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Roma
“Que Nossa Senhora proteja” as vítimas do terramoto na Turquia e Síria
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O Papa Francisco apelou à solidariedade para com as vítimas do terramoto na Turquia e Síria. Na semana em que rezou por “novos caminhos de perdão e comunhão” na República Democrática do Congo e no Sudão do Sul, o Papa considerou que “a morte de Bento XVI foi instrumentalizada” e incentivou os jovens contra o tráfico humano, que “desfigura a dignidade”.

 

1. “O meu pensamento vai, neste momento, para as populações da Turquia e da Síria, duramente atingidas por um terramoto que causou milhares de mortos e feridos”, disse o Papa, no final da audiência-geral de quarta-feira, 8 de fevereiro. Francisco manifestou a sua comoção e proximidade “a estes povos, aos familiares das vítimas e a todos aqueles que sofrem por causa desta devastadora calamidade” e agradeceu aos que se empenham em socorrer aquela gente, encorajando todos “à solidariedade com aqueles territórios, em parte já martirizados por uma longa guerra”.

Na Sala Paulo VI, no Vaticano, o Papa pediu ainda aos peregrinos de várias línguas para rezarem por “estes nossos irmãos e irmãs, para que possam seguir em frente no meio desta tragédia”. “E que Nossa Senhora os proteja”, rezou.

 

2. O Papa Francisco dedicou grande parte da audiência-geral de quarta-feira à mais recente visita que realizou a África. “Rezemos para que novos caminhos de perdão e comunhão se abram na República Democrática do Congo e no Sudão do Sul, e que sementes de amor, justiça e paz germinem em toda a África”. O Santo Padre sublinhou que, “pela sua natureza, os seus recursos e sobretudo pela sua gente, o Congo é como um diamante; mas um diamante ensanguentado pelas contendas e violências que a sua posse motiva”. E aproveitou para reiterar: “Basta de explorar a África! Em vez disso, caminhemos juntos, com dignidade e respeito recíproco, juntos em nome de Cristo nossa esperança!”

O Papa recordou que a segunda parte da viagem, ao Sudão do Sul, foi “o ponto de chegada dum caminho que vinha de trás e já nos tinha visto juntos, no ano 2019 em Roma, com as autoridades do Sudão do Sul para assumir o compromisso de superar o conflito e construir a paz”. E lamentou que o processo de reconciliação naquele país não tenha acabado “vítima da velha lógica do poder e da rivalidade, que produz guerra, violências, refugiados e deslocados internos”. No entanto, e apesar destes entraves à paz e à reconciliação, “Deus coloca as suas esperanças, não nos grandes e poderosos, mas nos pequeninos e humildes, como nos diz a Bíblia do princípio até ao fim”, destacou. “É o mistério da esperança de Deus, que vê uma árvore frondosa onde existe uma pequena semente. Rezemos para que, nestes dois países e na África inteira, germinem as sementes do seu Reino de amor, justiça e paz”, concluiu Francisco.

 

3. O Papa Francisco regressou ao Vaticano após a visita à República Democrática do Congo e ao Sudão do Sul e, durante o voo entre Juba e Roma, aproveitou a oportunidade, como é hábito, para conversar com os jornalistas que o acompanharam. Aí, fez questão de frisar, pela primeira vez desde a morte de Bento XVI, que, ao contrário do que tem sido noticiado e veiculado por algumas figuras do Vaticano, a sua relação com o Papa emérito esteve sempre em bons termos. Aliás, nos últimos anos, em vários momentos, pode “trocar opiniões” e aconselhar-se com Bento XVI. “Ele esteve sempre ao meu lado, a apoiar-me. E se tinha alguma dificuldade, falávamos e não havia qualquer problema. Essas coisas que se dizem, que Bento estava amargurado por isto ou por aquilo que fez o novo Papa, são histórias chinesas. Aliás, consultei Bento antes de tomar algumas decisões e ele estava de acordo”, começou por dizer. E depois argumentou: “Creio que a morte de Bento foi instrumentalizada por gente que quer levar a água ao seu moinho, é gente que, de um modo ou do outro, instrumentaliza uma pessoa tão boa, tão de Deus, esta gente não tem ética; é uma gente de um partido, não de Igreja”.

Ainda durante a viagem, o Papa Francisco voltou a falar sobre a forma como a Igreja Católica vê os homossexuais. “Criminalizar as pessoas com tendência homossexual é uma injustiça. Não estou a falar de grupos, mas de pessoas. Os lobbys são outra coisa. Estou a falar de pessoas. E creio que o Catecismo da Igreja Católica diz esta frase: ‘Que não sejam marginalizados’”, disse.

Em 2019, após um encontro com os líderes políticos do Sudão do Sul, numa tentativa de encontrar a paz para o país africano, o Papa Francisco beijou, de forma inesperada, os pés de todos os presentes. Questionado pelos jornalistas a propósito do primeiro aniversário da invasão da Ucrânia, se gostaria de beijar os pés de Putin e Zelensky, o Papa disse estar disponível para se encontrar com os dois líderes. “Estou aberto a encontrar os dois. Se ainda não fui a Kiev é porque, de momento, me é impossível ir a Moscovo. Aquele gesto de beijar os pés aos líderes do Sudão do Sul não foi pensado; foi apenas instrumento de um impulso. Naquele caso, abriu um caminho… mas os atos por impulso não são para repetir”, respondeu.

 

4. ‘Caminhar pela Dignidade’ é o tema da 9.ª jornada mundial de oração e reflexão contra o tráfico de pessoas, que envolve os jovens como protagonistas. Este dia, a 8 de fevereiro, coincide com a festa litúrgica de Santa Josefina Bakhita, padroeira das vítimas do tráfico humano, e, num vídeo dirigido aos jovens, o Papa Francisco encoraja-os a cuidar da dignidade de cada um. “O tráfico de pessoas desfigura a dignidade. A exploração e a sujeição limitam a liberdade e transformam as pessoas em objetos a serem usados e descartados”, alertou o Papa, lembrando que “o sistema do tráfico se aproveita de injustiças e desigualdades que obrigam milhões de pessoas a viver em condições de vulnerabilidade”. Francisco lamentou ainda o aumento preocupante deste tráfico, “afetando especialmente migrantes, mulheres e crianças, jovens como vocês, pessoas cheias de sonhos e vontade de viver com dignidade”.

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