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As “três nascentes de paz” para a República Democrática do Congo
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O Papa Francisco deixou uma forte mensagem à reconciliação como antídoto para travar a violência que destrói a República Democrática do Congo. Seguiu-se a visita ao Sudão do Sul, na semana em que o Vaticano enviou uma carta aos bispos de todo o mundo, a propósito do Sínodo, e o Papa apelou à paz na Terra Santa e voltou a sublinhar que “qualquer ato sexual fora do casamento é pecado”.

 

1. O Papa Francisco desafiou os congoleses – e em particular os cristãos – a “romper a espiral da violência” no país. “Depõe as armas, abraça a misericórdia”, apelou o Santo Padre, na Missa a que presidiu no aeroporto de Kinshasa, na República Democrática do Congo, a 1 de fevereiro, numa forte mensagem à reconciliação, que apontou como antídoto para travar a violência que destrói este país africano. “Num mundo desanimado com a violência e a guerra, os cristãos fazem como Jesus”, sendo chamados a “assumir e proclamar ao mundo este inesperado e profético anúncio de paz”, disse Francisco, na homilia.

O Papa lembrou que se guarda e cultiva a paz de Jesus através de “três nascentes de paz, três fontes para continuar a alimentá-la: o perdão, a comunidade e a missão”. Sobre o perdão, Francisco recordou as palavras de Jesus aos seus discípulos – “aqueles a quem perdoardes os pecados, ficarão perdoados” – e referiu que “o perdão nasce das feridas” e que, portanto, “as fragilidades tornam-se oportunidades, e o perdão torna-se o caminho da paz”. “Não se trata de esquecer tudo como se nada fosse, mas de abrir aos outros o próprio coração com amor”, disse o Papa, pedindo para que cada um escreva no seu quarto, ou no exterior da casa, as palavras de Jesus: “A Paz esteja convosco”. “Mostrai-as, serão uma profecia para o país, a bênção do Senhor sobre quem encontrais. Deixemo-nos perdoar por Deus e perdoemo-nos entre nós”, reforçou. Francisco defende que a segunda fonte de paz é a comunidade e afirma que “o caminho é partilhar com os pobres”. “É o melhor antidoto contra a tentação de nos dividir e mundanizar”, frisou. Sobre a terceira fonte da paz, a missão, lembrou que Jesus foi enviado por Deus para “servir e dar a vida em resgate pela humanidade” e para “todos, e não só para os justos”.

No arranque da visita, a 31 de janeiro, o Papa alertou: “Não podemos habituar-nos ao sangue que há décadas corre neste país”. No encontro oficial com as autoridades, corpo diplomático e representantes da sociedade civil, em Kinshasa, Francisco apresentou-se como “peregrino da reconciliação e da paz”, e lamentou que a comunidade internacional “se tenha quase resignado” com a violência e o ódio, “sentimentos anti-humanos e anticristãos” que continuam a sufocar o país.

 

2. Após a visita à República Democrática do Congo, a 40.ª viagem internacional de Francisco, de 86 anos, iria ainda passar pelo Sudão do Sul, de 3 a 5 de fevereiro. Os dois países, dilacerados por conflitos, violência e guerra civil, acolhem o Papa com enorme esperança. Esta viagem foi anunciada e organizada para o início de julho do ano passado, mas Francisco viu-se obrigado a adiar por causa de problemas no seu joelho.

A RDC, com 100 milhões de habitantes, é o terceiro maior país africano e o maior país católico deste continente, com quase 50 milhões de batizados. Há 37 anos que um Papa não visita o país: João Paulo II foi lá duas vezes, em 1980 e em 1985, quando ainda se chamava Zaire.

A visita ao Sudão do Sul, o país mais jovem do mundo, declarado independente pelas Nações Unidas em 2011, é há muito sonhada pelo Santo Padre. Com 11 milhões de habitantes e 50 por cento de católicos, vive em harmonia, sem qualquer divisão entre cristãos, mas o problema são as lutas internas entre clãs e as rivalidades para ocupar as zonas mais ricas.

 

3. O Vaticano enviou uma carta aos bispos de todo o mundo, a respeito do Sínodo 2021-2024, convocado pelo Papa, sublinhando a necessidade de colocar este processo em continuidade com a dinâmica do Concílio Vaticano II. “Como poderíamos lidar com questões pontuais, muitas vezes divisionistas, sem antes ter respondido à grande questão que tem questionado a Igreja desde o Concílio Vaticano II: ‘Igreja, que dizes de ti mesma?’. A longa viagem de receção do Concílio leva-nos a dizer que a resposta está na Igreja ‘constitutivamente sinodal’, onde todos são chamados a exercer o seu próprio carisma eclesial em vista do cumprimento da missão comum de evangelização”, assinala o texto, enviado a 30 de janeiro.

A carta é assinada pelos cardeais Mario Grech e Jean-Claude Hollerich, respetivamente secretário-geral do Sínodo e relator-geral da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos. “Confiamos que, nas Assembleias Continentais, a voz das Igrejas particulares ressoará novamente e com ainda maior força, através da síntese realizada pelos Sínodos/Conselhos das Igrejas sui iuris e pelas Conferências Episcopais Nacionais”, apontam.

 

4. Preocupado com a violência na Terra Santa, o Papa apelou, no passado Domingo, 29 de janeiro, à paz na Terra Santa. “A espiral de morte que aumenta de dia para dia não faz mais do que fechar as poucas espirais de confiança que existem entre os dois povos. Deixo um apelo aos dois governos e à comunidade internacional, para que se encontrem, de imediato e sem adiamento, outras vias que incluam o diálogo e a busca sincera da paz”, reforçou Francisco, no final do Angelus, pedindo depois orações pela viagem pastoral a África.

 

5. O Papa Francisco escreveu uma carta ao padre James Martin, jesuíta, esclarecendo “que qualquer ato sexual fora do casamento é pecado”, referindo-se à entrevista dada à agência Associated Press. “Eu simplesmente me referia ao ensinamento da moral católica, que diz que qualquer ato sexual fora do casamento é pecado”, escreveu o Papa, na carta divulgada pela Santa Sé.

Francisco destacou que “também devem ser consideradas circunstâncias, que diminuem ou anulam a culpa”, porque “sabemos bem que a moral católica, além da matéria, valoriza a liberdade, a intenção; e isto, para todo tipo de pecado”, e reforçou o que disse na entrevista sobre o empenho da Igreja Católica no reconhecimento da “dignidade” de todos. “Aos que querem criminalizar a homossexualidade, eu gostaria de dizer que estão errados”, referiu.

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