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Igreja do Paquistão pede ajuda face ao drama das piores cheias de sempre
“Não nos abandonem…”
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São as piores cheias de que há memória. Calcula-se que um terço do país tenha ficado debaixo de água, destruindo quase tudo, desde casas, estradas, pontes, colheitas… Tudo. Há milhões de pessoas afectadas, mais de 1.500 mortos, aldeias que desapareceram do mapa. As palavras são pequenas para retratar a dimensão desta tragédia. Do Paquistão chegam-nos pedidos desesperados de ajuda.

 

“Não nos abandonem nesta hora de dor e necessidade.” As palavras são de D. Joseph Arshad, Bispo de Islamabad-Rawalpindi e presidente da Conferência Episcopal do Paquistão, e traduzem o drama que se continua a viver após as “piores” cheias da história deste país asiático. Calcula-se que mais de 33 milhões de pessoas, ou seja, um em cada sete paquistaneses foram afectados de alguma forma com as cheias. Os números, que ajudam a descrever o estado em que se encontra o país, são reveladores: mais de 1.500 mortos, quase dois milhões de casas destruídas ou seriamente afectadas, tal como sete mil quilómetros de estradas ou 246 pontes. E como acontece quase sempre nestas circunstâncias, são os mais pobres dos pobres os mais atingidos. Agora, que os níveis das águas começaram a baixar, as autoridades deparam-se com outras emergências, nomeadamente o combate à fome e às epidemias. E a Igreja Católica está na linha da frente desse combate. Isso mesmo foi transmitido num encontro promovido recentemente pela Fundação AIS Internacional e que reuniu três Bispos, os responsáveis pelas dioceses de Karachi, Hyderabad e de Quetta.

 

Hospitais sobrecarregados

O Arcebispo Benny Travis, de Karachi, situada no sul do Paquistão, não teve dúvidas em dizer que se estará perante uma brutal catástrofe humanitária se nada se fizer com urgência. “A dengue e a cólera estão a espalhar-se. Os hospitais estão sobrecarregados e estão a mandar as pessoas embora.” Entre outras coisas, faltam redes mosquiteiras para proteger as pessoas das infecções. O arcebispo também está alarmado com relatos de que as farmácias poderão estar a reter o fornecimento de medicamentos, elevando assim os preços e tornando ainda mais difícil o acesso dos mais pobres aos cuidados médicos primários. No encontro, D. Samson Shukardin, Bispo de Hyderabad, trouxe também uma mensagem preocupante. À medida que o Inverno se aproxima, diz o prelado, a fome torna-se uma ameaça real, principalmente nas áreas rurais que foram mais afectadas. “As regiões remotas não estão protegidas contra inundações, apenas as grandes cidades”, diz ele. “90 % da minha diocese está inundada devido à chuva intensa. Muitas igrejas, casas paroquiais e escolas foram danificadas pelas chuvas. As pessoas ficaram [na condição de] sem-abrigo e famintas, além das famílias que sofrem pela perda dos seus entes queridos.” No entanto, nestes dias de extrema crise, de aflição, não têm faltado exemplos de solidariedade. “As pessoas são pobres, mas generosas”, disse D. Khalid Rehmat, Vigário Apostólico de Quetta, que também participou no encontro da Fundação AIS, reiterando os pedidos de ajuda à comunidade internacional.

 

Hora de dor e sofrimento

É neste contexto que se tem destacado o trabalho da Igreja e o papel solidário da comunidade cristã. “As pessoas valorizam a Igreja como um lugar confiável para obter assistência de emergência”, foi uma expressão que se escutou várias vezes no encontro promovido pela Fundação AIS. E ajuda de emergência, aqui, significa ter acesso a coisas tão básicas como alimentos, medicamentos e abrigos. Face a esta situação de calamidade, a Fundação AIS avançou com projectos de ajuda humanitária de emergência visando apoiar as dioceses que estão em maior dificuldade. Por exemplo, em relação à Diocese de Hyderabad foi já aprovado um apoio que passa pela ajuda a cerca de cinco mil famílias, através de cabazes alimentares para um mês, ajuda em dinheiro para os que estão em situação mais vulnerável, abrigos temporários, unidades de saúde móveis e entrega de artigos básicos essenciais, como as redes mosquiteiras e repelentes. Alem disso, a Fundação AIS está já também empenhada na reparação de igrejas e infraestruturas comunitárias que ficaram danificadas com as inundações, e que precisam de estar de novo operacionais para o acolhimento de vítimas das cheias. Todos somos chamados a ajudar. A Igreja do Paquistão precisa de nós para auxiliar os que estão em situação mais desesperada. Não podemos abandonar o Paquistão nesta hora de dor e de sofrimento.

texto por Paulo Aido, Fundação Ajuda à Igreja que Sofre
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