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Via-Sacra JMJ Lisboa 2023 reúne milhares de jovens no Parque Eduardo VII
“Há esta Cruz!”
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Mais de cinco mil jovens participaram, no Parque Eduardo VII, na Via-Sacra JMJ Lisboa 2023, com o Cardeal-Patriarca a garantir que, “mesmo daqui a 200 mil anos”, a cruz de Cristo “continuará a atrair-nos a todos”. D. Manuel Clemente recordou ainda a presença, naquele lugar, do Papa João Paulo II, há mais de 40 anos.

 

“Em maio de 1982, aqui, neste mesmo local, estavam centenas de milhares de jovens – era a visita do Papa São João Paulo II a Portugal, a sua primeira visita, para agradecer ter sido salvo do atentado no ano anterior. E aqui reuniu-se com os jovens de Lisboa e do país, e era uma imensidão que enchia todo este Parque Eduardo VII até lá abaixo, à Avenida da Liberdade. Parece que foi ontem, e para nós, que somos jovens há mais tempo, parece mesmo que foi ontem”, começou por recordar o Cardeal-Patriarca, no final da Via-Sacra JMJ Lisboa 2023, que decorreu na noite da primeira sexta-feira da Quaresma, a 24 de fevereiro. “Daqui a pouco mais de cinco meses, estarão aqui um milhão, um milhão e meio de jovens, outra vez, para a nossa Jornada Mundial da Juventude. Hoje, estamos nós aqui e a razão principal é precisamente esta cruz. Nesta cruz, vemos muito mais do que duas hastes de madeira, uma vertical e outra horizontal: uma vertical, lançada para Deus Pai; outra horizontal, que se alarga ao mundo inteiro. É algo que não sabemos explicar, porque é de Deus, que nos congrega à volta da cruz do seu Filho, no amor do seu Espírito. Por isso, como há dois mil anos e como daqui a 200 mil anos, em qualquer parte onde o mundo ainda subsistir, esta cruz continuará a atrair-nos a todos”, garantiu, na mensagem que dirigiu aos participantes na via-sacra e que foi registada pela Rádio Amparo, da paróquia de Benfica.

 

Cruzes

Na presença de D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Manuel Clemente referiu-se, depois, às várias “cruzes” da vida, no “mundo inteiro”. “Cruzes de guerras que nunca mais acabam, com milhares de mortes; cruzes de abusos de todo o género, sobre os mais frágeis; cruzes de gente que vive sem habitação, nem sítio onde se recolher nestas noites frias de inverno; cruzes de gente que não tem o suficiente para comer, que não tem trabalho para levar uma vida digna; cruzes de gente que sai das suas terras à procura de uma terra que nunca mais chega; cruzes de gente que vive só – e nesta nossa cidade de Lisboa há muita gente a viver só e, assim, na sua solidão, sem razões para existir, quase; cruzes de doenças que nunca mais acabam e que nos tocam de perto ou aos nossos; enfim, cruzes, cruzes, cruzes, e mais aquelas que levamos no nosso coração e que só nós sabemos”, lembrou D. Manuel Clemente, convidando depois a juntar “a sua cruz à cruz de Jesus”: “Há esta Cruz! Esta cruz atrai-nos, porque sabemos que, na sua cruz, Jesus transporta todas as nossas cruzes. E sabemos que o seu destino não é um destino de morte, é um destino de vida. É por isso que estamos aqui. Por isso, esta noite foi uma celebração da vida, da vida que cada um de nós ganha juntando a sua cruz à Cruz de Jesus, e levando connosco as cruzes dos outros, com a Cruz de Jesus”.

No final, o Cardeal-Patriarca lembrou a “aproximação cada vez maior” à realização da JMJ Lisboa 2023. “Devo-vos dizer que já estão inscritos jovens de mais de 180 países – portanto, de quase todos os países do mundo –, que aqui, com mais ou menos consciência, são atraídos por essa grande cruz que anda de diocese em diocese, e que também chegará a Lisboa, que é aquela que, nós sabemos, nos salva. Boa noite a todos, na Cruz de Nosso Senhor”, terminou D. Manuel Clemente.

 

Jovens unidos

O responsável pelo Comité Organizador Diocesano (COD) de Lisboa considera que a Via-Sacra pela JMJ Lisboa 2023, celebrada em todas as dioceses, foi um “marco importante no caminho de preparação para a JMJ”. “Foi bonito ver os jovens unidos, a Igreja de Lisboa unida, as várias pastorais – universitária, vocacional, familiar, catequese – e foi bonito ver a Igreja de Lisboa reunida para rezar junto da cruz com o seu bispo, com a JMJ no horizonte”, afirmou João Clemente, em declarações à Agência Ecclesia.

O responsável salientou que “todas as meditações foram ao encontro dos jovens” e os “textos foram pensados, foram rezados por jovens, em conjunto várias congregações e movimentos juvenis, que ajudaram na vivência da celebração”. “Durante as estações foram lembrados muitos jovens perseguidos por guerras, por falta de bens, por não terem acesso à habitação, pelo desemprego, por terem de emigrar das suas terras, tocou-se a questão de todos os jovens, todas as crianças que foram feridas na sua intimidade… Colocámos junto desta cruz o que são as cruzes de tantos jovens”, destacou João Clemente.

