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“Rezem o terço todos os dias pela paz no mundo e pelo fim da guerra”
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No início do mês de maio, o Papa Francisco pediu orações. Na semana em que visitou a Hungria, o Papa garantiu querer estar presente na JMJ Lisboa 2023, convidou a rezar pelos movimentos eclesiais e encontrou-se com o primeiro-ministro da Ucrânia.

 

1. “Rezem o terço todos os dias pela paz no mundo e pelo fim da guerra”, pediu o Papa, na audiência-geral de quarta-feira, 3 de maio, saudar os peregrinos de língua portuguesa. Ao recordar, neste mês de maio, o pedido de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorinhos, Francisco acrescentou: “Também eu vo-lo peço: rezai o terço pela paz. Que Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, nos ajude a construir caminhos de encontro e veredas de diálogo, e nos dê a coragem de os percorrer sem demora”.

Como habitualmente, no final do encontro público semanal, na Praça de São Pedro, Francisco pediu também orações pela “martirizada população ucraniana”. De referir que entre os presentes na audiência-geral esteve o metropolita ortodoxo russo Anton, responsável do Patriarcado de Moscovo para as relações externas, que na véspera tinha mantido contactos com o Vaticano, ao nível do Dicastério para as Igrejas Orientais. O homem de confiança do patriarca Kiril saudou cordialmente o Papa, que lhe beijou a cruz peitoral. O encontro acontece poucos dias após o colóquio de Francisco com o metropolita russo Hilarion, na nunciatura de Budapeste. Hilarion foi o responsável das relações externas do Patriarcado ortodoxo de Moscovo durante 13 anos, até ser substituído no cargo pelo metropolitano Anton.

 

2. O Papa fez um balanço da sua última visita à Hungria, de 28 a 30 de abril, usando duas imagens: a das raízes e a das pontes. “As raízes fazem-me pensar na gente simples e trabalhadora que ali encontrei. São pessoas de fé que se deixam iluminar pelos santos do seu passado e que não têm medo do futuro, pois Cristo é o nosso futuro”, assegurou Francisco, durante a audiência-geral de quarta-feira, na Praça de São Pedro. O Santo Padre recordou os momentos de prova que os húngaros sofreram no passado, nomeadamente com as invasões nazi e soviética do século XX, mas acrescentou que hoje, “a ameaça vem do consumismo e do bem-estar que, fazendo esquecer as raízes, levam a trocar a beleza de estar em comunidade pela aridez do individualismo”.

A propósito da imagem das pontes, que define a própria cidade de Budapeste, o Papa recordou a vocação da Europa, “chamada a construir pontes de paz, a incluir as diferenças e a acolher quem lhe bate à porta”. E convidou todos a interrogarem-se: “Sou construtor de pontes, de harmonia e de unidade?”.

 

3. O Papa Francisco garantiu que deseja participar na Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023. “Sobre Lisboa: na véspera [dia 27 de abril] da minha partida [para a Hungria] falei com D. Américo [Aguiar, presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023] que veio ver como estão as coisas. Sim, eu vou, eu vou. Espero conseguir, vocês percebem que já não é a mesma coisa de há dois anos atrás, agora com a bengala estou melhor e, por enquanto, a viagem não está cancelada”, respondeu o Papa, na conferência de imprensa a bordo do avião de regresso a Roma após a visita à Hungria, em resposta a uma pergunta da jornalista Aura Miguel, da Rádio Renascença. Sobre a presença de jovens da Rússia e da Ucrânia na JMJ, revelou: “O D. Américo tem algo em mente, disse-me que está a preparar alguma coisa. E está a preparar bem”.

 

4. O Papa convidou os católicos a rezar, durante o mês de maio, pelos movimentos eclesiais, apontando à “harmonia” de todos na Igreja. “Os movimentos eclesiais são um dom, são a riqueza da Igreja! Isto é o que vocês são! Os movimentos renovam a Igreja com a sua capacidade de diálogo a serviço da missão evangelizadora”, refere Francisco, no vídeo mensal que apresenta a sua intenção de oração. A intervenção pede aos membros dos movimentos que se coloquem ao serviço dos bispos e das paróquias, para “evitar qualquer tentação de fechar-se em si mesmos, que pode ser um perigo”.

A mensagem, divulgada pela Rede Mundial de Oração do Papa, elogia a forma como, segundo o próprio carisma, estes movimentos encontram “novas maneiras de mostrar a atratividade e a novidade do Evangelho”. “Como fazem isto? Ao falar línguas diferentes, parecem diferentes, mas é a criatividade que cria essas diferenças. Mas sempre se entendem e se fazem entender”, referiu.

 

5. O Papa recebeu no Vaticano, na manhã de dia 27 de abril, o primeiro-ministro da Ucrânia, Denys Shmyhal, que pediu a Francisco ajuda para resgatar as crianças ucranianas transferidas ilegalmente para território russo. Em declarações à imprensa após o encontro de meia hora, Shmyhal explicou que pediu “ao Vaticano e ao Santo Padre ajuda para recuperar as crianças levadas à força pela Rússia”, um crime que já levou o Tribunal Penal Internacional (TPI) a emitir um mandado de captura internacional ao Presidente russo, Vladimir Putin. Em comunicado, a Santa Sé refere que, nas conversações, foram abordadas várias questões relacionadas com a guerra na Ucrânia, “com especial atenção para a vertente humanitária e para os esforços de restabelecimento da paz”.

Na troca de presentes, o Papa ofereceu ao primeiro-ministro ucraniano uma placa de bronze em alto relevo com uma flor a nascer e a inscrição ‘A paz é uma flor frágil’. Denys Shmyhal recebeu também das mãos do Papa a mensagem para o Dia Mundial da Paz deste ano, o Documento sobre a Fraternidade Humana, o livro sobre a celebração de 27 de março de 2020 (com o Papa sozinho durante a pandemia na Praça de São Pedro) e ainda o volume ‘Uma Encíclica sobre a Paz na Ucrânia’.

Da Ucrânia para Francisco, o primeiro-ministro trouxe um jarro de cerâmica representando um galo (uma peça que sobreviveu a um bombardeio perto de Kiev), algumas espigas de trigo da Ucrânia e um livro de fotos sobre a guerra em curso e a resistência do povo ucraniano.

Aura Miguel, jornalista da Renascença, à conversa com Diogo Paiva Brandão
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