Lisboa |
Celebrações de Natal na Sé Patriarcal de Lisboa
“Natal de Jesus não tem fronteiras”
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O Cardeal-Patriarca de Lisboa apelou aos cristãos para terem “uma palavra ultimada e oferecida” a “todos”. Nas celebrações de Natal na Sé Patriarcal, D. Manuel Clemente assegurou que “Deus não está ausente de tudo quanto existe de mais autêntico nas várias tradições humanas”.

 

“Tudo conflui para Jesus, como as ofertas trazidas de tão longe por aqueles magos que chegaram do Oriente. Sejamos nós também, hoje e aqui, uma palavra ultimada e oferecida, com verdadeira qualidade cristã, a todos quantos nos procuram nesta cidade cosmopolita de Lisboa ou onde chegar a nossa vida, perto ou longe. A linguagem de Deus é solidária, dita e feita em cada gesto de Cristo e em todos aqueles em quem o seu Espírito trabalha para o bem de muitos”, salientou o Cardeal-Patriarca, na homilia na Solenidade do Natal do Senhor.

Na Sé Patriarcal de Lisboa, na Missa do Dia de Natal, a 25 de dezembro, D. Manuel Clemente colocou o olhar na JMJ Lisboa 2023. “Precisamos de ouvidos para ouvir deveras o que Deus nos diz no Natal de Cristo. Viveremos dias ultimados, porque nada há a acrescentar onde o amor verdadeiramente aconteça. Rezemos para que assim suceda também com a multidão de jovens de todo o mundo que virão a Lisboa na próxima Jornada Mundial da Juventude. Para que vivam dias tão preenchidos com a experiência de Cristo Vivo, que depois lhes defina a existência inteira e aonde forem”, desejou.

 

“Jesus é o enunciado final”

Na celebração natalícia, que teve transmissão em direto pela TVI, o Cardeal-Patriarca frisou que “a fé, sendo virtude teologal, é já comunicação divina”. “E o Natal de Jesus não tem fronteiras”, apontou. “Detive-me aqui, porque, como o Papa Francisco tem insistido, é justo e necessário reconhecer que Deus não está ausente de tudo quanto existe de mais autêntico nas várias tradições humanas. A tradição bíblica, que herdamos e prosseguimos, exatamente pela grande humanidade que transporta, mesmo nas contradições que não esconde, é uma história padrão onde todas as outras podem encontrar acolhimento e campo aberto de diálogo e caminho em comum. Até certo ponto, é verdade; mas no ponto certo onde nos reencontramos como criação divina, presente em cada um, venha donde vier”, explicou.

Referindo, depois, que “cada tempo é do tamanho da palavra que o preenche”, o Cardeal-Patriarca lembrou que “palavras ocas dão tempos vazios e mesmo perda de tempo”. “Palavras criativas, em qualquer som que tenham, essas sim, perduram. Vivemos delas no melhor da cultura que subsiste. Por vezes, damos a um tempo o nome de quem nele se expressou, fosse poeta ou músico, fosse filósofo, governante ou cidadão comum. Fosse sobretudo um santo. Tempos definidos por palavras que os demarcam. Assim de hoje se dirá ser tempo do Papa Francisco, com as suas palavras sempre próximas e dirigidas a quem mais precisa de ser acolhido ou apoiado, como as dedicadas à situação na Ucrânia e noutras regiões devastadas pela guerra, ou referidas à dignidade dos migrantes ou aos problemas climáticos que impedem a sobrevivência das pessoas. Palavras que diz em Roma e nos locais mais problemáticos, sempre que é possível”, considerou.

Na presença do Núncio Apostólico em Portugal, D. Ivo Scapolo, o Cardeal-Patriarca deixou ainda o convite a olhar o Menino, “Verbo de Deus e Emanuel, que quer dizer Deus Connosco”. “Diz também o trecho bíblico que n’Ele todas as coisas foram feitas. Olhemo-Lo então como padrão do que somos e havemos de ser, pois em Jesus tudo foi feito e é refeito, no sentido redentor da sua vinda ao mundo. Jesus é o enunciado final, onde se junta a expressão divina e a grande multiplicidade dos sons em que ressoa”, salientou D. Manuel Clemente.

 

“Cuidar de quem precisa”

Na Missa da Noite de Natal, na Sé, o Cardeal-Patriarca de Lisboa começou por sublinhar que “eram pastores” os “chamados ao Presépio”. “Ainda que pobres de muitas pobrezas, ou exatamente por isso, eram pastores os que ouviram o anúncio angélico. E não foi certamente por acaso, antes requerendo alguma coincidência na atitude que devemos ter. Aqueles pastores dos arredores de Belém faziam-se parábola do que ali sucedia – de Deus para o mundo e do mundo para Deus”, apontou.