De acordo com o COD de Lisboa, que organizou a iniciativa de oração, mais de cinco mil participantes percorreram as estações da Via-Sacra na noite do passado dia 24 de fevereiro, no Parque Eduardo VII, o local onde vai estar o Papa Francisco para viver a mesma celebração, com os jovens do mundo inteiro, no próximo dia 4 de agosto.

 

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Dioceses de todo o país rezaram pela JMJ Lisboa 2023

O Comité Organizador Local (COL) da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023 desafiou as dioceses portuguesas a unirem-se em Via-Sacra, na primeira sexta-feira da Quaresma, dia 24 de fevereiro, “como forma de preparação para o maior encontro de jovens com o Papa Francisco”, de 1 a 6 de agosto, “já a pensar na Via-Sacra que se realizará a 4 de agosto”, mas também “como forma de preparação e reflexão para a Páscoa”, segundo a organização.

Na noite do passado dia 24 de fevereiro, a Via-Sacra pela JMJ Lisboa 2023 teve lugar nas dioceses de: Lisboa, Setúbal, Braga, Guarda, Aveiro, Beja, Leiria-Fátima, Viana do Castelo, Coimbra, Algarve, Porto e Portalegre-Castelo Branco.


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Mensagem para a Quaresma e homilia de Quarta-feira de Cinzas

Uma Quaresma para consolidar a esperança

O Cardeal-Patriarca de Lisboa reiterou o “pedido de perdão” às vítimas de abusos sexuais de menores na Igreja. Na Mensagem para a Quaresma, D. Manuel Clemente salienta que este tempo litúrgico de preparação para a Páscoa é vivido com um “sentimento misto de tristeza” e “esperança”. “Abalados como fomos pelo relatório sobre abusos sexuais de menores na Igreja, de 1950 em diante, não podemos deixar de viver esta Quaresma sem um sentimento misto de tristeza e, apesar de tudo, esperança. Tristeza, por nós e sobretudo por quem sofreu o que nunca devia ter sofrido, e muito menos da parte de quem sofreu e onde sofreu. Tristeza, vergonha e arrependimento não podem faltar neste momento, mesmo quando mais institucional do que pessoalmente, para quem não cometeu tais crimes nem com eles compactuou. Nada disto relativiza o pedido de perdão, antes nos corresponsabiliza a todos para emendar o que tem de ser emendado e aliviar o que possa ser aliviado a quem sofreu na altura e ainda sofra depois. Reiteramos o pedido de perdão a quem sofreu, com a nossa solidariedade total e o compromisso de tudo fazer para ajudar no presente e prevenir o futuro. Quando houver algo a ser julgado e sancionado, sê-lo-á certamente, segundo a lei civil, canónica e evangélica – sendo que esta última não nos deixa desistir da conversão de ninguém”, referiu o Cardeal-Patriarca, naquela que foi a sua homilia na Missa de Quarta-feira de Cinzas, no dia 22 de fevereiro, na Sé Patriarcal de Lisboa.

A “última palavra desta homilia e mensagem quaresmal” foi dirigida “aos meus caríssimos irmãos sacerdotes, sem esquecer os diáconos”. “Tendes sofrido particularmente neste tempo, em que a inegável dedicação pastoral da generalidade é afetada por notícias da infidelidade de alguns, provada ou alegada que seja. Sei que não vos falta a proximidade e o conforto de muitos membros do Povo de Deus, que reconhecem e agradecem a vossa entrega ao serviço de todos e de cada um. (…) Vivamos intensamente o nosso sacerdócio e o nosso serviço, sem os quais o mundo não seria o que, apesar de tudo, vai sendo, em tantas situações de solidariedade social e comunhão espiritual. E tendo bem presente que o êxito da Jornada Mundial da Juventude, cada vez mais próxima e tão necessária aos mais novos, neste tempo pós-pandémico, resultará sobretudo da intensidade espiritual com que a vivamos desde já. – Seja uma Quaresma para consolidar a esperança!”, terminou D. Manuel Clemente.

 

Renúncia quaresmal

A renúncia quaresmal de 2022, destinada em parte à Diocese de Palai (Índia), para o seu hospital que atende especialmente a população mais pobre, e em parte à Cáritas Diocesana de Lisboa, para apoiar as necessidades do povo ucraniano, totalizou 140 000 ¤. A renúncia quaresmal deste ano destina-se à construção duma casa de acolhimento a adolescentes e jovens que descem da montanha para estudar em Laleia (diocese de Baucau – Timor Leste), gerida pelas Franciscanas Missionárias de Nossa Senhora, e à Comunidade Vida e Paz, para poder reforçar o seu apoio às pessoas em situação de sem-abrigo.

Mensagem para a Quaresma na integra em www.patriarcado-lisboa.pt

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos por Duarte de Mourão Nunes / COD de Lisboa
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