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No maior país muçulmano do mundo há uma congregação com 53 noviças
Amar como Jesus amou
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A Indonésia é o país com mais população muçulmana em todo o mundo. Os Católicos representam apenas 3%. Mas na Ilha das Flores – onde ainda se escutam orações num dialecto com perfume português –, há uma congregação que tem um sucesso especial. Todos os anos, cerca de duas dezenas de raparigas entram para a comunidade das Filhas de Nossa Senhora, Rainha do Santo Rosário.

 

A Indonésia é um país especial. Com os seus 272 milhões de habitantes, é a maior nação muçulmana em todo o mundo. Os Cristãos constituem apenas cerca de 10% da população e os Católicos não ultrapassam sequer os 3%. No entanto, isso não traduz o prestígio nem o impacto que a Igreja tem na sociedade. E há mesmo casos em que as comunidades cristãs têm um verdadeiro sucesso. É o caso das Filhas de Nossa Senhora, Rainha do Santo Rosário, uma congregação fundada em 1958 por D. Gabriel Manek, Bispo de Larantuka, na Ilha das Flores, precisamente o local de uma das primeiras missões abertas pelos dominicanos portugueses em finais do século XVI. O passar do tempo esbateu muita coisa, mas ainda hoje é possível escutar orações e cânticos numa das capelas locais, a de Nossa Senhora das Dores, num dialecto cheio ainda de palavras com sotaque português. A cidade de Larantuka, que tem apenas cerca de 50 mil habitantes, vive sempre, durante a Semana Santa, um tempo de grande efervescência religiosa, com diversas procissões que arrastam para a Ilha das Flores um grande número de turistas. E muitos destes turistas sentem-se atraídos precisamente pelo perfume antigo das palavras cantadas e rezadas pelos cristãos de Larantuka.

 

Pobres entre os pobres

É em Larantuka, nesta ilha tão peculiar, que foi fundada a congregação das Filhas de Nossa Senhora, Rainha do Santo Rosário. A congregação tem um carisma muito simples: trabalhar junto dos mais pobres da sociedade, mas sempre invocando a protecção de Nossa Senhora. Todos os anos, estas religiosas são procuradas por cerca de duas dezenas de raparigas que querem oferecer-se também para a vida religiosa. É um exemplo para todo o país. Estas irmãs desempenham um papel importante na promoção das mulheres, para que elas sejam mais respeitadas na sociedade indonésia. A violência contra as mulheres é, de facto, um grande problema neste enorme país muçulmano. E as irmãs sensibilizam as pessoas, trabalhando com famílias e jovens, incluindo os rapazes. Quando entram na Congregação, as jovens são integradas na vida comunitária e desempenham desde logo um papel importante também junto das famílias mais pobres, mais carenciadas.

 

Estar perto de Jesus

Elas visitam as famílias em necessidade, porque essas famílias carentes necessitam de ajuda espiritual, de ser ajudadas a ganhar novas competências, com as quais podem alcançar a independência, aprender a cultivar a terra, ou talvez a melhorar as suas capacidades naturais”, explica a irmã Maria Erna, no documentário “Apóstolas da Misericórdia”, que a Fundação AIS produziu em 2015 na Ilha das Flores. Falando directamente para a câmara de filmar, a irmã sublinha que todas estas raparigas que batem à porta da congregação “querem tornar-se religiosas, em primeiro lugar para servir os mais necessitados”, e também porque “querem estar perto de Jesus, querem amar os pobres, tal como Jesus fez, e é por isso que escolheram uma congregação que por si já é pobre”.

 

Ajuda para a formação

Por ter poucos recursos, mas muitas vocações, a congregação das Filhas de Nossa Senhora, Rainha do Santo Rosário precisa de ajuda. Em causa está não só a formação de 53 jovens noviças, mas o futuro também destas irmãs cujo carisma as leva a trabalhar para a comunidade, seja na área social, no ensino, ou apoiando a vida da paróquia. Uma sólida formação espiritual é essencial para a vida religiosa, especialmente num país onde os Cristãos são uma clara minoria e onde é particularmente importante estar firmemente enraizado na própria identidade católica. Todas estas noviças, mais de meia centena, querem fazer parte de uma história que começou no final do século XVI com os portugueses. Pela capacidade que estas irmãs têm de atrair novas vocações, pode dizer-se que, ao fim de todos estes anos, a semente que os dominicanos portugueses plantaram na Ilha das Flores, na Indonésia, parece estar bem robusta…

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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