Lisboa |
Ordenação de Diáconos, no Mosteiro dos Jerónimos
“Não tardemos, porque Deus não demora!”
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O Cardeal-Patriarca de Lisboa alertou para a “verdade” do Natal, para que não perca o “significado”. Na celebração de ordenação de três novos diáconos, com vista ao sacerdócio, D. Manuel Clemente destacou o ‘sim’ de Maria e convidou a entrar “totalmente” em Advento.

 

“Irmãos caríssimos, com esta celebração e a ordenação de três diáconos – que o serão em ordem ao sacerdócio ministerial – entramos em Advento. Entramos liturgicamente: entremos existencialmente, entremos totalmente”, começou por referir o Cardeal-Patriarca de Lisboa, na sua homilia, na Ordenação de Diáconos. “Não pode ser menos do que isto, se quisermos que seja verdadeiro, como certamente acontece. Refere-se em especial aos ordinandos, refere-se a todos os que aqui estamos. Mas liga-se sobretudo a Deus, realidade absoluta em que finalmente nos encontraremos a nós próprios e a tudo o que há de mais promissor no coração humano”, acrescentou.

Na Igreja de Santa Maria de Belém, no Mosteiro dos Jerónimos, no Domingo I do Advento, 27 de novembro, D. Manuel Clemente ordenou três novos diáconos, todos do Patriarcado de Lisboa: Miguel Teixeira Duarte (paróquia de São Nicolau), Nuno Vicente (paróquia de São João das Lampas) e Hélio Soares (paróquia de Monte Abraão). A estes três alunos do 6.º ano do Seminário Maior de Cristo-Rei dos Olivais, o Cardeal-Patriarca lembrou que, para viver, “só Deus basta”. “Há duas maneiras de viver. Uma é a que Jesus referiu há pouco no Evangelho – e não só para o tempo de antes do dilúvio: «comiam, bebiam, casavam e davam em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca; e não deram por nada…». Comer, beber e casar, eram realidades naturais e positivas, como continuam a ser. O problema é fechá-las em si mesmas e não dar por nada mais, tomando-as como definitivas e bastantes, quando são realmente provisórias, por pouco ou muito que durem. Outro modo de viver é tomar essas mesmas realidades como ocasião de partilha das coisas e das próprias vidas, dando-lhes o sentido último para que apontam, como aprendizagem de Deus: Sim, como aprendizagem de Deus, que é em si mesmo uma partilha total – entre o Pai e o Filho, na unidade do Espírito - e geradora de vida eterna. Diga-se, a propósito, que a vida consagrada, ou o celibato por “amor do Reino dos Céus” (cf. Mt 19, 12) em que os ordinandos de hoje se comprometem, são sinais vivos dessa realidade definitiva, seguindo o exemplo do próprio Jesus que assim viveu e quis lembrar, para bem de todos. Porque o bem de todos é nunca esquecer que verdadeiramente “só Deus basta””, assegurou.

 

A verdade do Natal

Nesta celebração, que foi concelebrada pelos Bispos Auxiliares, D. Joaquim Mendes e D. Américo Aguiar, e por muitos sacerdotes, o Cardeal-Patriarca sublinhou, depois, que “é verdade e bem verdade que em Cristo a nossa humanidade foi preenchida por Deus Filho”. “É essa a verdade que o Natal assinalará. Mas tal aconteceu para nos levar a Deus Pai, do qual provém e para O qual retorna, levando-nos consigo, no Espírito que deixou”, apontou. “Quando desconhecemos ou perdemos este horizonte definitivo, ficamo-nos por nós, reduzimos o sentimento religioso e desvirtuamos as palavras e os ritos. Ficamos depois com mais um Natal de presentes, uma Páscoa de amêndoas e outras coisas que não chegam – nem chegam a todos, por falta de posses, nem chegam ao coração, por falta de substância. Datas que perdem o significado e até mudam de nome e conteúdo, nas tristes contrafações que por aí vemos…”, alertou.

