Domingo |
À procura da Palavra
Santos “normais”
<<
1/
>>
Imagem

DOMINGO XXXI COMUM Ano C

“O Filho do homem veio procurar

e salvar o que estava perdido.”

Lc 19, 10

 

Hoje peço perdão aos santos apóstolos e profetas, mártires e confessores, doutores e pastores, místicos e miraculosos, e a todas as santas também, as mais fortes e as mais doces, de todas as ladainhas conhecidas e santorais confirmados, pois eu quero hoje falar dos santos desconhecidos. Estamos nas vésperas da sua festa e até “S. Zaqueu” me vai perdoar este atrevimento (pois não subiu ele a uma árvore só para ver o Senhor passar?). Acredito que a santidade não é questão de altar nem incenso, nem só de milagres extraordinários.

 

Como o livro de Miguel de Unamuno intitulado “São Manuel Bom”, creio na santidade “normal” de tantos que, sem gestos extraordinários, vivem extraordinariamente a vida. Aqueles que são fiéis à sua consciência, alérgicos a toda a hipocrisia e injustiça, mansos ou revolucionários, sempre de alma inteira em tudo que fazem. Aqueles que Te imitaram, Jesus, “e na transparência dos seus gestos a / tua imagem se divisava. Empreendedores e bravos / ou tímidos e mansos, traziam-te no coração, / olharam o mundo com amor e os / homens como irmãos”, como escreveu Maria de Lourdes Belchior. Santos do nosso convívio, capazes de rir e chorar, de brincar e abraçar, de fazer do seu trabalho uma balada de amor e serviço, sem gastar tempo e alma com os erros seus e dos outros, mas sempre prontos a recomeçar. Santos à volta dos tachos e no meio dos livros, de vassoura na mão e uma melodia na boca: que maravilhoso colorido deve ter o Céu! Pois são eles já que pintam o mundo com tantas cores! Porque estão sempre a aprender com o Santo que é Deus!

 

Não sentem também esta proximidade tão grande com aqueles que, ao morrer, se tornam os nossos santos? Nem sempre a sua vida foi luminosa, mas acenderam fogueiras em nós que nenhuma tempestade poderá apagar. Quantas vezes nos sentimos tão próximos dos que partiram e, aparentemente, nos deixaram? Quantas vezes escutamos a sua voz carinhosa e sentimos o seu abraço que aquece a alma? E quem poderá afirmar que não é verdade essa comunhão? Chamamos-lhe mistério, e temos dificuldade em entender. Será também santidade este fio que nos une num bem indescritível? É Jesus vivo e ressuscitado que me empresta essa convicção: nem a morte pode separar aqueles que se amam!

 

Se vós, Senhor, “amais tudo o que existe e não odiais nada do que fizeste” (Livro da Sabedoria), e foste “hospedar-te em casa de um pecador” (Evangelho), é porque a nossa vida “normal” é também Tua morada. Dou-te graças por todos os santos e, em especial, pelos santos “normais”!

P. Vítor Gonçalves
A OPINIÃO DE
Tony Neves
O Gabão acolheu-me de braços e coração abertos, numa visita que foi estreia absoluta neste país da África central.
ver [+]

Pedro Vaz Patto
Impressiona como foi festejada a aprovação, por larga e transversal maioria de deputados e senadores,...
ver [+]

Guilherme d'Oliveira Martins
Há anos, Umberto Eco perguntava: o que faria Tomás de Aquino se vivesse nos dias de hoje? Aperceber-se-ia...
ver [+]

Pedro Vaz Patto
Já lá vai o tempo em que por muitos cantos das nossas cidades e vilas se viam bandeiras azuis e amarelas...
ver [+]

Visite a página online
do Patriarcado de Lisboa
EDIÇÕES ANTERIORES