Lisboa |
Reinauguração da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, nas Caldas da Rainha
“Onde existe verdade, beleza e bondade, começa o Céu”
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Classificada como Monumento Nacional desde 1911, a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, situada no Hospital Termal das Caldas da Rainha, foi reaberta após dois anos de obras. “A verdadeira caridade e a verdadeira beleza são difíceis, mas são possíveis porque Jesus as viveu”, observou o Cardeal-Patriarca de Lisboa, que presidiu à celebração de reinauguração.

 

A Igreja de Nossa Senhora do Pópulo é um monumento datado do ano 1500, que integra o conjunto termal mandado construir pela Rainha Dona Leonor, quando, em 1485, fundou o Hospital Termal de Caldas da Rainha. “É uma circunstância muito bela que as Caldas tenham nascido ligando duas verdades fundamentais que brotam muito especialmente de Jesus Cristo: a caridade e a beleza. A caridade, porque ela nasce à volta de umas termas, à volta de umas caldas, que já existiam, mas foram depois muito desenvolvidas pela Rainha Dona Leonor, exatamente para aliviar enfermos. Tudo isso foi evoluindo até à realidade hospitalar que hoje as Caldas têm e desenvolve também, e ao mesmo tempo seja significada por este monumento de uma beleza extraordinária e que agora ainda mais brilha, depois de um felicíssimo restauro. Nestas duas vertentes, da caridade – o bem que se faz ao próximo – e da beleza, pode-se resolver aquilo que o Evangelho nos transmite em cada uma das suas passagens”, assinalou o Cardeal-Patriarca de Lisboa, na celebração de reinauguração do templo que foi alvo de obras de conservação e restauro, durante os últimos dois anos, lembrando o dia da cidade. “É uma felicíssima circunstância que este dia e feriado municipal coincida também com a reinauguração, digamos assim, desta lindíssima igreja que está tão ligada à história da cidade e de tudo aquilo quanto aqui aconteceu”, assinalou D. Manuel Clemente, na manhã de dia 15 de maio, na presença do presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, Vítor Marques, e demais membros da autarquia e das juntas de freguesia, mas também da presidente do conselho de administração no Centro Hospitalar do Oeste, Elsa Baião, além do corpo clínico e de enfermagem do Hospital das Caldas da Rainha.

 

“Possíveis porque Jesus as viveu”

Na pequena igreja, repleta de fiéis, o Cardeal-Patriarca destacou, na sua homilia, as palavras caridade e beleza. “Caridade e beleza não são coisas fáceis. Vencer tudo aquilo que nos fecha em nós próprios para conseguirmos servir os nossos irmãos e estarmos sempre disponíveis para viver para eles como o próprio Jesus nos ensina a viver. E depois também traduzir isto em obras que são belas, porque são verdadeiras, e tudo o que está aqui nesta igreja é verdadeiro e por isso é belo. Isto não é fácil e é uma luta de todos os dias. A verdadeira caridade e a verdadeira beleza são difíceis, mas são possíveis porque Jesus as viveu e porque continua a ser, para todos nós, que somos o seu pópulo – quer dizer, o seu povo –, a verdade das nossas vidas”, reconheceu D. Manuel Clemente, reforçando que “onde chega o espírito de Jesus Cristo, há caridade, há beleza, há verdade, e o Evangelho acontece”.

Nesta capela de uma unidade hospitalar, o Cardeal-Patriarca considerou ainda que “os hospitais são belos lugares do Espírito de Jesus”. “Costumo dizer, quando visito hospitais – e vou lá muitas vezes –, que o hospital é o maior concentrado de humanidade por metro quadrado. Porque ali, não há fuga possível. As pessoas estão ali e precisam de ser tratadas, precisam de ser atendidas e isso suscita, da parte de muita gente, uma dádiva, uma abnegação, uma atenção que não acontecem facilmente noutros lugares. Por isso, os hospitais são belos lugares do Espírito de Jesus a trabalhar no coração das pessoas, no sentido do bem e da beleza. Portanto, verdade, beleza e bondade: onde existem estas três coisas, começa o Céu. E, para já, atua o Evangelho”, terminou D. Manuel Clemente.

 

Antiga igreja paroquial

Capelão do Hospital das Caldas da Rainha, do Centro Hospitalar do Oeste, desde 2011, o padre Filipe Sousa recorda, ao Jornal VOZ DA VERDADE, que a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo “serviu de igreja paroquial durante séculos, até aos anos 60 do século passado”, quando foi construída a atual igreja paroquial das Caldas da Rainha, e que, hoje em dia, mantém “vida pastoral”. “A capela tem Missa diária, de segunda-feira a Domingo. As celebrações são às 11 horas, exceto ao Domingo, que é às 9 horas. Celebramos também alguns casamentos”, salienta o sacerdote, reforçando que “existe vida comunitária” no templo. “As pessoas confluem muito para as Caldas. Estamos no centro histórico da cidade, há ali a chamada Praça da Fruta, onde as pessoas fazem as suas compras para os gastos diários, e, portanto, a igreja, pela sua proximidade, recebe muitas pessoas que têm o hábito de ir à cidade fazer as suas compras ir aos serviços que necessitam, mas vão também à Missa na Igreja de Nossa Senhora do Pópulo”, frisa. Apesar de “não ter catequese”, há também “um grupo de pessoas que rezam o terço antes da Missa”, assinala.