 

Preparação espiritual

Antes do Natal, o Advento é o tempo litúrgico que o prepara. “Percebamos que o Advento é duplo, como aproximação mútua e necessariamente assim, de Deus que vem ao nosso encontro e nosso, que nos dirigimos para Ele. Façamo-lo com a preparação espiritual que tal requer e com as boas obras que nos colocarão à direita do Cristo, que nos espera em todas as carências dos outros (cf. Mt 25, 34-36). É a única maneira de cumprirmos a condição que podemos ler na Epístola de São Tiago: «Aproximai-vos de Deus e Ele aproximar-se-á de vós!» (Tg 4, 8)”, assinalou D. Manuel Clemente, reforçando que “as duas coisas são necessárias, mas só uma está garantida”. “Garantida está a aproximação de Deus em Cristo. Assim veio, com o sim de Maria que O deixou incarnar. Assim vem, com a presença universal que a ressurreição lhe dá, em qualquer tempo ou espaço. E assim virá, quando esta mesma presença premiar todo o bem e afastar todo o mal que os milénios registaram. Nem um copo de água oferecido ficará sem recompensa e a paga será a cem por um. Falta garantir outra coisa, que é aproximar-se cada um de Deus. Isso é connosco, com cada um de nós e sem responsabilidade transferida ou adiada. Isto mesmo nos faz perceber que o Advento tanto é celebração como deve ser prática, aplicada e permanente. Corresponderemos à vontade de Deus em nos ter consigo, estando nós com Ele e onde Ele advém, na Palavra em que O ouvimos, nos sacramentos em que se oferece e nos irmãos em quem nos espera. Em todas as ocasiões em que basta o nosso pequeno sim, para que o imenso sim de Deus possa responder ao que é preciso”, explicou, dirigindo-se de forma particular aos novos diáconos.

Nesse sentido, o Cardeal-Patriarca de Lisboa destacou, depois, o ‘sim’ de Maria. “Como aconteceu há dois milénios com o sim daquela jovem de Nazaré da Galileia, que desse modo se tornou em Santa Maria Mãe de Deus. Sem esse pequeno sim não estaríamos hoje aqui, nem estes irmãos se disporiam ao diaconado que vão receber. Por isso mesmo, a Igreja que nós somos pode resumir-se em tudo aquilo que Ela foi, naquele dia e depois: receber a Cristo, levá-lo apressadamente a Isabel, pô-lo no mundo e acompanhá-lo até à cruz, para assim mesmo ser a primeira a ressuscitar com Ele na sua gloriosa Assunção – promessa para todos nós”, apontou D. Manuel Clemente.

Segundo o Cardeal-Patriarca, Maria é “o padrão legítimo da Igreja, na forma que havemos de ter ou refazer”. “Para sermos puros e irrepreensíveis diante de Deus, autênticos e prestáveis diante de todos. Lembrando também que o tempo de Deus se pode apressar, como disse a Segunda Epístola de Pedro, já no tempo das primeiras perseguições: «… como deve ser santa a vossa vida e a vossa piedade, enquanto esperais e apressais a chegada do dia de Deus!» (2 Pe 3, 11-12). – Não tardemos, porque Deus não demora!”, concluiu.

 

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“Neste tempo de graça que é a preparação da próxima Jornada Mundial da Juventude, são já muitos milhares os que a preparam com grande entusiamo e entrega, em Portugal e por esse mundo além – que assim se fará aquém, quando chegarmos ao próximo agosto. Participam verdadeiramente do “sim” de Maria, Nossa Senhora da Visitação, certos de que para a imensidão da tarefa que temos pela frente Deus conta com o nosso sim para fazer muito mais. Para fazer tudo, através de nós. É a lógica do Reino e o sinal do seu Advento.”

D. Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca de Lisboa

 

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Fotos das Ordenações Diaconais 2022

Ordenação de Diáconos 2022

texto por Diogo Paiva Brandão; fotos por Duarte de Mourão Nunes
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