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“A fé de Bento XVI estimula ao crescimento espiritual”
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O Papa Francisco recordou o Papa Emérito. Na semana em que publicou a Mensagem para o Dia Mundial do Doente, o Papa lembrou ao corpo diplomático que “a posse de armas atómicas é imoral”, rezou pelas mães ucranianas e russas que perderam os filhos na guerra, celebrou a Epifania e desafiou os cristãos a seguir as “pegadas” de Bento XVI.

 

1. O Papa Francisco evocou o exemplo de fé do Papa Emérito Bento XVI, falecido a 31 de dezembro. No momento da saudação aos peregrinos polacos, durante a audiência-geral de quarta-feira, 11 de janeiro, o Papa lembrou os últimos dias em que “demos graças a Deus pela pessoa, o ensinamento e o exemplo do Papa Emérito Bento XVI” e afirmou que “a sua fé estimula ao crescimento espiritual, baseado na verdade do Evangelho e no amor fraterno”.

Na Sala Paulo VI, no Vaticano, Francisco promoveu, ainda, um momento de oração pela paz na Ucrânia, em silêncio, diante da imagem de “Nossa Senhora do Povo”, de grande devoção naquela região do leste europeu. Antes, o Papa tinha voltado a evocar a “atormentada Ucrânia”, que está “sempre nos nossos corações”. “Expressamos o nosso afeto, a nossa proximidade e a nossa oração por este povo que está a experimentar um sofrimento cruel”, garantiu.

Neste dia, o Santo Padre começou um novo ciclo de catequeses, dedicado “a um tema urgente e decisivo para a vida cristã: a paixão pela evangelização, ou seja, pelo zelo apostólico”, e alertou para a existência de “cristãos fechados, que não pensam nos outros”.

 

2. “A doença faz parte da nossa experiência humana. Mas pode tornar-se desumana, se for vivida no isolamento e no abandono”, começa por afirmar o Papa na Mensagem para o XXXI Dia Mundial do Doente, que se assinala a 11 de fevereiro. No texto, divulgado esta terça-feira, 10 de janeiro, pelo Vaticano, Francisco diz que a cultura do descarte, em que hoje se vive, empurra para a solidão quem está em sofrimento. “Nunca estamos preparados para a doença; e muitas vezes nem sequer para admitir a idade avançada. Tememos a vulnerabilidade, e a invasiva cultura do mercado impele-nos a negá-la. Não há espaço para a fragilidade. E assim o mal, quando irrompe e nos ataca, deixa-nos por terra atordoados. Então, pode acontecer que os outros nos abandonem, ou nos pareça que devemos abandoná-los, a fim de não nos sentirem um peso para eles. Começa assim a solidão”, alerta o Papa, lembrando que “através da experiência da fragilidade e da doença” se pode aprender a “caminhar juntos segundo o estilo de Deus, que é proximidade, compaixão e ternura”.

 

3. O Papa lembrou ao corpo diplomático que “a posse de armas atómicas é imoral”. No habitual discurso de início de ano aos embaixadores acreditados na Santa Sé, a 9 de janeiro, Francisco lamentou que a ameaça nuclear continue a “precipitar o mundo no medo e na angústia”, sublinhando que “sob a ameaça de armas nucleares, todos somos sempre perdedores”. Na Sala das Bênçãos, no Vaticano, o Papa condenou ainda “a terceira guerra mundial em curso”, nomeadamente na Ucrânia, “onde os conflitos diretamente afetam apenas algumas regiões da terra, mas substancialmente envolvem-nos a todos”, e deu o exemplo do rasto de morte e destruição que se verifica, “com os ataques a infraestruturas civis, em que as pessoas acabam por perder a vida devido não só às bombas e violências, mas também à fome e ao frio”.

 

4. No Domingo do Batismo do Senhor, em Itália, a 8 de janeiro, o Papa batizou 13 bebés recém-nascidos, na Capela Sistina, e agradeceu aos pais terem trazido os seus filhos “para os fazer entrar na Igreja”. “Este é um belo dia. Geralmente, esquecemo-nos do dia em que fomos batizados, mas é como um aniversário, porque o batismo faz-nos renascer para a vida cristã. Por isso, aconselho-vos a ensinar aos vossos filhos a data do batismo. É um novo aniversário, que todos os anos o devem celebrar para agradecer a Deus a graça se serem cristãos”, afirmou.

Depois, no final do Angelus, o Papa pediu especiais orações pelas mães que perderam os seus filhos na guerra. “Hoje, vendo Nossa Senhora que amamenta o Menino, no presépio, penso nas mães vítimas da guerra, dos soldados que caíram vítimas da guerra na Ucrânia. Mães ucranianas e mães russas. Ambas perderem os filhos. É este o preço da guerra”, lamentou.

 

5. Na Eucaristia da Epifania, a 6 de janeiro, o Papa destacou que o caminho da fé implica “dar espaço às inquietações que nos mantém acordados”. Francisco citou ainda Bento XVI para sublinhar que “o peregrinar exterior dos Magos era expressão deste estar interiormente a caminho, da peregrinação interior do seu coração” e, lembrou que “de nada adianta atarefar-nos pastoralmente se não colocamos Jesus no centro, adorando-O”.

Na oração do Angelus, o Papa saudou os cristãos das Igrejas Orientais, que se preparavam para celebrar o Natal, e fez votos que “o nascimento do Salvador infunda conforto, esperança e inspire passos concretos que possam, finalmente, levar ao fim dos combates e à paz”.

 

6. Milhares de pessoas participaram no funeral do Papa Emérito, a 5 de janeiro, presidido pelo seu sucessor, Francisco, que impulsionou os cristãos a seguirem as pegadas de Bento XVI na difusão e testemunho do Evangelho. “Também nós, firmemente unidos às últimas palavras do Senhor e ao testemunho que marcou a sua vida, queremos, como comunidade eclesial, seguir as suas pegadas e confiar o nosso irmão às mãos do Pai: que estas mãos misericordiosas encontrem a sua lâmpada acesa com o azeite do Evangelho, que ele difundiu e testemunhou durante a sua vida”, disse o Papa. Francisco destacou a consciência de Bento XVI de não poder “carregar sozinho aquilo que nunca poderia sustentar sozinho” e saber “abandonar-se à oração e ao cuidado do povo que lhe está confiado”

Referindo-se à multidão reunida na Praça de São Pedro para o último adeus a Bento XVI, o Papa assinalou que “é o Povo fiel de Deus que, congregado, acompanha e confia a vida de quem foi seu pastor”.

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