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Workshop
“Divórcio e Acompanhamento” - 2.ª Parte
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Um Padre, uma Mediadora e um Casal, desafiados a orientar um workshop intitulado: “Divórcio e Acompanhamento”, que integrou o leque de workshops que emolduraram o último Congresso Teológico-Pastoral, no dia 5 de Outubro de 2022, com o título “A vocação ao Amor e à Santidade dos jovens e das Famílias”. Depois da 1.ª Parte, leia agora a 2.ª Parte.

 

A indissolubilidade do matrimónio, foi outra premissa presente no workshop. Se por um lado a indissolubilidade visa a preservação do vínculo sacramental do matrimónio por parte dos esposos unidos em Cristo, a importância da preparação dos mesmos, para a celebração do Sacramento é premente e cada vez mais necessária. O mesmo é dizer, educar consciências para o Ato Sacramental do Matrimónio que convida à Santidade dos Esposos e à Vocação ao Amor Maior que é Cristo, que através do Sacramento Esponsal habita no meio deles (1+1=3).

 

O Curso de Preparação para o Matrimónio (CPM) são sessões, meia dúzia de horas – diz Paulo – e quando as pessoas chegam ao CPM já estão decididas. Deve começar-se mais cedo, nas catequeses, nos jovens. Temos conhecimento de paróquias que têm grupos de acompanhamento de casais de namorados. O caminho começa logo aí. Quando fazem o discernimento do casamento já é muito mais refletido, rezado. E mesmo após o matrimónio deve haver algum acompanhamento, afirma Zezinha.

 

A importância de uma preparação remota salientada pelos Itinerários Catecumenais para a Vida Matrimonial[1], trazida à reflexão pelo Cónego Rui Pedro foi como a resposta a estas interpelações trazidas pelo casal Zezinha e Paulo, que hoje, juntamente com os seus 3 filhos adotivos, consideram que tem sido um renascer de família (...) sentem que são uma família onde reina muito o amor e isso acaba por ser o elo mais forte do que, o laço biológico.

 

Zygmunt Bauman, sociólogo polaco, comparava a sociedade atual a uma fina camada de gelo, sobre a qual devemos caminhar de forma acelerada para não a quebrarmos e nos afundarmos. Assim, para sobrevivermos a esta sociedade líquida, precisamos de velocidade.

 

Para vivermos relações significativas, como é o matrimónio, tal aceleração não é possível, pois a união de esposos é o lugar de pausa para o cuidado mútuo e olhar apreciativo, o lugar do diálogo e da partilha de sonhos. Por outro lado, na sociedade da velocidade, existe uma enorme pressão para a auto-realização pessoal que faz com que coloquemos todas as fichas na carreira profissional e no nosso próprio bem-estar pessoal. Muitos casais queixam-se da falta de tempo e de incentivos para estarem juntos.

 

Portugal integra o top 5 de países do mundo, com a taxa mais baixa de casamentos[2], e atualmente volta a ser o país da Europa, com a taxa mais alta de divórcios, ou seja, 9 em cada 10 casamentos, acaba em divórcios[3]. Se em 1960, 9 em 100 divórcios, eram de pessoas casadas pela Igreja Católica, atualmente esse valor é de 49 em 100 divórcios[4]. Além disso, Portugal encontra-se entre os países da Europa que canalizam menos apoios e recursos para políticas de Família.

 

Muito ficou por abordar neste workshop, mas isso já o sabíamos mesmo antes de o começar. Contudo, aproveitamos para deixar 5 perplexidades, fruto deste momento de partilha:

-          Que proposta(s) é que enquanto Famílias e Comunidade Católica podemos dar e testemunhar, sabendo que “o desejo de família permanece vivo, especialmente entre os jovens” (AL 1)?

-          Que atitude pessoal e comunitária podemos tomar perante as consequências da separação ou do divórcio sobre os filhos, que em todo o caso são vítimas inocentes da situação?

-          Tendo em conta os índices e taxas supracitadas, que respostas é que a Igreja Católica pode oferecer a este inverno de vínculos?

-          Enquanto irmãos em Cristo, somos capazes de criar lugares[5] de reconciliação e de mediação (AL 242) onde se dê a devida atenção pastoral, a estas Famílias feridas[6].

-          Será que se deve pensar num serviço de acolhimento destes casais anterior aos tribunais?[7]

 

texto elaborado por Susana Silva, Mediadora de conflitos Familiares, com a colaboração do Cónego Rui Pedro Trigo de Carvalho e do casal Maria José Costa (Zézinha) e Paulo Alves



[5] in Itinerários Catecumenais para a Vida Matrimonial - Orientações pastorais para as Igrejas particulares (n. 94).

[6] cf. Relatio Synodi (n. 44 - 54).

[7] Interpelação feita por Mons. Duarte da Cunha, pároco de Santa Joana Princesa e assistente da Pastoral da Família do Patriarcado de Lisboa.

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