Domingo |
À procura da Palavra
“Já” e “ainda não”
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DOMINGO II QUARESMA

“Pedro disse a Jesus: «Senhor, como é bom estarmos aqui!

 Se quiseres, farei aqui três tendas.»”

Mt 17, 4



A tensão entre o “já” e o “ainda não” fazem parte integrante do caminho da fé. Já vivemos da Páscoa da ressurreição, mas ainda é preciso fazer o percurso da cruz. Já saboreamos a graça de Deus em tantos momentos, mas ainda somos autores de tantas desgraças quotidianas. Já sabemos de cor o mandamento novo, mas continuamos tão agarrados às leis velhas. Parece que todo o avanço é um pouco assim: “dois passos em frente e um para trás”!

Jesus vai com alguns discípulos ao alto do monte e fá-los dar um imenso pulo para diante. Confrontados com os testemunhos de Moisés e Elias, aqueles homens espantados pensam que é já ali o céu. Estão dispostos a montar três tendas para ali ficarem. Mas Jesus baralha-lhes os planos: é preciso descer ao quotidiano, continuar a missão com o confronto e os desafios de cada dia. Esse é o lugar dos discípulos de Cristo: onde o homem se encontra! Porque Deus vem ao encontro do homem na sua própria história.

Não é difícil cairmos nos extremos do espiritualismo ou do materialismo. O primeiro que vive numa tentação de levitar, pairando sobre a existência, num movimento de fuga das vivências humanas com as suas misérias e grandezas, encontrando um consolo e refúgio em experiências espirituais ambíguas e mais ou menos alienantes. O segundo que vive numa absorção do imediato, vivendo numa ânsia de vencer o tempo e criando compromissos constantes em ordem à transformação do mundo e das mentalidades, sem nenhuma referência ao transcendente, num movimento sem rumo visível. Porque são extremos, quase se tocam e acabam por não saciar o coração humano! Só pelo diálogo e pela coragem de encontrar pontos de união é possível ultrapassar as dicotomias. Jesus com os discípulos exercitou essa amizade que pode consolidar relações fecundas capazes de crescer e fazer crescer.

Creio que é Jesus Cristo quem melhor responde à nossa procura: nesta união de Deus e do Homem há um movimento de subida e descida do monte. Como o do bater do coração que faz picos e vales no quadriculado de um electrocardiograma. Há um dinamismo ascendente em que valorizamos sempre o que de melhor há no homem, na vida e no mundo. E outro, descendente, em que experimentamos a fragilidade, a importância dos outros, a aprendizagem com os erros, e a humildade de nos deixarmos ajudar.  Por isso, o passo em que se vem atrás não é completo desperdício; também pode ser trampolim. Pode tornar o caminho lento, mas não estamos a fazer uma “prova de 100 metros”; estamos numa corrida de fundo como a maratona!

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