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“Alegria e vontade de estarmos juntos são sinais fundamentais para o mundo de hoje”
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Com o pensamento na JMJ Lisboa 2023, o Papa Francisco invocou a “alegria” do encontro. Na semana em que alterou a estrutura da Caritas Internationalis, o Papa pediu a judeus e cristãos para “parar a guerra e abrir vias de paz”, visitou Asti e concedeu uma entrevista ao jornal italiano ‘La Stampa’.

 

1. “No Domingo passado, foi celebrado nas dioceses o Dia Mundial da Juventude, com o pensamento dirigido para o encontro de jovens que se realizará no próximo ano em Lisboa”, disse o Papa, na audiência-geral de quarta-feira, 23 de novembro, aos peregrinos de língua portuguesa. De olhos postos na JMJ Lisboa 2023, Francisco afirmou que “a alegria de nos encontrarmos e a vontade de estarmos juntos são sinais fundamentais para o mundo de hoje, dilacerado por confrontos e guerras”, e desejou “que Nossa Senhora guarde o nosso desejo de comunhão e de paz”.

Na Praça de São Pedro, na sequência das catequeses sobre o discernimento, o Papa referiu que a consolação espiritual “não é programável a bel-prazer”, mas “uma dádiva do Espírito Santo que permite uma familiaridade com Deus, que parece anular as distâncias”.

O Papa rezou, também, por todas as pessoas atingidas por guerras e conflitos no mundo, lembrando em particular os ucranianos e invocando o Holodomor, conhecido como a Grande Fome de 1932-33. “Rezemos pela paz no mundo e pelo fim de todos os conflitos, com um pensamento particular pelos terríveis sofrimentos do querido e martirizado povo ucraniano”. Neste sábado, 26 de novembro, destacou Francisco, “decorre o aniversário do terrível genocídio do Holodomor, o extermínio pela fome, causado artificialmente por Estaline”. “Rezemos pelas vítimas deste genocídio e rezemos por tantos ucranianos, crianças, mulheres e idosos que hoje sofrem o martírio da agressão”, ressaltou o Papa.

Nas saudações finais, Francisco rezou pelos mortos e feridos vítimas do terramoto na Indonésia, e falou ainda do Mundial do Qatar. “Desejo enviar a minha saudação aos jogadores e aos adeptos que seguem, de vários continentes, o Campeonato Mundial de Futebol que decorre no Qatar. Que este importante evento possa ser uma ocasião de encontro e de harmonia entre as nações, favorecendo a fraternidade e a paz entre os povos”, desejou.

 

2. O Papa nomeou como comissário extraordinário da Caritas Internacionalis o gestor e consultor Pier Francesco Pinelli, que vai ter como coadjutores Maria Amparo Alonso Escobar, como advogada desta instituição, e o padre Manuel Morujão, jesuíta, para acompanhamento pessoal e espiritual dos funcionários. Estas nomeações, no dia 22 de novembro, acontecem depois de Francisco ter pedido uma auditoria feita por uma comissão independente sobre a gestão da instituição. “Embora a gestão financeira seja correta e os objetivos de angariação de fundos tenham sido cumpridos”, a Caritas Internacionalis “fica agora submetida a uma administração temporária com o objetivo de melhorar as suas regras e procedimentos de gestão”, refere um comunicado do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.

 

3. Numa audiência concedida ao World Jewish Congress (Congresso Judaico Mundial), o Papa reafirmou que “a guerra é sempre uma derrota para toda a humanidade” e que a violência na Ucrânia é “uma guerra sacrílega que ameaça, de igual modo, judeus e cristãos, privando-os dos seus afetos, das suas casas, dos seus bens e da sua própria vida”. A 22 de novembro, Francisco destacou que, em muitas regiões do mundo, a paz está hoje ameaçada e que “só na vontade séria de aproximação e no diálogo fraterno é possível preparar o terreno para a paz”. Por isso, “como judeus e cristãos, tentemos fazer tudo o que for humanamente possível para acabar com a guerra e abrir caminhos de paz”, pediu.

Aos representantes do Congresso Judaico Mundial, presente em mais de 100 países, o Papa recordou alguns aspetos da herança espiritual comum que os judeus e os católicos professam e sublinhou, à luz deste “tesouro religioso”, que os desafios do presente são “uma exortação para agir juntos e trabalhar de modo a tornar o mundo mais fraterno, lutando contra as desigualdades e promovendo uma maior justiça, para que a paz não permaneça uma promessa do outro mundo, mas uma realidade já neste”.

 

4. O Papa foi a Asti reencontrar “o sabor das raízes”. “Daqui, destas terras, emigrou o meu pai para a Argentina. E vim a estas terras, preciosas pelos bons produtos do solo e sobretudo pela genuína laboriosidade da gente, para reencontrar o sabor das raízes”, lembrou o Papa, na manhã do passado Domingo, 20 de novembro. Francisco quis encontrar-se com familiares, participar no aniversário de uma prima nonagenária e celebrou Missa na catedral da cidade. “Todos pensamos saber o que está errado na sociedade, no mundo, até na Igreja, mas depois... fazemos alguma coisa? Metemos as mãos na massa, como o nosso Deus pregado no madeiro, ou ficamos a olhar com as mãos nos bolsos?”, questionou.

No Dia Mundial da Juventude, o Papa voltou a convidar os jovens para a JMJ Lisboa 2023. “Precisamos hoje de jovens que sejam verdadeiramente ‘transgressores’, não conformistas, que não sejam escravos de um telemóvel, mas que mudem o mundo como Maria, levando Jesus aos outros, cuidando dos outros, construindo comunidades fraternas com outros, realizando sonhos de paz!”, pediu.

 

5. Em entrevista ao jornal italiano ‘La Stampa’, o Papa voltou a dizer que “a Santa Sé está pronta para fazer todo o possível para mediar e pôr um fim ao conflito na Ucrânia” e diz que acalenta a esperança de uma reconciliação entre Moscovo e Kiev. “Sim, eu tenho esperança. Não nos resignemos, a paz é possível”, diz. Questionado como se sente ao ter que enfrentar, como Papa, a “terceira guerra mundial” – como a tem definido –, com uma nova ameaça nuclear, Francisco respondeu que é “um absurdo”. “Provoca-me particular raiva e tristeza perceber que por detrás de todas essas tragédias estão a ânsia pelo poder e o comércio das armas”, salientou. “Estamos comprometidos com o apoio humanitário ao povo da martirizada Ucrânia, que carrego no meu coração juntamente com os seus sofrimentos”, assegurou Francisco.

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