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À procura da Palavra
“Corações inteligentes”
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SANTA MARIA MÃE DE DEUS Ano A

“Maria conservava todos estes acontecimentos,

meditando-os em seu coração.”

Lc 2, 19

 

Cada Natal que passa volto de novo a ler e a rezar o precioso livro de poemas intitulado “Apócrifo de Maria” que José Luís Martin Descalzo escreveu em 1990. Como é maravilhoso “entrar” no coração de Maria naquelas palavras simples e belas. E neste dia primeiro do ano, em que nos alegramos com Maria Mãe de Deus, partilho um seu “villancico” (canção popular do Natal de “nuestros hermanos”): “Deus é perfeito e sem nada / que lhe sobre ou que lhe falte. / Ele tem tudo e de tudo. /MAS NÃO TINHA MÃE. // E vendo Deus que nos homens / até o mais débil bebé / tem o peito da sua mãe / TAMBÉM A QUIS TER. // Pois, ainda que tivesse o céu / com todas as suas maravilhas, / queria o calor de um seio / PARA NÃO MORRER DE INVEJA. // E assim escolheu Maria / para ser filho também. / Como Deus não ia ser menos / INVENTOU, PARA NÓS, BELÉM”!

Acredito que o coração de todas as mães tem um pouco, e por vezes muito, do de Maria. Sem excluir o dos pais, claro. É um coração inteligente, que conserva o que é importante, das mil e uma surpresas da vida, e meditar é o trabalho de juntar os factos, aprofundar a sua ligação, descobrir o fio condutor que revela o projecto de Deus. Maria é nossa irmã no caminho da fé, e não é possível confiança em Deus abdicando do dom da inteligência, e da coragem de pensar, que nos fazem humanos. Ela não entende tudo desde o princípio, admira-se com os gestos e as palavras de seu Filho, interroga-se, escuta, reflete e, também (só) irá entender tudo depois da Páscoa. Quando a verdadeira “Paz” veio ao mundo com a morte e ressurreição de seu Filho!

Feliz iniciativa teve o Papa S. Paulo VI em escolher o primeiro dia de 1968 como Dia Mundial da Paz, e convidar o mundo a vivê-lo daí em diante: “É, pois, à paz verdadeira, à Paz justa e equilibrada, assente no reconhecimento sincero dos direitos da pessoa humana e da independência de cada nação, que nós convidamos os homens prudentes e corajosos, a dedicar este «Dia»” (Mensagem de 1.01.1968). Para este ano de 2023, o Papa Francisco convida a refletir sobre as lições deixadas pela pandemia e pela guerra na Ucrânia e indica o caminho para a paz: “É juntos, na fraternidade e solidariedade, que construímos a paz, garantimos a justiça, superamos os acontecimentos mais dolorosos.” Eis o tema da sua mensagem: “Ninguém pode salvar-se sozinho. Juntos, recomecemos a partir da Covid-19 para traçar sendas de paz”.

Ano após ano, Papa após Papa, as mensagens no início de cada ano são um apelo corajoso e inteligente para realizarmos a promessa que os anjos cantaram em Belém. “Glória a Deus… e paz na terra aos homens por Ele amados.” Podemos aprender com Maria a ter “corações inteligentes” ao serviço da paz? Que gestos novos podemos assumir?

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