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Sinodalidade
Os sínodos no pontificado do Papa São João Paulo II
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Durante o pontificado de João Paulo II, que durou 26 anos, realizaram-se quinze assembleias sinodais. Destas, contam-se seis assembleias ordinárias que versaram sobre o tema da família Cristã [1980], sobre a penitência e a reconciliação na Igreja [1983], sobre a vocação e a missão dos leigos na Igreja e no mundo [1987], sobre a formação dos sacerdotes nas circunstancias actuais [1990], sobre a vida consagrada e a sua missão na Igreja e no mundo [1994], sobre o bispo, servidor do evangelho de Jesus Cristo para a esperança do mundo [2001]. A assembleia extraordinária nos vinte anos do concílio [1985] e sete assembleias especiais para a Europa [1991] (Somos testemunhas de Cristo que nos libertou), pela África [1994] (A Igreja em africa e a sua missão evangelizadora), para o Líbano [1995] (Cristo é a nossa esperança: renovados pelo seu espirito, solidário, testemunhamos o seu amor), para a América [1997] (O encontro com Jesus Cristo vivo, caminho para a conversão, para a comunhão, e para a solidariedade na américa), para a Oceânia [1998] (Jesus Cristo: seguirei a sua via, proclamarei a sua verdade, viverei a sua vida: um apelo ao povo da Oceânia), para a Asia [1998] (Jesus Cristo Salvador e a missão de amor e de serviço na Asia “…para que tenham vida e a tenham em abundancia”), e já no limiar do ano 2000 um segundo sínodo pela Europa [1999] (Jesus Cristo vivente na sua Igreja, fonte de esperança para a Europa). A estes sínodos soma-se ainda o Sínodo particular para o Países Baixos [1980].

 

Durante o pontificado de João Paulo II subsistiu uma intensa actividade sinodal, com reuniões entre os bispos em média pelo menos uma vez de três em três anos, sendo que realizou em três anos do seu pontificado duas assembleias sinodais no mesmo ano, como é o caso dos anos 1980, 1994 e 1998. Nas Assembleias Ordinárias prosseguiram os temas relacionados com a actualização da dinâmica conciliar na vida da Igreja, nas Assembleias Sinodais Especiais são as diferentes geografias que vão tomando relevância. Ao mesmo tempo, podemos verificar como nas Assembleias Especiais, que se realizam na década de 90, o tema é sempre marcado por uma dinâmica cristocêntrica, pois, partindo de Cristo, a Igreja enriquece o mundo com o seu testemunho evangelizador. Os títulos dados a cada uma das Assembleias especiais dão nota deste desejo de fazer nascer uma dinâmica evangelizadora nas várias Igrejas locais.

 

Duas notas sobre organização do sínodo

Quanto à forma ou modelo utilizado, o Papa João Paulo II partiu do modelo instituído pela Apostolica Sollicitudo do Papa Paulo VI. Neste sentido, a estrutura do sínodo começou a sofrer alterações logo no final do encontro de 1980. No discurso de conclusão da V assembleia geral do Sínodo dos Bispos estabelece juntar aos 12 membros da Secretaria Geral do Sínodo mais três prelados, cuja nomeação fica dependente do sumo pontífice. As indicações somam-se e não dizem respeito apenas à forma, mas também ao conteúdo e objectivo do sínodo que é apresentado pelo Papa como um aprofundamento teológico e pastoral dos temas abordados à semelhança daquilo que sucedia no Concílio.

No sínodo de 1987 veio a novidade da presença, nas aulas sinodais, de auditores leigos, de várias idades, estados e circunstâncias sociais, provenientes de vários grupos de trabalho que tinham estudado os lineamenta e tinham sido escolhidos para representar os leigos de todo mundo. O desejo do Santo Padre foi o de trazer os seus interlocutores para o centro da discussão, de forma a perscrutar a realidade da Igreja e do mundo. Uma outra integração sucedeu no ano de 1990, no sínodo sobre a formação sacerdotal e as circunstâncias actuais, em que os Bispos dos países de leste tiveram oportunidade ide participar no sínodo o que se tornou num enriquecimento da experiência Sinodal, pelo aporte que traziam sobre a experiência do comunismo, e o Papa não deixou de referir, no seu discurso final, a alegria pela sua presença.

 

Notas sobre o Sínodo dos Bispos em São João Paulo II

A história do sínodo e a história de Wojtyla estão tão intrinsecamente ligadas, que a originalidade do seu contributo é difícil de identificar. Esta coincidência histórica acontece desde o primeiro momento, do concílio e das discussões sobre a colegialidade até ao seu último Sínodo em 2001, com a afirmação mais consciente do carácter sinodal da Igreja. Por isso expomos de seguida quatro pontos que podem ajudar a precisar a sua reflexão sobre sinodalidade.

Em primeiro lugar, vemos acontecer na vida João Paulo II uma assunção dos ensinamentos conciliares e a sua aplicação no exercício das suas responsabilidades episcopais. É ainda possível verificar como os conceitos de Igreja como Corpo Místico de Cristo e da Igreja como Povo de Deus, encontram o seu fundamento na missão da Igreja, que se actualiza mediante o testemunho de Cristo.

Em segundo, verificamos que este testemunho, que a Igreja é chamada a oferecer, teologicamente fundado no primeiro capítulo da constituição Lumen Gentium, encontra na teologia trinitária o princípio e a finalidade da sua acção. A comunhão eclesial é chamada a conformar-se com a comunhão que Cristo testemunha existir em Deus. Sendo esta expressa manifestamente reconhecível na experiência do Sínodo dos Bispos, o qual é fruto da acção do Espírito Santo. Devido a esta sua origem teológica, o Sínodo deve tornar-se não só uma estrutura que promova a Igreja em comunhão, mas também um acontecimento no qual se realiza um enriquecimento da fé pessoal de cada um dos participantes.

Em terceiro, falamos do modo como enriquecimento da fé sucede pelo aumento da visão sobre o mundo, pela partilha da vida das várias Igrejas locais, pela sua diversidade cultural e pela pluralidade de posições humanas diante do mistério de Cristo, da Igreja e do próprio mundo. O fruto deste caminho sinodal não é a dispersão, mas a unidade eclesial que se torna mais evidente, mediante a vitoria de Cristo. Nisto se aprofunda e alargam a experiência da fé de toda a Igreja, experimentada cum petro et sub petro.

Em quarto e último lugar, vemos como foi abrindo paulatinamente uma realidade episcopal a toda a Igreja, aumentando em número e em qualidade os seus intervenientes. O legado que deixou à Igreja, no que diz respeito ao Sínodo dos Bispos é claramente mais alargado, na sua forma, mas não menos fiel a Paulo VI e ao Concílio Vaticano II.

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