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“Bento XVI foi um grande mestre de catequese”
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O Papa Francisco considera que o Papa Emérito Bento XVI “sempre quis acompanhar-nos ao encontro com Jesus”. Na semana em que o Papa assinou um texto inédito sobre o seu antecessor, o Vaticano recebeu milhares de fiéis que se quiseram despedir do Papa alemão.

 

1. O Papa Francisco começou a audiência-geral de quarta-feira referindo-se a Bento XVI, falecido a 31 de dezembro, como “um grande mestre de catequese”. Ao dirigir-se aos fiéis de várias línguas, reunidos na Sala Paulo VI, no passado dia 4 de janeiro, o Santo Padre pediu que todos se unissem “a quantos, aqui ao lado, prestam homenagem a Bento XVI” e dirigiu o seu pensamento ao Papa Emérito, designando-o como “um grande mestre de catequese”. Após prolongados aplausos, Francisco acrescentou: “O seu pensamento perspicaz e gentil não foi autorreferencial, mas eclesial, pois sempre quis acompanhar-nos ao encontro com Jesus. Jesus, o Crucificado Ressuscitado, o Vivente e o Senhor, foi a meta para a qual o Papa Bento nos conduziu, levando-nos pela mão. Que ele nos ajude a redescobrir em Cristo a alegria de acreditar e a esperança de viver”.

No final da reflexão, dedicada à importância do discernimento e acompanhamento espiritual, o Papa aludiu, de novo, a Bento XVI. Na saudação aos fiéis da Alemanha, Francisco recordou palavras do Papa alemão – “Quem crê nunca está só!” –, para acrescentar que “quem tem Deus como Pai tem muitos irmãos e irmãs”. “Nestes dias experimentamos de modo particular como esta comunidade de fé é universal e não acaba, nem sequer com a morte”, assegurou. Em língua espanhola, Francisco acrescentou que “Bento XVI foi um grande catequista que nos ajudou a descobrir a alegria de crer e a esperança de viver em Cristo”.

A ‘Missa exequial pelo Sumo Pontífice Emérito Bento XVI’, no dia 5 de janeiro, ia ser presidida pelo Papa Francisco, a partir das 9h30 (menos uma hora em Lisboa), na Praça de São Pedro. A celebração, segundo o Vaticano, ia seguir o modelo das “exéquias de um sumo pontífice”. Bento XVI foi depois sepultado, por seu desejo, na Cripta da Basílica de São Pedro, no túmulo que recebeu São João Paulo II.

 

2. O Papa Francisco assinou um texto inédito sobre o seu antecessor, Bento XVI, afirmando que a Igreja lhe vai estar “sempre grata”. “O pensamento de Bento XVI é e permanecerá sempre como um pensamento e um magistério fecundo no tempo, porque se soube concentrar nos pontos de referência fundamentais da nossa vida cristã: em primeiro lugar, a pessoa e a palavra de Jesus Cristo, além das virtudes teologais, ou seja, a caridade, a esperança, a fé. E, por tudo isto, a Igreja lhe estará sempre grata. Para sempre”, escreveu Francisco, no prefácio do livro ‘Deus é sempre novo. Pensamentos espirituais’ (Livraria Editora do Vaticano), que recolhe reflexões de Bento XVI, falecido no último dia de 2022, aos 95 anos.

 

3. O Vaticano revelou que, só na segunda-feira, 2 de janeiro, 65 mil pessoas homenagearam o Papa Emérito e que, na terça-feira, dia 3, o número atingiu os 70 mil. Ou seja, quase 150 mil pessoas, de todas as idades, esperaram em demoradas filas para um último adeus a Bento XVI. A estupefação com os números não é só da parte da organização vaticana – cujas previsões iniciais apontavam para muito menos gente –, mas é também dos jornalistas que, nestes dias, se concentram na zona do Vaticano (há cerca de 600 profissionais acreditados para acompanhar as exéquias). A realidade demonstra que Bento XVI, tão atacado e criticado, durante tantos anos, por certos setores da opinião pública, afinal é amado por um povo anónimo que sai à rua para uma última homenagem ao Papa alemão.

Perante estes factos, a imprensa italiana recorda o fenómeno popular que também sucedeu após a morte de João Paulo II e revela que muitos fiéis já o consideram santo. De resto, a sua lucidez e profunda humildade levou o Papa Francisco a considerá-lo, numa entrevista recente, com “um homem grande, um santo”. Nestes dias, também alguns setores mais intelectuais começam a designar Bento XVI como “Doutor da Igreja”. Ainda a propósito das multidões que foram a Roma após a morte de João Paulo II, há, no entanto, uma diferença interessante. É que, em 2005, o Papa era reinante, enquanto Bento XVI resignou há quase dez anos, facto que não fez diminuir a sua popularidade.

 

4. O Papa Francisco invocou, no final do Angelus, a 1 de janeiro, a intercessão de Maria pelo Papa Emérito Bento XVI. “O início de um novo ano é confiado a Maria Santíssima, que hoje celebramos como Mãe de Deus. Nestas horas invocamos a sua intercessão, em particular pelo Papa Emérito Bento XVI, que deixou este mundo na manhã de ontem”, referiu. Os fiéis presentes na Praça de São Pedro, no passado Domingo, interromperam com aplausos. “Unamo-nos todos juntos, com um só coração e uma só alma, ao dar graças a Deus pelo dom deste fiel servidor do Evangelho e da Igreja”, prosseguiu Francisco.

Durante as saudações finais, o Santo Padre recordou o Dia Mundial da Paz. “Neste dia, sentimos ainda mais forte e intolerável o contraste da guerra que, na Ucrânia e noutras regiões, semeia mortes e descrições. Todavia, não perdemos a esperança porque temos fé em Deus que, em Jesus Cristo, nos abriu a via da paz”. afirmou.

 

5. Na Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, a 1 de janeiro, o Papa sublinhou a importância da oração Avé Maria e evocou Bento XVI, falecido na véspera. “O ano, que se abre sob o signo da Mãe de Deus e nossa, diz-nos que a chave da esperança é Maria. E hoje, confiemos à Mãe Santíssima, o amado Papa Emérito Bento XVI, para que o acompanhe na sua passagem deste mundo para Deus”, salientou Francisco, na homilia da Missa de Ano Novo, que celebrou na Basílica de São Pedro.

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