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DOMINGO XXXIII COMUM Ano C

“Pela vossa perseverança,

salvareis as vossas almas.”

Lc 21, 9

 

Quando fala do fim dos tempos, Jesus não cede às tentações apocalípticas. A sua preocupação não é o fim do mundo, mas sim a coragem de viver o presente. Como afirmar a segurança e a confiança em Deus quando tudo à volta parece desabar? O importante é que não desabe o nosso coração, que os alicerces da alma não estejam colocados na areia daquilo que é circunstancial, mas na rocha daquilo que permanece. “Vão-se os anéis, fiquem os dedos”, dizia uma rainha em tempo de perseguição. Por isso Jesus promete o Espírito Santo, aquele que é fogo que queima o que não presta, luz que ilumina o que importa salvar, estrela que guia na escuridão, coragem para viver o essencial. Ainda que isso se faça no meio do sofrimento, quando é preciso afirmar a fé a esperança diante de tudo o que passa!

 

A realidade de sermos e sentirmo-nos frágeis e a consciência de finitude perturbam-nos numerosas vezes. Em especial quando tocam pessoas que amamos e que desejamos sempre que fossem “eternas”. Não foi Gabriel Marcel que disse: “Amar alguém é dizer-lhe: ‘Não morrerás’!”? A fé em Jesus Cristo é fé na sua ressurreição, que Ele promete a todo que n’Ele crê e vive. Custa entender o sofrimento que leva à morte e não temos muitas respostas senão o próprio Jesus no seu caminho de cruz. Ao sofrimento sentido pela Maria e pelo discípulo amado, Jesus pede-lhes o cuidado mútuo: só se cura a muita dor com muito amor.

 

Assim foram também tão cheias de luz as palavras que o meu querido amigo Daniel, bispo, deixou, antes do seu encontro com o Pai: “Fizestes-me compreender que esta doença é uma nova missão que me convidais a abraçar, uma missão específica dentro do chamamento ao episcopado. Também isto me trouxe grande paz, Senhor: não encarar esta doença como uma limitação no ministério episcopal, mas antes uma forma de exercer o episcopado a que Vós, nos Vossos insondáveis desígnios, agora me chamais […]: a proximidade com quem mais sofre, o testemunho e confiança na adversidade, a experiência da alegria inefável que nasce da Esperança cristã, a certeza Pascal da vitória da Vida sobre a morte, a fecundidade da doença tornada dom salvífico, quando me uno a Vós. Tudo isto, vivido na carne macerada pela doença, para que se “complete na minha carne o que falta à Paixão de Cristo” (Col 1, 24)”.

 

Quando em tudo vemos um chamamento à missão, uma oportunidade de oferecer o evangelho vivo, a graça de Deus fecunda de eternidade a nossa vida frágil e passageira!

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