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Roma
O “empenho” das mulheres “em construir uma sociedade mais humana”
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O Papa Francisco saudou todas as mulheres. Na semana em que renovou o Conselho de cardeais e restruturou o banco do Vaticano, o Papa apelou a que seja travado o tráfico de seres humanos no Mediterrâneo, pediu aos jovens “ousadia”, “serviço” e “amor aos pobres” e respondeu a perguntas num novo documentário.

 

1. No Dia Internacional da Mulher, a 8 de março, o Papa agradeceu a todas as mulheres “o empenho em construir uma sociedade mais humana, mediante a sua capacidade de acolher a realidade com olhar criativo e coração terno”. “Isto é um privilégio só das mulheres”, sublinhou Francisco, no final da audiência-geral de quarta-feira, na Praça de São Pedro.

No final do encontro publico semanal, o Papa encontrou-se pessoalmente com duas mulheres nigerianas vítimas do Boko Haram, segundo a Fundação AIS (Ajuda à Igreja que Sofre). As duas cristãs (Maryamu Joseph, de 19 anos, e Janada Marcus, de 22) foram convidadas a dar testemunho da perseguição religiosa na Nigéria e muito particularmente sobre a violência contra as mulheres naquele país africano.

Também naquele dia, a Santa Sé divulgou o prefácio que o Papa Francisco escreveu para um livro dedicado à realidade da mulher e ao seu papel como motor da nossa casa comum. “O mundo será melhor se houver paridade na diversidade entre homens e mulheres”, avisa. A violência contra as mulheres “é um flagelo aberto resultante de uma cultura de opressão patriarcal e machista”, por isso, “devemos encontrar a cura”. O Papa defende que “um mundo melhor, mais justo, inclusivo e plenamente sustentável não pode ser perseguido sem a contribuição das mulheres”. E pede para se trabalhar, todos juntos, e, deste modo, “abrir oportunidades iguais para homens e mulheres, em todos os contextos, para buscar uma situação estável e duradoura de igualdade na diversidade porque o caminho da afirmação feminina é recente, conturbado e, infelizmente, não definitivo”.

Na catequese desta quarta-feira, dedicada à “paixão pela evangelização e zelo apostólico do crente”, Francisco alertou que “quem não evangeliza, não é bom cristão”. “Independentemente da própria função na Igreja e do grau de instrução da sua fé, cada batizado é um sujeito ativo de evangelização”, lembrou.

 

2. O Papa Francisco renovou, com novos membros, o seu Conselho de cardeais, organismo que instituiu no início do seu pontificado. A nova equipa de conselheiros é agora reforçada com alguns novos cardeais que preenchem os lugares dos que já resignaram por limite de idade. O novo Conselho passa a ser composto pelos cardeais Pietro Parolin, Secretário de Estado; Vérgez Alzaga, Presidente da Comissão Pontifícia para o Estado e Governatorado do Vaticano; Ambongo Besungu, arcebispo de Kinshasa (República Democrática do Congo); Oswald Gracias, arcebispo de Bombaim (India); Seán O'Malley, arcebispo de Boston (Estados Unidos da América); Juan José Omella, arcebispo de Barcelona (Espanha); Gérald C. Lacroix, arcebispo de Québec (Canadá); Jean-Claude Hollerich, arcebispo do Luxemburgo; e Sérgio da Rocha, arcebispo de São Salvador da Bahia (Brasil).

Neste mesmo dia, o Vaticano publicou um documento assinado pelo Papa que reestrutura o Instituto para as Obras de Religião (I.O.R.). As novas medidas surgem no âmbito da nova Constituição ‘Praedicate Evangelium’, dedicada à reforma da Cúria e organismos vaticanos.

 

3. No final do Angelus do passado Domingo, 5 de março, o Papa deixou um veemente apelo contra o tráfico humano. Francisco rezou pelas vítimas do mais recente naufrágio em Crotone, junto à costa de Calábria, de um barco proveniente da Turquia, cheio de migrantes que se afundou a 300 metros da costa, causando pelo menos 70 mortos, incluindo 16 crianças e um bebé. “Manifesto o meu apreço e gratidão à população local e às instituições de solidariedade pelo acolhimento a estes irmãos e irmãs. E renovo a todos o meu apelo para que não se repitam tais tragédias”, afirmou, referindo que estas viagens de esperança não se podem transformar em viagens de morte. “Que se trave os traficantes de seres humanos, que não continuem a dispor da vida de tantos inocentes. Que as viagens da esperança nunca se transformem em viagens da morte. Que as límpidas águas do Mediterrâneo nunca se manchem de sangue com estes dramáticos acidentes. Que o Senhor nos dê força para entender e chorar”, concluiu o Papa, fazendo um momento de silêncio, acompanhado pela multidão na Praça de São Pedro.

 

4. O Papa Francisco enviou uma mensagem aos jovens de Inglaterra e do País de Gales, reunidos no encontro ‘Flame’, a quem pediu “ousadia”, “serviço”, “amor aos pobres” e “busca de justiça e bem-comum”. “É sua esperança que os reunidos, como Maria, a mãe de Deus, respondam com pressa ao apelo do Senhor para segui-Lo”, escreveu o Papa num telegrama, assinado pelo Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Pietro Parolin.

A Sala de Imprensa da Santa Sé, que divulgou a mensagem para o encontro no Estádio de Wembley, em Londres, assinalou os 150 dias que faltam para a Jornada Mundial da Juventude Lisboa 2023. “O Papa Francisco ficou satisfeito por saber que jovens católicos de toda a Inglaterra e País de Gales estão a reunir-se na arena de Wembley para o Congresso das Chamas 2023, e envia sinceros votos de felicidades e a garantia da sua proximidade espiritual a todos os participantes”, pode ler-se.

 

5. ‘ÁMEN: Francisco Responde’ estreia brevemente na plataforma de streaming Disney+. O Papa vai responder a jovens de várias nacionalidades e religiões, incluindo uma vítima de abusos na Igreja. “Estão a chegar coisas novas”, diz Francisco, no trailer de apresentação do novo documentário.

Num primeiro vídeo, o Papa surge rodeado de um grupo de jovens de várias nacionalidades e religiões para uma conversa. Entre eles está Juan Cuatrecasas, vítima de abusos sexuais num colégio católico, uma jovem que vive no mundo da prostituição e um imigrante. A estreia do documentário, em exclusivo na Disney+, não tem ainda data marcada.

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