Em 2015, o Hospital Termal Rainha Dona Leonor foi cedido, mediante assinatura de protocolo, à Câmara Municipal das Caldas da Rainha. “O hospital termal esteve muito tempo fechado e não está a funcionar em pleno. O hospital termal fazia parte do hospital público, mas depois, após a troika, sobretudo, houve uma separação e o Ministério da Saúde deixou de ter a gestão do hospital termal, que passou para a câmara municipal. Além disso, houve uma mudança na terapêutica, ou seja, as águas tinham esse papel, mas a medicina evoluiu”, destaca o padre Filipe, lembrando ainda que “o hospital termal não tem doentes residentes”. “O hospital termal, neste momento, não tem utentes internados, como teve no passado. Tem termalistas”, sublinha. “E tem também um serviço que funciona, que é o serviço de fisioterapia, que eu também visito e converso com eles”, garante o capelão.

O dia 15 de maio foi de festa para a comunidade cristã das Caldas da Rainha, que ficou “muito feliz” com a presença do Cardeal-Patriarca na reinauguração da ‘sua’ Igreja de Nossa Senhora do Pópulo. “Era uma obra ansiada pelas pessoas. Como referi, foi igreja matriz durante muitos séculos, muitas pessoas foram ali batizadas, foi ali que nasceu a cidade, foi ali que nasceu a comunidade cristã, e as pessoas sentiram-se reconhecidas e acarinhadas pela presença no nosso Bispo entre nós”, garante o padre Filipe Sousa, capelão da igreja situada no Hospital Termal das Caldas da Rainha.

 

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Igreja de Nossa Senhora do Pópulo

A Igreja de Nossa Senhora do Pópulo integra o conjunto termal mandado construir pela Rainha Dona Leonor, quando em 1485 fundou o Hospital Termal, que veio dar origem à cidade das Caldas da Rainha.

A nave e a capela-mor da igreja foram concluídas em 1500 e o templo foi elevado a igreja matriz em 1510 – devido ao rápido crescimento da cidade –, ano em que foi terminada a torre sineira e instalada a pia batismal. Ao longo dos anos recebeu diversas obras de beneficiação, como a construção do coro-alto (1544-46), a inclusão de elementos decorativos em talha, pinturas e esculturas (entre 1518 e 1750), o revestimento em azulejo (1658-59) e a instalação de um novo órgão, doado por D. João VI, em 1825, e que agora foi também recuperado.

Segundo o Centro Hospitalar do Oeste, proprietário do templo que faz parte do património termal da cidade, a obra, orçada em meio milhão de euros, “contemplou trabalhos de limpeza da estrutura do edifício, tendo sido ainda restauradas esculturas de madeira, altares laterais, o altar-mor, a pia batismal, o órgão de tubos, os bancos da igreja e outros bens móveis”. Para o capelão do Hospital das Caldas da Rainha, do Centro Hospitalar do Oeste, estas foram umas obras muito necessárias. “A igreja esteve fechada durante dois anos para limpeza das pedras exteriores, das gárgulas, da torre e para consolidação dos sinos e reparação do telhado. No interior, foi sobretudo a fixação da azulejaria, o arranjo das paredes e de algum mobiliário, mas a grande obra foi realmente o restauro e a recuperação do histórico órgão de tubos”, resume, ao Jornal VOZ DA VERDADE, o padre Filipe Sousa.

A Direção-Geral do Património Cultural sublinha que a Igreja de Nossa Senhora do Pópulo é uma “igreja paroquial manuelina, renascentista, maneirista, barroca e revivalista neo-manuelina”. “É de planta retangular, de nave única espacialmente unificada, para o que concorre a abóbada estrelada desprovida de suportes intermédios ou arcos divisores, apoiada em mísulas vegetalistas”, refere o site do Património Cultural (www.monumentos.gov.pt).

 

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Tão bonita!

“Esta belíssima casa também participa da capacidade de ressurreição que Cristo trouxe a este mundo. E é com muita alegria que aqui estou, que aqui volto, a esta igreja que conheço há tantos anos, mas nunca a tinha visto tão bonita, porque não estive cá na inauguração, há muitos séculos lá para trás”, gracejou o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, no início da celebração de reinauguração da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo, nas Caldas da Rainha, no passado dia 15 de maio, feriado municipal.

 

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A celebração de reinauguração da Igreja de Nossa Senhora do Pópulo contou com a participação do Grupo Coral da Casa do Pessoal do Hospital de Caldas da Rainha.

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