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Roma
“Para condenar a guerra, não é preciso dizer o nome e o apelido”
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O Papa Francisco assegurou proximidade diária ao povo ucraniano. Na semana em que sublinhou que “a violência mata o futuro”, o Papa denunciou as “crónicas diárias” de violência contra as mulheres e a Santa Sé mostrou “surpresa e pesar” com a nomeação de um bispo na China e lamentou a morte de um homem na condição de sem-abrigo, em Roma.

 

1. Na sua mais recente entrevista, desta vez à revista dos jesuítas ‘America Magazine’ (www.americamagazine.org), o Papa explicou por que nunca condena a Rússia. “Quando falo da Ucrânia, falo de um povo martirizado e falo de crueldade porque tenho muitas informações sobre a crueldade das tropas que estão lá chegam. Certamente, o invasor é o Estado russo. Isso é muito claro. Às vezes, tento não especificar para não ofender e prefiro condenar em geral, embora se saiba quem estou a condenar. Não é preciso dizer o nome e o apelido”, respondeu Francisco, reafirmando a sua disponibilidade para negociar a paz e revelando que, após a sua inédita visita à embaixada russa, o ministro Lavrov lhe respondeu “com uma bela carta, dando a entender que, no momento, não era necessário a sua mediação”. O Papa confirmou ainda o seu desejo de visitar estas duas cidades: “Se eu viajar, vou a Moscovo e a Kiev, vou às duas e não a uma só”.

Entretanto, ao assinalar os noves meses do início da “loucura da guerra” na Ucrânia, o Papa Francisco escreveu uma carta aos ucranianos, no dia 25 de novembro, onde diz não esquecer “o rugido sinistro das explosões e o som perturbador das sirenes”, as cidades bombardeadas, “enquanto chuvas de mísseis causam morte, destruição e dor, fome, sede e frio”. O Santo Padre garante que “não há um dia em que não esteja perto de vós e não vos traga no meu coração e nas minhas orações. A vossa dor é a minha dor”.

Já a pensar na dureza do Natal que os ucranianos terão de enfrentar, Francisco termina a carta com palavras de conforto: “Dentro de algumas semanas será Natal e o uivo do sofrimento será ainda mais sentido. Mas gostaria de voltar convosco a Belém, à provação que a Sagrada Família teve de enfrentar naquela noite, que só parecia fria e escura. Em vez disso, a luz veio: não dos homens, mas de Deus; não da terra, mas do céu”.

 

2. O Papa está preocupado com o aumento da violência na Terra Santa e apela aos Estados da Palestina e de Israel para darem prioridade ao diálogo. No final da oração do Angelus de Domingo, 27 de novembro, Francisco lamentou a violência dos confrontos que não abrandam e os atentados da quarta-feira anterior, dia 23, que feriram várias pessoas e mataram dois jovens, um israelita e um palestiniano. “A violência mata o futuro, destruindo a vida dos mais jovens e enfraquecendo as esperanças de paz. Rezemos por estes jovens mortos, pelas suas famílias e, em particular, pelas suas mães”, pediu o Papa. “Espero que as autoridades israelitas e palestinianas deem prioridade à busca do diálogo, construindo a confiança recíproca, sem a qual nunca haverá uma solução de paz na Terra Santa”, observou.

Neste Domingo I do Advento, o Papa explicou ainda “como é que Jesus está presente nas coisas normais e quotidianas da vida” e como O podemos reconhecer. “Deus esconde-se nas situações mais comuns e ordinárias de nossa vida, não vem em eventos extraordinários, mas nas coisas do dia-a-dia, no nosso trabalho, num encontro casual, no rosto de uma pessoa necessitada. E até mesmo quando enfrentamos dias que parecem cinzentos e monótonos, o Senhor está ali, chama-nos fala e inspira as nossas ações”, explicou. Há, no entanto, uma condição para O reconhecer: “Devemos estar acordados, atentos, vigilantes, pois existe o perigo de não percebermos a sua vinda e não estarmos preparados para a sua visita”.

 

3. O Papa recebeu os membros da Direção Central Anticrime Italiana e disse-lhes “que infelizmente, as crónicas diárias trazem notícias de violência contra as mulheres e meninas” e que eles são “o ponto de referência institucional para combater esta dolorosa realidade”. Este encontro, no dia 26 de novembro, no Vaticano, decorreu na sequência da comemoração do Dia Internacional de Combate à Violência Contra a Mulher, assinalado na véspera. Francisco agradeceu o trabalho que esta unidade realiza, “com empenho profissional e humano”, chamando a atenção de todos para a necessidade “de se unirem forças para atingir o objetivo de uma maior dignidade e civilização”. “Há muitas mulheres entre vocês, e este é um grande recurso, que pretende ajudar outras mulheres, as ouvem, entendem e apoiam”, disse. “É necessário uma boa preparação psicológica” para enfrentar este desafio, afirmou Francisco, “mas também espiritual, para manter serenidade e calma, diante das vítimas de violência brutal”.

 

4. “Surpresa e pesar” por parte da Santa Sé ao tomar conhecimento da notícia proveniente da China sobre a “cerimônia de instalação”, realizada a 24 de novembro, em Nanchang, de D. Giovanni Peng Weizhao, bispo de Yujiang (Província de Jiangxi), como “bispo auxiliar de Jiangxi”, uma diocese não reconhecida pela Santa Sé. “Tal evento, de facto, não ocorreu de acordo com o espírito de diálogo existente entre a Parte Vaticana e a Parte Chinesa e com o estipulado no Acordo Provisório sobre a Nomeação de Bispos, em 22 de setembro de 2018”, refere a declaração da Santa Sé, no dia 26 de novembro, citada pelo Vatican News. “Além disso, o reconhecimento civil de D. Peng foi precedido, segundo as notícias que chegaram, de longas e fortes pressões das autoridades locais”, continua a nota, desejando que “episódios semelhantes não se repitam” e reafirmando a “total disponibilidade para continuar o diálogo respeitoso sobre todos os assuntos de interesse comum”.

 

5. “O Papa Francisco soube com dor da morte de Burkhard Scheffler perto da colunata de São Pedro na noite passada”, lê-se num comunicado, divulgado na tarde de dia 25 de novembro, pela Sala de Imprensa da Santa Sé. Burkhard nasceu em 1961, na Alemanha, e vivia na rua em Roma. Era seguido pela atividade caritativa e assistencial do Dicastério para a Caridade, organismo da Santa Sé de apoio social às pessoas sem-abrigo. A nota refere que as últimas noites de frio e chuva contribuíram para agravar a fragilidade do seu estado de saúde, já marcado pelas adversidades da vida na rua. “Na sua oração, o Papa recorda Burkhard e todos aqueles que são obrigados a viver sem casa, em Roma e no mundo, e convida os fiéis a unirem-se a ele”, lê-se.

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