Na Sé Patriarcal de Lisboa, na noite da Consoada, na celebração à meia-noite de dia 25 de dezembro, D. Manuel Clemente garantiu depois que “o Natal acontecerá de verdade onde houver quem se disponha a cuidar de quem precisa”. “Estou convicto de que agora mesmo, neste ano da graça de 2022, o Natal está a ser muito especialmente vivido por quem se preocupa com os outros e os acompanha e protege. Seja em situações de guerra aberta, como acontece na devastada Ucrânia e noutras partes do mundo; seja em situações de guerra surda, que endurece os corações onde tudo afinal começa, ou se resolve. Seja como for, o Natal acontecerá de verdade onde houver quem se disponha a cuidar de quem precisa”, garantiu D. Manuel Clemente. “É assim que a nossa cidade tem esta noite tantos Presépios quantos os lugares e situações em que haja bons pastores dos outros: em casas, hospitais ou mesmo ruas, onde o Menino nos espera em quem carece de algo, física ou espiritualmente que seja”, acrescentou.

 

Viver o Natal de Cristo

Na tradicional Missa do Galo, e na presença do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o Cardeal-Patriarca destacou que Natal é agradecimento. “É bom assinalar o Natal com figurações a propósito, que lembrem o que aconteceu e festejem o que nos foi dado com o nascimento de Jesus. É indispensável que o celebremos, como estamos a fazer aqui, para agradecer a Deus a salvação que assim começou, tão esperada que fora – e continua a ser aonde o seu anúncio ainda não chegou, ou já foi esquecido. Mas tudo isto se há de tornar em missão, concreta e caso e caso, alargando o cuidado daqueles pastores de antanho pelos rebanhos que ali guardavam, noite adentro”, manifestou D. Manuel Clemente, considerando depois que “não foi algo de meramente circunstancial, aquela noite em Belém”. “Trata-se, isso sim, duma condição para vivermos o Natal de Cristo e quanto ele nos traz. Trata-se de acolher o Emanuel, que quer dizer “Deus Connosco”, estando nós também com Ele, no seu modo de ser e acontecer, geralmente discreto, muito discreto mesmo. Requer um anoitecer de tudo quando nos distraia. Requer disponibilidade e concentração totais, desfazendo no nosso espírito quanto não seja Deus e a sua manifestação em Cristo: palavra, gesto e rosto, pouco a pouco desvendado”, frisou, reforçando que “Jesus também rezava de noite”. “Creio que, pastoralmente falando, é uma das maiores urgências que temos, esta de nos educarmos para uma atitude contemplativa, que feche por um tempo os olhos do corpo e abra os da alma para a luz que desponta”, sublinhou.

 

Celebração “tocante”

O Cardeal-Patriarca considerou ainda a Missa da Noite de Natal “particularmente tocante”. “Toda a tradição mística insiste no motivo, da “noite”, que é necessário fazer em nós, para que Deus amanheça ao nosso olhar profundo”, explicou. “Prossigamos então, neste caminho aberto, mesmo quando obscuro. Quando desejamos um “santo” Natal, confessamos que é de Deus e necessariamente ao seu modo. Como foi então e há de ser agora. – Como acontecerá com a Jornada Mundial da Juventude, pela qual sempre rezamos, e será “Natal” para muita gente, mesmo em agosto, compartilhando Cristo vivo pelas mãos da Virgem Mãe!”, terminou D. Manuel Clemente.

 

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Saudações nas diversas línguas

Como tem sido tradição, no final da celebração do Natal do Senhor, antes da bênção final, o Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, desejou um santo Natal em diversas línguas.

Língua espanhola: “Queridos irmãos e irmãs, uma palavra de muitas felicitações pela Natividade que aqui estamos a celebrar, plena de votos de prosperidade, esta que em Cristo obtemos sempre. A todos vós, um feliz Natal!”

Língua inglesa: “Um Natal muito alegre, cheio da presença deste Menino, o Senhor, pequeno Senhor, grande Senhor, para todos vós e também para as vossas famílias. A Paz de Jesus!”

Língua francesa: “Queridos irmãos e irmãs, para todos vós, um verdadeiro Natal na presença de Cristo, que se oferece, a si mesmo, a todos nós, na sua vinda, para ser oferecido também, connosco.”

 

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Presidente da República na Missa da Noite de Natal

Tal como em anos anteriores, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, participou na Missa do Galo, na Sé Patriarcal de Lisboa, na noite da Consoada.

 

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Fotos da Solenidade do Natal do Senhor na Sé de Lisboa

Missa do Dia de Natal 2022

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