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Testemunho JMJ – Ir. Maria do Carmo SNSF
«Tu que andas à procura de ti \ Parte à descoberta, vem ver o que eu vi.»
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Ultimamente, quando oiço falar de JMJ e Vocação ressoa em mim este verso do hino da próxima JMJ Lisboa 23, que me parece traduzir muito bem a minha experiência vocacional, onde as JMJ apesar de aparentemente distantes no tempo tiveram um papel crucial. Partilho um pouco convosco o que foi a JMJ Madrid 2011 na minha vida e o impacto que teve no meu percurso vocacional.

Venho de uma família cristã, onde a Missa Dominical não era negociável, a catequese era a dobrar, na paróquia e em casa às refeições aproveitando o facto de nenhum de nós (filhos) se lembrar do evangelho ou da homilia e onde os valores cristãos eram vividos e aprendidos com simplicidade. E foi assim que eu fui crescendo na fé dos meus pais.

Quando ouvi pela primeira vez falar em Jornada Mundial da Juventude estávamos por volta de 2010. Uma semana em Madrid pareceu-me inicialmente uma óptima ideia para as férias. Uns meses depois a ideia de um encontro entre os jovens e o Papa, foi ganhando o tom de uma semana entre homilias intermináveis, num pavilhão fechado entre um grupo de jovens beatos e secantes… Mas, lá me convenceram, e acabei por ir.

Começo por recordar a quantidade de jovens. A alegria que vibrava pelas ruas de Madrid. Os autocarros e o Metro a rebentar de jovens a cantar que os faziam estremecer. As fotografias com tantos irmãos que se iam juntando e aglomerando apenas porque sim, e aquilo que seria uma fotografia de um grupo de amigos em Madrid transformava-se num sinal intemporal de comunhão de Igreja. Gente a cantar e a dançar na rua, a partilhar o que era a sua cultura e a sua expressão de fé. Mas não foi só a festa, a alegria e a comunhão de Igreja, que experimentei em Madrid que me marcou, antes pelo contrário, foram os momentos de oração e das celebrações os que mais me tocaram e me foram inquietando (quiçá alimentando a minha vocação) ao longo dos anos.

Recordo aqui três destes momentos, o primeiro muito simples: numa das orações de Laudes em que rezámos o cântico de Daniel, a simplicidade daquele momento de rezar com todas as criaturas «bendizei o Senhor» ficou guardado em mim com uma beleza que a partir daí comecei a rezar Laudes com alguma regularidade.

O segundo e o terceiro momento quase se fundem pela sua proximidade temporal… A noite da Vigília em Cuatro Vientos. Cuatro Vientos, sempre que este nome ressoa em mim, um sorriso se esboça no meu rosto e olhar. Há tanto ou tão pouco para dizer que não sei se as palavras conseguem exprimir o que para mim foi aquele lugar.

Começámos por esperar o momento da chegada do Papa Bento XVI, na expectativa de o recebermos. Dois milhões de jovens ali presentes gritavam «Esta es la juventud del Papa» mas quando o Papa chegou foi ele que nos recebeu ali. Chegou a hora da vigília, o ambiente era o de 2 milhões de jovens juntos, havia canções, risos, burburinho de conversa, tudo menos silêncio, como seria de esperar com tanta mas tanta gente junta, que só se viam cabeças até ao horizonte. A oração inicia, o Evangelho diz-nos «permanecei no meu amor» (Jo15,9), o vento começa a fazer-se sentir e a chuva a cair – dando tréguas ao calor que ainda emanava da terra, o vento adensa-se e a chuva também. Um trovão irrompe. Fazendo estremecer tudo e todos. Segue-se um relâmpago que corta o céu ao meio. Começam tendas a voar. Nos altifalantes dizem-se coisas que não percebemos, e ninguém se mexe. Nem o Papa nem os jovens. O temporal faz-se sentir durante alguns minutos, e tal como veio sem aviso, assim também se vai, e o Papa começa a sua homilia nessa noite, «Obrigado, obrigado por essa alegria. Obrigado por essa alegria e resistência. Nossa força é maior que a chuva, obrigado»! Explode um aplauso.

A oração continua, o ruído de tanta gente junta, persiste como é de esperar, depois de uma aventura daquelas… até que é exposto o Santíssimo; e nesse momento faz-se um silêncio! Mas um silêncio, arrepiante…! Estavam 2 milhões de pessoas juntas e não se ouvia um barulho! Aquele momento, aquele silêncio na minha vida foi a melhor Palavra que o Senhor algum dia me disse. Foi naquele silêncio que percebi que Deus existia, foi naquele silêncio que a fé que vivia deixou de ser a dos meus pais e passou a ser a minha. Aquele silêncio foram as minhas «quatro horas da tarde» (Jo 1, 39).

Foi na JMJ de Madrid que descobri a alegria de ser cristã, aquela verdadeira alegria que nos faz questionar sobre o sentido da nossa vida. Foi naquela experiência de comunhão que compreendi o que é ser Igreja, e isto de sermos Irmãos. Mas foi sobretudo por aquele encontro com o Senhor - que por mais que quisesse, e acreditem que tentei…, durante 7 ou 8 anos tentei, tentei não ter que responder à pergunta que desde essas jornadas me “perseguia”: - E se Deus me chama a ser freira? - Tentei fugir de Deus, tentei não rezar, tentei não ir à missa ao Domingo, mas nada… em nada fui capaz de encontrar a alegria daquela semana, a paz daquele encontro. Até ao dia em que fui capaz de vencer os meus medos e inseguranças e arrisquei ir à procura da resposta, e em vez da resposta encontrei-me a mim. E assim termino, como comecei - «Tu que andas à procura de ti \ Parte à descoberta, vem ver o que eu vi.»

 

Veja o testemunho da Ir Maria do Carmo, SNSF, em https://vocacoes.patriarcado-lisboa.pt/testemunhos/

 

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O Pré-Seminário em abril!

 

Campanário da Páscoa no Seminário de Penafirme (rapazes do 9º, 10º e 11º ano)

Já os rapazes do 9º ao 11º ano começam, também no Domingo dia 2, o seu campanário. Com o tema “Reconstrói o meu Templo”, iremos descobrir um pouco melhor o que implica na nossa vida seguir Jesus na Sua Páscoa e o que significa ser “Templo de Deus”!

 

Estágio da Páscoa no Seminário de Penafirme (rapazes do 6º, 7º e 8º ano)

No fim de semana da Oitava Pascal será a vez de os mais novos terem o seu Estágio! Guiados pelo exemplo e pela vida de S. Nuno de Santa Maria, vamos aprender a ser verdadeiros soldados e amigos de Jesus.

 

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