor da Pastoral Familiar de Lisboa.

 

___________


Casais jubilares são provenientes de 36% das paróquias do Patriarcado

Cerca de 300 casais jubilares que já fizeram, ou vão fazer, 10, 25, 50, 60 ou mais anos de casados em 2023, receberam o Diploma com a Bênção Jubilar. Segundo a Pastoral Familiar de Lisboa, nem todos os 293 casais que se inscreveram puderam participar na Missa das Famílias. “Compareceram cerca de dois terços dos casais”, salienta a organização, ao Jornal VOZ DA VERDADE.

Os dados estatísticos das bodas matrimoniais deste ano 2023 mostram que os casais jubilares são provenientes de 102 das 285 paróquias da diocese (o que equivale a 36%). Ainda assim, todas as 18 vigararias do Patriarcado enviaram casais, sendo a mais representada a Vigararia de Cascais (com 78% das paróquias), seguida da Amadora (73%) e em terceiro lugar surgem as Vigararias de Sintra e Lisboa IV, ambas com 60% das paróquias a terem casais na bênção jubilar. Em termos de anos de casamento, os mais representados foram os 25 anos, com 120 casais jubilares (41%), seguido de perto pelos casais que fazem, ou já fizeram, 50 anos de matrimónio e que foram 105 (36%). Os casais que fazem 10 anos de casados e quiseram receber a bênção jubilar foram 46 (16%) e finalmente, os casais que festejam, ou já festejaram, 60 ou mais anos de casados foram 22 (8% do total).

“Quero agradecer, a vós, que praticais e demonstrais, na simplicidade das vidas que correm, a verdade e a beleza do matrimónio cristão! Mas também agradecer à nossa Pastoral Familiar, ao Tiago e à Regiani [Líbano Monteiro, casal diretor], ao padre Duarte [da Cunha, assistente], ao padre Rui [Pedro Carvalho, colaborador], enfim, todos os que colaboram, mais diretamente, na Pastoral Familiar do Patriarcado e que, com tanta vontade e acerto, nos ajudam a manifestar e a levar por diante esta proposta – que é mais que proposta – da vida matrimonial cristã”, salientava, no início da sua homilia na Missa das Famílias, o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente.

No final da celebração, o casal diretor da Pastoral Familiar de Lisboa não deixou também de agradecer aos casais cristãos. “Agradecemos a todos os casais jubilares: pelo seu exemplo de fidelidade e felicidade que tanto nos impelem a prosseguir nos caminhos do matrimónio, neste compromisso que sabemos muito exigente, mas que sabemos também ser aquele que nos conduz à felicidade e à vida em abundância”, salientaram Regiani e Tiago Líbano Monteiro.

 

___________


“Celebrar Deus uno e trino é celebrar a revelação da nossa verdade, porque nós fomos criados à imagem e semelhança de Deus. E sobretudo assim, e sobretudo aqui, nesta dimensão comunitária que a vida essencialmente tem. Viver em comunidade, e começando pela comunidade familiar, onde nós nascemos, onde nós aprendemos a viver em comunidade, depois alargada nesta família dos filhos de Deus que é a Igreja, a vida comunitária é a nossa verdade. Quando nós reparamos que ela é originada pela própria vida comunitária de Deus, aquele amor circulante entre o Pai e Jesus, Jesus e o Pai, como se manifestou no mundo e como eternamente acontece, e que transborda para nós e que faz com que nós nos animemos uns aos outros, no sentido que transmitimos alma, ânimo, coragem, vamos para a frente, estamos aqui. Isto é a nossa verdade! E começa por ser a verdade do matrimónio cristão que participa do amor de Cristo pelo seu povo, de Deus por todos nós, de uma maneira tão particular e tão fecunda como em cada família acontece e deve acontecer. Por isso, dou graças a Deus, porque olhando para vós eu vejo o sacramento destas realidades. Portanto, vejo a manifestação visível desta realidade infinita. Dêmos graças a Deus, que é para isso que aqui estamos, para devolver a Deus, em ação de graças, com Jesus Cristo, na Eucaristia, devolver a Deus Pai tudo aquilo que d’Ele recebemos, o seu Filho e o seu Espírito.”

D. Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca de Lisboa, na homilia da Missa das Famílias 2023, no Domingo da Santíssima Trindade

 

Missa das Famílias 2023

texto e fotos por Diogo Paiva Brandão
A OPINIÃO DE
Tony Neves
O Gabão acolheu-me de braços e coração abertos, numa visita que foi estreia absoluta neste país da África central.
ver [+]

Pedro Vaz Patto
Impressiona como foi festejada a aprovação, por larga e transversal maioria de deputados e senadores,...
ver [+]

Guilherme d'Oliveira Martins
Há anos, Umberto Eco perguntava: o que faria Tomás de Aquino se vivesse nos dias de hoje? Aperceber-se-ia...
ver [+]

Pedro Vaz Patto
Já lá vai o tempo em que por muitos cantos das nossas cidades e vilas se viam bandeiras azuis e amarelas...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
EDIÇÕES ANTERIORES