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Roma
“Natal sim, com os ucranianos no coração e um gesto concreto por eles”
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O Papa Francisco convidou a “um Natal mais humilde” e a enviar “o que pouparmos para a Ucrânia”. Na semana em que escreveu uma carta aos líderes mundiais, o Papa não esqueceu a guerra na Ucrânia e a violência no Sudão do Sul, encontrou-se com bombeiros e emocionou-se na homenagem à Imaculada Conceição.

 

1. O Papa pediu para se cortar nas despesas do Natal e, deste modo, ajudar o povo ucraniano que tem fome e morre de frio. No final da audiência-geral de quarta-feira, 14 de dezembro, Francisco apelou, uma vez mais, à proximidade com o martirizado povo da Ucrânia, onde “se sofre tanto, tanto, tanto”, e deixou um veemente apelo: “Quero chamar a atenção para as festas. É belo festejar, mas baixemos um pouco o nível das despesas e façamos um Natal mais humilde, com presentes mais humildes e enviemos o que pouparmos ao povo da Ucrânia que tanto precisa”. Com semblante preocupado, o Santo Padre acrescentou: “Sofrem muito, passam fome, têm frio e muitos morrem por falta de médicos e enfermeiros. Não esqueçamos: o Natal sim, em paz com o Senhor, sim. Mas com os ucranianos no coração e façamos por eles um gesto concreto”.

Na Sala Paulo VI, no Vaticano, Francisco convidou a “intensificar a preparação espiritual para o Natal, que já se aproxima”, rezando pelo “dom da paz, de que o mundo tanto precisa”.

 

2. Numa carta enviada a todos os chefes de Estado, o Papa convida-os a fazer “um gesto de clemência para com todos os nossos irmãos e irmãs privados de liberdade, considerados aptos a beneficiar desta medida”. Um comunicado do Vaticano, divulgado dia 12 de dezembro, refere que este apelo do Santo Padre surge “para que este tempo marcado por tensões, injustiças e conflitos, se abra à graça que vem do Senhor”.

Ainda neste dia, da parte da tarde, o Papa celebrou Missa em honra da Virgem de Guadalupe, padroeira das Américas. “Este ano celebramos Guadalupe num momento difícil para a humanidade. É um tempo amargo, cheio de ruídos de guerra, injustiças crescentes, fome, pobreza e sofrimento”, referiu, na Basílica de São Pedro. No entanto, para Francisco, “embora este horizonte pareça sombrio, desconcertante, com presságios de destruição e desolação ainda maiores, o amor divino e a condescendência dizem-nos que também este é um tempo propício de salvação, em que o Senhor, por meio da Virgem Maria, a Mãe mestiça, continua a nos dar seu Filho, que nos chama à fraternidade, a deixar de lado o egoísmo, a indiferença e o antagonismo”.

 

3. A menos de dois meses de visitar o Sudão do Sul – de 3 a 5 de fevereiro –, o Papa manifestou preocupação pela notícia de violentos confrontos nos últimos dias naquele país, apelando à reconciliação. “Rezemos ao Senhor pela paz e pela reconciliação nacional, para que cessem os ataques e para que os civis sejam sempre respeitados”, apelou Francisco, depois da oração do Angelus.

Na janela do apartamento pontifício, no passado Domingo, 11 de dezembro, o Papa abençoou centenas de imagens do Menino Jesus, levadas pelas crianças de Roma, a quem recomendou que rezem pela paz, evocando em particular a guerra na Ucrânia. Depois, deixou um convite à oração pelas crianças do mundo inteiro que são vítimas da guerra, incluindo na Ucrânia: “Convido-vos a rezar diante do presépio para que o Natal do Senhor traga um raio de paz às crianças do mundo inteiro, especialmente às que são obrigadas a viver os terríveis dias de guerra... desta guerra na Ucrânia, que destrói tantas vidas, tantas vidas e tantas crianças”.

 

4. Os bombeiros são “uma das mais belas expressões de solidariedade enraizadas no altruísmo evangélico”, lembrou o Papa, por isso, numa perspetiva cristã, “este trabalho que abraçaram vem refletido na parábola do Bom Samaritano”. Numa audiência às corporações de bombeiros de Itália, na Sala Paulo VI, a 10 de dezembro, Francisco reconheceu que esta profissão assume o carácter de uma missão de serviço, em várias frentes, e recordou que o Natal é a festa que, mais do que qualquer outra, concentra em si os valores por ele repropostos. “Proximidade, compaixão, ternura; solidariedade, serviço, fraternidade”. E acrescentou: “Tudo isso foi-nos revelado, não escrito num código para ser observado, mas escrito na carne do Filho do homem, Jesus. Esta é a novidade cristã que nunca deixa de nos surpreender”. Francisco usou ainda expressões relacionadas com a missão dos bombeiros para explicar que Deus, ao fazer-se como um de nós para nos salvar, “fez o que vocês fazem: veio socorrer-nos no perigo, para nos salvar, e fê-lo da forma mais radical, sabendo que tinha que dar a vida para nos salvar. Ele é o bom samaritano da humanidade”.

 

5. Durante a habitual homenagem à Imaculada Conceição, a 8 de dezembro, na Praça de Espanha, em Roma, o Papa disse a Nossa Senhora que muito gostaria de fazer chegar aos ucranianos “a paz que pedimos há tanto tempo”, mas em vez disso “trago-te as súplicas das crianças, dos idosos, dos pais e das mães, dos jovens daquela terra martirizada”. Depois, acrescentou: “Sabemos, no entanto, que tu estás com eles e com todos os que sofrem, tal como permaneceste junto à cruz do teu Filho”. Francisco fixou, comovido, a Imagem da Virgem e pediu “que o amor vença o ódio” e que, lá no Céu, Maria possa apresentar estas invocações ao seu Filho, cujo coração está cheio de misericórdia. Numa breve oração proferida junto ao obelisco da Imaculada, Francisco também rezou pelas “flores e dores de todos os filhos do mundo”, incluindo, “os inúmeros homens e mulheres não cristãos”. E, abençoando os fiéis presentes na Praça de Espanha, deixou no local um enorme cesto de rosas brancas, em honra da Imaculada Conceição.

Neste dia, na parte da manhã, no final do Angelus do dia da Imaculada Conceição, o Papa recordou as palavras do anjo na Anunciação à Virgem Maria a Deus, “nada é impossível”, para implorar, uma vez mais, pela paz na Ucrânia.

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