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Isilda Pegado
No Egipto

1. A civilização Egípcia, cujos vestígios nos chegam desde 3500 anos Antes de Cristo, tem sido, graças ao cinema e aos meios audiovisuais, muito presente. Tivemos, contudo, a oportunidade de estar no meio daquelas “memórias” de uma civilização cujas marcas parecem vivas e a falar-nos de um passado que também hoje é fonte da pergunta essencial – Para que vivemos?

2. Das Pirâmides, aos templos, aos milhares de esculturas ou baixos-relevos, tudo fala da Vida Eterna. Ali, temos a consciência plena de que se vivia para a Vida Eterna. Tudo era feito para agradar a um deus. Isto é, a relação do homem com o seu Criador era a razão de ser, do Ser e do agir.

3. O tempo, a distância histórica, impõe o foco sobre os Faraós e a sua corte. Mas bem sabemos que os chefes de uma qualquer Sociedade têm o papel de conduzir um Povo em todas as dimensões. Os valores de uma Civilização são fatores essenciais da sua identidade.

4. Hoje não podemos louvar ou sequer aceitar a escravatura a que muitos estavam submetidos, nem muitas das práticas sociais que aquela civilização cultivava. Ali faltava ainda o que viria a ser Revelado na Era Cristã – a igual dignidade de todos os seres Humanos.

5. Num tempo em que o Homem parece ignorar a sua condição, de Ser criado, em contrapartida é bom ver como se manteve por mais de 3500 anos aquela civilização. Sendo que, por este mesmo efeito, a grande preocupação de quem governava era o respeito pelo equilíbrio do Meio que os rodeava, o respeito pela condição de cada coisa e pela “reta ordenação das coisas”.

6. Vivemos, no Ocidente, um tempo e uma forma de orientação da Sociedade que é o oposto. Onde cada pessoa entende-se a si mesmo como um deus, ignora a sua condição de criatura e não tem pudor em destruir a sua própria identidade. Tantas vezes motivados por meros caprichos, individualismos ou modas.

7. E quem governa, alimenta e promove este desnorte, esta confusão de papéis e de identidades. A legislação, as práticas seguidas nas escolas e na opinião pública, usam e fomentam a ideologia de género na Sociedade, e muito em especial naqueles que sendo mais novos, têm falta de capacidade crítica. Uma destruição que nada promete de bom. É muito preocupante o que se está a passar nas escolas Portuguesas, onde faltam professores, falta a componente letiva, falta dar às crianças e jovens os saberes essenciais. E onde, ao invés, se cultiva uma desordem psicológica e identitária.

8. Está a criar-se uma Sociedade onde o diálogo se tornará muito difícil. Cada um terá a sua definição das coisas, dos valores e a “sua linguagem”. Qual Torre de Babel!

Na história, já conhecemos estas derivas ideológicas promovidas pelo Poder – v.g. o fim do Império Romano.

9. E o que mais se estranha é que ao fim de 2000 anos de caminho feito na promoção da Dignidade de Pessoa, da Igualdade e da Liberdade, neste momento atiramos ao lixo esse “Capital de conhecimento” e de valores.

Um Povo que não tem claro o carácter efémero da Vida e o fim a que esta se destina, seguramente não sabe viver. É como um barco sem rumo.  E, por isso mesmo, dificuldades são sempre pedras no seu caminho. Sendo que o Poder bem sabe que pessoas sem rumo, deprimidas, entregues ao desalento são mais fáceis de controlar e dominar.

10. A Liberdade resulta da Relação com Algo maior do que nós, que se manifesta na realidade que nos rodeia, que dá sinais da sua existência.

Se tudo se esgota no agora, no hoje, estamos presos às circunstâncias que nos rodeiam.

No Egipto, é patente e nós testemunhamos, perante aquelas pedras, a relação próxima que o Homem tem inexoravelmente com o Sobrenatural. Podemos aprender com a História.

 

Isilda Pegado
Presidente Federação Portuguesa pela Vida